Um mês depois, principal suspeito do assassinato de ex-prefeito de Formigueiro segue foragido

Um mês depois, principal suspeito do assassinato de ex-prefeito de Formigueiro segue foragido

Foto: Arquivo Pessoal

​João Natalício, de 64 anos, foi morto a tiros na manhã de 12 de julho, na localidade de Fundo do Formigueiro, no interior do município.

Nesta quarta-feira (12), completa um mês do assassinato do ex-prefeito de Formigueiro, João Natalício Siqueira da Silva, de 64 anos. Apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos, o principal suspeito do crime continua foragido. O mandado de prisão preventiva contra o investigado foi decretado pela Justiça e permanece válido, mas, até o momento, o homem não foi localizado.


+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp


Natalício foi morto por volta das 9h30min de 12 de julho, na localidade de Fundo do Formigueiro, no corredor da Capoeira, no interior do município. A principal linha de investigação aponta que o homicídio teria sido motivado por um conflito relacionado à posse e ao uso de uma área de terras.
Para o delegado Antônio Firmino de Freitas Neto, titular da Delegacia de Polícia de Formigueiro e responsável pela investigação, o fato de o suspeito ainda não ter sido preso não significa que o crime permaneça sem esclarecimento.

- O caso, desde o início, eu considero resolvido. Desde os primeiros momentos a gente identificou o autor, representamos a prisão e foi decretada - afirma o delegado.

Segundo Firmino, a Polícia Civil chegou à identificação do principal suspeito ainda nas primeiras horas após o homicídio. Quando os policiais foram até a residência dele para cumprir as medidas decorrentes da investigação, entretanto, o homem já havia desaparecido. Desde então, equipes policiais realizam buscas para tentar localizar o investigado.

Ao completar um mês do crime, Firmino afirma que o trabalho da Polícia Civil continua, e ressalta que o trabalho segue de forma continua desde o dia do crime.

- Nossa intenção maior é localiza-lo. Nossas equipes seguem trabalhando dia e noite, não paramos. Realizados ações conjuntas com a Brigada Militar, buscas em cidades da região. Sabemos que a familia quer uma respostas e, por isso nosso trabalho não para - explica o delegado.

O delegado afirma que policiais seguem realizando buscas inclusive fora do horário de expediente.

- A gente não para de trabalhar. A gente trabalha sábado, domingo, feriado, à noite, fora do nosso horário. A intenção maior nossa é prender este suspeito e dar uma resposta para os familiares, amigos e para a comunidade de Formigueiro no geral - afirma.

Para Firmino, a investigação reuniu elementos suficientes para esclarecer a autoria e fundamentar o pedido de prisão preventiva.

- Desde o princípio foi resolvido o caso. A gente juntou a prova, foi decretada a prisão - resume.


A perícia identificou que o ex-político foi atingido por dois dos três disparos ouvidos por testemunhas. Um tiro atingiu o peito e outro, as costas. Foto: Fernando Ramos (Formigueiro Real)


Defesa tentou derrubar prisão

O investigado não se apresentou à Polícia Civil, apesar da expectativa inicial de que pudesse comparecer acompanhado de um advogado.
A defesa, representada pelo advogado Ariel Cardoso, tentou revogar a prisão preventiva. O pedido foi negado pela Justiça de São Sepé. Depois, um habeas corpus foi apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, mas também acabou negado.

Com isso, a prisão preventiva continua válida e o principal suspeito permanece foragido.

Na avaliação do delegado, permanecer escondido pode dificultar uma eventual tentativa de obter liberdade posteriormente.

- Eu entendo, de forma respeitosa, a defesa, mas é uma estratégia muito errada não apresentá-lo - afirma Firmino.


Suspeito pode estar fora de Formigueiro

A Polícia Civil não sabe onde o investigado está escondido. Não há confirmação de que ele permaneça em Formigueiro, na região ou mesmo no Rio Grande do Sul. Segundo o delegado Firmino, as características do município também dificultam as buscas.

- É um local que tem muitos lugares abandonados e o interior possui grandes propriedades, isso dificulta o trabalho. Ele pode estar em qualquer lugar - afirma o delegado.

Responsável pelo caso, Firmino reforça que a responsabilidade pela captura de um foragido envolve diferentes forças de segurança como,  Polícia Civil, Brigada Militar, entre outros órgãos que podem auxiliar.

Além das buscas pelo principal suspeito, a Polícia Civil continua realizando outras diligências relacionadas ao caso.

O inquérito segue em aberto em razão desse trabalho de localizar o suspeito e de outras pessoas que ainda podem ser chamadas para prestar depoimento, conforme o avanço da investigação.


Atrito entre os vizinhos já havia sido registrado na Polícia Civil

Um dia após o crime, o delegado esclareceu que o desentendimento entre o ex-prefeito e o vizinho já era antigo e que a Polícia Civil já havia registrado uma ocorrência anterior de ameaça de morte, na qual o suspeito teria usado um revólver calibre 38 contra a vítima.

Na época, a polícia chegou a cumprir mandado de busca e apreensão na casa do vizinho do ex-prefeito, mas não localizou a arma mencionada. Foi encontrada, porém, uma pistola calibre 9mm, registrada em nome do suspeito, que possui inscrição como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) junto ao Exército. A arma foi apreendida e será encaminhada para perícia e posterior análise pelas Forças Armadas.


Polícia alerta quem estiver ajudando o investigado

A Polícia Civil também faz um alerta para pessoas que eventualmente estejam auxiliando o suspeito a permanecer escondido. Quem conscientemente der suporte para que um foragido permaneça oculto ou dificulte a atuação das autoridades poderá responder criminalmente, conforme as circunstâncias.

O delegado também explica que a Polícia Civil não divulgou fotografias do investigado por causa das restrições legais relacionadas ao direito à imagem.

Segundo Firmino, apesar disso, o homem é conhecido na região e possui fotografias publicadas em redes sociais.


Produtor rural e ex-político, João Natalício administrou Formigueiro por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012. Na época, ele era filiado ao Progressistas. Foto: Arquivo Pessoal


Dois tiros atingiram o ex-prefeito

A perícia identificou que o ex-político foi atingido por dois dos três disparos ouvidos por testemunhas. Um tiro atingiu o peito e outro, as costas. A informação foi confirmada três dias após o assassinato, depois da conclusão do trabalho pericial.

Testemunhas não teriam visto o momento dos disparos. Após ouvirem os tiros, porém, algumas pessoas relataram ter visto um homem deixando o local a pé, atravessando os campos em direção à região onde estaria sua residência.

Natalício estava a cavalo quando foi atingido. Ferido, caiu do animal e morreu na estrada. As circunstâncias levantadas pela investigação indicam que ele pode ter tentado buscar socorro após ser baleado.


Ex-prefeito foi político por dois décadas

Produtor rural e ex-político, João Natalício administrou Formigueiro por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012. Ele era filiado ao Progressistas.

Em 2024, filiou-se ao PT e disputou a eleição para vice-prefeito ao lado de Valdair Bortoluzzi Simões, do Progressistas.
O assassinato provocou forte comoção em Formigueiro e repercutiu em toda a região.


Relembre o assassinato

​João Natalício Siqueira da Silva foi morto na manhã de domingo, na Estrada da Capoeira, na localidade de Fundo do Formigueiro. Segundo a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que o crime foi motivado por uma disputa envolvendo uma fração de terra em um condomínio rural.

De acordo com o delegado Firmino, um filho da vítima teria adquirido a área e concedido procuração ao pai para utilizá-la no plantio e na criação de gado. O uso do terreno não seria aceito pelo vizinho, apontado como principal suspeito do homicídio, o que teria dado origem ao conflito.

Ainda no dia do crime, a Polícia Civil ouviu testemunhas, entre elas a esposa do investigado e moradores da região, e encaminhou o pedido de prisão preventiva ao plantão judiciário.

Um mês depois, o delegado responsável considera o homicídio esclarecido quanto à autoria. O principal suspeito, porém, continua foragido e é procurado pelas forças de segurança.

Um mês depois, principal suspeito do assassinato de ex-prefeito de Formigueiro segue foragido Anterior

Um mês depois, principal suspeito do assassinato de ex-prefeito de Formigueiro segue foragido

Número de mortos no terremoto da Colômbia sobe para 224 Próximo

Número de mortos no terremoto da Colômbia sobe para 224

Plantão
Logo tv diário
Logo rádio diário

AO VIVO

ASSISTA AGORA
MAIS BEI