Foto: Vinicius Becker (Diário)
Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Mobilidade e Logística (Lamot) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) aponta uma série de mudanças que podem ser feitas no trânsito da Avenida Nossa Senhora das Dores e em outras vias que integram o eixo analisado. O trabalho foi solicitado pela prefeitura de Santa Maria e busca identificar problemas relacionados ao fluxo de veículos, funcionamento das interseções e segurança viária.
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O diagnóstico foi entregue à prefeitura na última semana e integra uma série de etapas previstas no projeto. Segundo o coordenador do laboratório, professor Alejandro Ruiz Padillo, a equipe realizou contagens presenciais por vídeo nas interseções ao longo do trecho analisado, incluindo pontos da Avenida Nossa Senhora das Dores, Avenida Medianeira, Rua Acampamento, Avenida João Luiz Pozzobon e Rua Pinto Bandeira.
– Agora foi entregue para a prefeitura e oferece um diagnóstico diferenciado segundo o tipo de interseção – explica Padillo.
O levantamento considerou os horários de pico da manhã e do final da tarde e analisou diferentes tipos de interseção, como cruzamentos semaforizados, rotatórias e o ponto conhecido como "Trevo do Fórum".
De acordo com o professor, os cruzamentos semaforizados não concentram os principais problemas identificados pelo estudo. As situações que mais chamaram a atenção da equipe estão em algumas das rotatórias do trecho analisado.
– Existe alguma aproximação que poderia ter uma saturação um pouco maior, mas, em linhas gerais, os semáforos se encontram em bom estado e em bom funcionamento – afirma.
Cerca de 4,3 mil veículos passam pelo ponto no pico da tarde
Um dos pontos de maior movimentação analisados pela equipe é a interseção do Fórum. Conforme Padillo, as contagens realizadas em dias considerados típicos apontaram cerca de 4 mil veículos no horário de pico da manhã, entre 7h e 8h, e mais de 4,3 mil veículos no pico da tarde, a partir das 17h.
– Encontramos em torno de 4 mil veículos em cada um dos picos. O pico da tarde é bem maior – detalha.
As medições foram realizadas em terças, quartas e quintas-feiras, sem feriados, eventos ou outros fatores considerados fora da rotina.
– Medimos isso em vários dias típicos sem transtorno de tráfego, sem feriados, sem outros eventos extraordinários. Então, são dias normais – explica o professor.
O estudo não teve como objetivo contabilizar o volume total de veículos durante todo o dia. Durante a entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN 93.5 FM, Padillo mencionou uma estimativa de aproximadamente 40 mil veículos por dia a partir dos volumes registrados nos horários de pico. O número, no entanto, não foi aferido diretamente pelo estudo.
– Durante todo o dia, estimamos que pode ser em torno de 40 mil veículos que passam lá por dia, mas é uma estimativa que não foi aferida realmente – ressalta.
Sinalização apresenta problemas ao longo do eixo
Além do fluxo de veículos, a equipe analisou a sinalização horizontal e vertical ao longo do trecho.
Segundo Padillo, foram identificadas insuficiências como sinalização horizontal apagada ou com baixa visibilidade, além de placas danificadas, encobertas, pouco visíveis ou ausentes.
O diagnóstico também apontou diferenças no funcionamento das interseções. Na rotatória do Idealista, conhecida popularmente como rotatória do Ícaro, foram identificados problemas relacionados à saturação de uma das entradas e à forma como ocorre o acesso pela Rua Padre Kentenich.
Entrada da Padre Kentenich pode ser alterada
Uma das possibilidades discutidas pela equipe é a alteração da entrada da Rua Padre Kentenich na rotatória do Idealista.
O professor explica que a abertura existente no canteiro central permite um movimento de conversão à esquerda que gera conflitos com os veículos que trafegam pela Avenida Nossa Senhora das Dores. Segundo ele, a entrada é curta, tem um ângulo considerado inadequado e apresenta problemas de visibilidade.
– Encontramos graves conflitos de tráfego que dão uma grande insegurança. Essa abertura que existe no canteiro central e esse giro à esquerda criam conflitos tanto com o fluxo que vai em direção a Camobi quanto com o fluxo que vai em direção ao Centro – explica.
Uma das alternativas em análise seria fechar essa abertura no canteiro central, fazendo com que os motoristas precisem utilizar outros acessos para chegar ao destino.
– A ideia, se for levada adiante, seria fechar aquele canteiro. É uma entrada muito curta. De fato, os veículos não têm espaço para poder ficar e fazer a conversão com segurança – afirma Padillo.
Ele ressalta, porém, que essa é apenas uma das possibilidades e que a decisão deverá ser tomada em conjunto com a prefeitura após a análise dos impactos sobre o trânsito da região.
Viaduto no "Trevo do Fórum" não é considerado solução adequada
Outro ponto analisado pelo laboratório foi a interseção conhecida como "Trevo do Fórum'. O local já foi alvo de discussões sobre a possibilidade de construção de um viaduto para eliminar os conflitos entre os diferentes fluxos de veículos.
De acordo com Padillo, considerando apenas os volumes de tráfego e determinadas normas técnicas, uma interseção em diferentes níveis poderia ser indicada. No entanto, o contexto urbano da região precisa ser levado em consideração.
– Se a gente aplica a norma e olha para os fluxos de tráfego que existem, a norma indica que uma solução deveria ser em diferentes níveis. Só que é uma norma pensada para rodovias e que só olha para os fluxos de tráfego e os conflitos que aparecem – explica.
Por isso, neste momento, o professor afirma que um viaduto não é considerado uma solução adequada pela equipe. Segundo ele, a estrutura poderia apenas transferir o congestionamento para outras interseções próximas, como a rotatória do Idealista e cruzamentos semaforizados localizados em direção ao oeste da cidade.
– A nossa opinião é que uma interseção em diferentes níveis, um viaduto, não seria uma solução adequada. Temos que estudar porque isso pode transportar o problema de tráfego para os pontos adjacentes – afirma.
A equipe pretende estudar outras possibilidades para reorganizar os movimentos existentes no Trevo do Fórum, incluindo uma eventual transformação da interseção em uma rotatória. Antes de qualquer mudança, porém, seria necessário realizar simulações de tráfego para avaliar o comportamento dos veículos.
– Uma alternativa é poder estudar e fazer uma simulação de tráfego para ver o que aconteceria se essa solução fosse feita – explica.
Pedestres também estão entre as prioridades
A segurança dos pedestres e ciclistas também está entre os pontos considerados pelo laboratório. No Trevo do Fórum, por exemplo, a equipe identificou dificuldades para a travessia segura de pedestres, com pessoas utilizando canteiros e até a própria área da interseção para atravessar.
– Também vimos que lá temos um problema muito grave em relação aos pedestres, que não podem atravessar de nenhuma maneira de forma segura. Encontramos pedestres que atravessam pelos canteiros, pela própria rotatória – relata Padillo.
Segundo ele, a situação exige atenção porque o pedestre é considerado o usuário mais vulnerável do sistema viário.
– Temos que estudar isso e, em relação às interseções adjacentes, ver como se comportaria o tráfego entre todas – afirma.
Próxima etapa é elaborar propostas
Com a entrega do diagnóstico, o projeto entra na etapa de elaboração das propostas.
Entre as medidas que serão estudadas estão a revisão dos tempos dos semáforos, dos períodos de sinal verde e da sincronização entre os equipamentos, com o objetivo de melhorar a circulação no eixo.
– O que vamos fazer a partir de agora é revisar os tempos de ciclo desses semáforos, tempos de verde, para poder melhorar a sincronia entre eles e ter o que a gente sempre fala: a onda verde – explica o professor.
Também serão avaliadas mudanças geométricas nas interseções, alternativas para os movimentos realizados pelos veículos e melhorias na sinalização.
– A ideia é poder analisar quais são essas entradas que existem naquela interseção, quais são os conflitos principais e quais são os problemas geométricos que existem lá – afirma Padillo.
O estudo foi desenvolvido pelo Laboratório de Mobilidade e Logística da UFSM em parceria com a prefeitura de Santa Maria. As propostas ainda serão analisadas e discutidas com o município antes de qualquer definição sobre mudanças no trânsito.