12 são presos em operação contra golpe do falso advogado que fez idosa de Santa Maria perder R$ 150 mil

12 são presos em operação contra golpe do falso advogado que fez idosa de Santa Maria perder R$ 150 mil

Foto: Polícia Civil (Divulgação)

Doze pessoas foram presas nesta quinta-feira (13), durante uma operação coordenada pela Polícia Civil de Santa Maria contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra idosos por meio do chamado “golpe do falso advogado”. A Operação Juris Fictio também cumpre mandados de busca e apreensão e determina o bloqueio judicial de contas bancárias e valores.


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A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (Dpicoi) de Santa Maria, com suporte do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab/DIOPI/Senasp/MJSP) e apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santa Maria e da Polícia Civil do Ceará. As ordens judiciais são cumpridas em municípios cearenses, incluindo Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba, Caucaia e Guaiúba.


Idosa perdeu R$ 150 mil

As investigações começaram após uma idosa de 68 anos, moradora de Santa Maria, registrar uma ocorrência em 2024. Segundo a Polícia Civil, ela recebeu uma ligação de um homem que se apresentou falsamente como representante de um conhecido escritório de advocacia de Brasília.

O criminoso informou à vítima que ela teria direito a receber R$ 1,2 milhão. Para liberar o suposto valor, porém, a idosa teria de pagar custas e “taxas liberatórias”.

Induzida pelos criminosos, a vítima realizou diversas transferências via Pix. Ao todo, teve um prejuízo de aproximadamente R$ 150 mil.

A partir da análise de dados bancários e de informações obtidas durante a investigação, a Polícia Civil identificou integrantes da organização e rastreou a movimentação dos valores.

Segundo a corporação, 16 pessoas, todas residentes no Ceará, foram identificadas como suspeitas de participação no esquema e de obtenção de vantagens financeiras a partir do prejuízo causado à vítima.


Criminosos se passavam por advogados

O nome da operação, Juris Fictio, vem do latim e significa “ficção jurídica”. A expressão faz referência à estratégia utilizada pelos investigados, que se passavam por advogados e representantes de escritórios legítimos para criar uma situação fictícia e convencer as vítimas.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava técnicas de engenharia social para explorar a vulnerabilidade de pessoas idosas. Os criminosos recorriam a nomes de escritórios conhecidos e apresentavam informações falsas para transmitir credibilidade durante os contatos.

- A Operação Juris Fictio é fruto de um trabalho de investigação minuciosa e persistente contra associação criminosa que usa a engenharia social para explorar a vulnerabilidade de pessoas idosas - afirma a delegada Débora Dias, responsável pela investigação em Santa Maria.

Ainda segundo a delegada, os criminosos se aproveitam de nomes de escritórios conhecidos e criam cenários falsos para induzir as vítimas a erro, gerando graves prejuízos financeiros e emocionais.

A delegada também destacou a atuação conjunta com as autoridades cearenses.

- A integração com a Polícia Civil do Ceará e o suporte do Ciberlab foram decisivos para mapearmos a localização e perfeita identificação do grupo para cumprir as ordens judiciais. O recado é claro: as barreiras estaduais não impedirão a responsabilização daqueles que cometem crimes contra a nossa população -  declara.


Operação cumpre mandados no Ceará

Ao todo, segundo a Polícia Civil, foram expedidas 16 ordens de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de determinações para bloqueio judicial de contas bancárias e valores.

A operação contou com a participação de policiais civis do Rio Grande do Sul e do Ceará. O Ciberlab também atuou no rastreamento digital e na análise das informações relacionadas ao esquema.

Os investigados são suspeitos de crimes como estelionato eletrônico contra pessoa idosa, associação criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

De acordo com a Polícia Civil, considerando as penas máximas previstas para os crimes investigados, a soma pode ultrapassar 29 anos de reclusão, além de multa.

A investigação continua para esclarecer a participação individual de cada suspeito, identificar eventuais outras vítimas e verificar a extensão da estrutura utilizada pelo grupo.

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