Pedido de vista adia julgamento de recurso do Caso Kiss no STJ, após relatora propor aumento das penas dos réus

Pedido de vista adia julgamento de recurso do Caso Kiss no  STJ, após relatora propor aumento das penas dos réus

Foto: Lucas Pricken (STJ/Divulgação)

O julgamento do recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) que busca aumentar as penas dos quatro condenados pelo Caso Kiss foi suspenso na tarde desta terça-feira (15), no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Rogerio Schietti Cruz pediu vista do processo, interrompendo a análise pela Sexta Turma. Com isso, não há uma decisão definitiva sobre as penas.

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O pedido de vista ocorre quando um ministro solicita mais tempo para analisar o processo antes de apresentar o voto. No STJ, o magistrado tem prazo de até 60 dias para devolver o processo, que pode ser prorrogado por mais 30 dias.

O recurso do MPRS chegou ao STJ após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), em agosto de 2025, manter as condenações dos quatro réus, mas reduzir as penas estabelecidas pelo Tribunal do Júri em 2021. O Ministério Público recorreu para tentar restabelecer as penas aplicadas pelo júri. As defesas também apresentaram recursos.

Integrantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) estiveram presentes na sessão, em Brasília (DF).


Como ficaram as penas após a decisão do TJRS

Com a decisão de agosto de 2025, as penas impostas pelo Tribunal do Júri foram reduzidas:

  • Elissandro Callegaro Spohr: de 22 anos e seis meses para 12 anos;
  • Mauro Londero Hoffmann: de 19 anos e seis meses para 12 anos;
  • Marcelo de Jesus dos Santos: de 18 anos para 11 anos;
  • Luciano Bonilha Leão: de 18 anos para 11 anos.

É contra essa redução que o Ministério Público recorreu ao STJ.

Elissandro e Mauro eram sócios da boate Kiss. Marcelo era vocalista da banda Gurizada Fandangueira, enquanto Luciano atuava como auxiliar de palco do grupo.


Relatora propôs novo aumento das penas

A desembargadora convocada Nilsoni de Freitas, relatora do caso, propôs o aumento das penas dos quatro condenados pelo Caso Kiss.Foto: Lucas Pricken (STJ/Divulgação)

A sessão desta terça-feira começou às 14h41min, com as sustentações da acusação e das defesas. Pela acusação, manifestaram-se o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o advogado Pedro Gonçalves Barcellos Júnior, assistente de acusação e representante da AVTSM, ​com 15 minutos de sustentação para cada um. Já pelas defesas, fizeram sustentações Jader Marques, por Elissandro Spohr; Bruno Seligman de Menezes, por Mauro Hoffmann; e Tatiana Borsa, por Marcelo de Jesus dos Santos, com 10 minutos para cada advogado. Na sequência, a relatora, desembargadora convocada Nilsoni de Freitas, apresentou, por cerca de 30 minutos, o voto e acolheu parcialmente o recurso do Ministério Público.

A relatora propôs aumentar para 18 anos de prisão as penas de Elissandro e Mauro, atualmente fixadas em 12 anos. Para Marcelo e Luciano, que têm penas de 11 anos, a proposta é de 12 anos, quatro meses e 15 dias

Assim, caso o entendimento da relatora prevaleça ao fim do julgamento, as penas ficarão da seguinte forma:

  • Elissandro Callegaro Spohr: dos atuais 12 anos para 18 anos;
  • Mauro Londero Hoffmann: dos atuais 12 anos para 18 anos;
  • Marcelo de Jesus dos Santos: dos atuais 11 anos para 12 anos, quatro meses e 15 dias;
  • Luciano Bonilha Leão: dos atuais 11 anos para 12 anos, quatro meses e 15 dias.

As penas propostas por Nilsoni são superiores às estabelecidas pelo TJRS, mas inferiores às condenações originalmente impostas pelo Tribunal do Júri.
No voto, a relatora entendeu que deveria ser restabelecida a valoração negativa da culpabilidade de Elissandro e Mauro. Para os quatro condenados, Nilsoni também aumentou a valoração das consequências do crime, o que levou ao novo cálculo das penas.

Os ministros Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior acompanharam o voto da relatora.


​Pedido de vista interrompe julgamento

O ministro Rogerio Schietti Cruz pediu vista do processo e suspendeu a conclusão do julgamento no STJ.Foto: Lucas Pricken (STJ/Divulgação)

Na sequência dos votos, o ministro Rogerio Schietti Cruz manifestou dúvidas sobre um ponto relacionado ao cálculo das penas. A discussão envolve a possibilidade de a decisão do TJRS ter provocado uma reforma para pior da situação dos réus ao redimensionar as condenações.

Diante da questão, Schietti decidiu analisar o processo com mais profundidade antes de apresentar o voto e pediu vista. O pedido ocorreu por volta das 16h05min e suspendeu a conclusão do julgamento. O ministro afirmou que não pretende demorar para devolver o caso.

Antes do pedido, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior haviam acompanhado o voto da relatora. Com a discussão levantada por Schietti, porém, houve a indicação de que os posicionamentos poderiam ser reconsiderados quando o julgamento for retomado. Sebastião Reis Júnior retirou o voto que havia apresentado, diante da possibilidade de reavaliar a questão após a manifestação de Schietti.

Com isso, as novas penas propostas pela relatora ainda não representam uma decisão definitiva do STJ. O julgamento será retomado pela Sexta Turma após a devolução do processo por Schietti.

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