Foto: Vinicius Becker / Diário
Apesar da inauguração nesta terça-feira (22), segunda ponte deve ser liberada ao trânsito somente na quarta-feira (23), após a conclusão de serviços finais, como pintura e sinalização.
A imagem da antiga ponte sobre o Arroio Grande sendo levada pela força das águas, em 30 de abril de 2024, marcou uma das maiores tragédias climáticas da história do Rio Grande do Sul. Mais de dois anos depois, o cenário de destruição dá lugar a duas novas estruturas, construídas para aumentar a resistência da travessia diante de eventos climáticos extremos.
A segunda ponte foi inaugurada na tarde de terça-feira (22), no km 226 da RSC-287, em Santa Maria, durante solenidade com a presença do governador Eduardo Leite (PSD) e autoridades. Ele chegou ao local após cumprir agenda em São Martinho da Serra, onde vistoriou obras de pavimentação do acesso a Santa Maria, que já teve os 17 km asfaltados, faltando agora só concluir um pequeno trecho da sinalização. Apesar da entrega oficial, a nova ponte de Arroio Grande deverá ser liberada ao trânsito somente nesta quarta-feira (23), após a conclusão de serviços finais, como pintura e sinalização.
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A antiga ponte desabou em 30 de abril de 2024, durante as enchentes que atingiram o Estado e provocaram danos em diferentes pontos da RSC-287. Inicialmente, estruturas metálicas provisórias foram instaladas pelo Exército para restabelecer a circulação de veículos. A primeira das duas novas pontes definitivas foi liberada ao trânsito no dia 20 de março deste ano.
Com a entrega da segunda ponte, a travessia passa a contar com duas estruturas independentes. A intervenção também integra a duplicação de aproximadamente 800 metros da rodovia, que passará a contar com duas pistas em cada sentido após a liberação completa do trecho.
Pontes mais altas e resistentes
A reconstrução não se limitou à substituição da estrutura destruída em 2024. O projeto foi desenvolvido para adaptar a travessia à possibilidade de novos eventos climáticos extremos, com alterações na altura, na extensão e nos materiais utilizados. Conforme informações divulgadas anteriormente pela concessionária e pelo Diário, as novas pontes foram construídas cerca de dois metros acima da estrutura antiga e têm 69 metros de extensão - a antiga tinha 44 metros. Os acessos também receberam reforços com enrocamento, técnica que utiliza pedras para proteger os aterros e aumentar a resistência à força das águas.
Durante a solenidade, o diretor-geral da Rota de Santa Maria, Leandro Conterato, relembrou os desafios enfrentados após a destruição da ponte e destacou as mudanças adotadas na reconstrução.
– Todos lembram da ponte antiga, que foi totalmente colapsada, foi levada pelas águas. Tivemos a instalação de estruturas provisórias e um desafio muito grande de reconstruir melhor. E a resposta está sendo dada à altura desse desafio. [..] Estamos entregando aqui, um investimento superior a R$ 66 milhões, que envolveu não apenas a reconstrução da antiga estrutura da ponte que caiu. Foram construídas agora duas novas pontes, mais elevadas, em uma seção já pensando na pista duplicada, em cota mais elevada e com uma estrutura de cabeceiras e aterros construída com material de enrocamento, muito mais resistente – afirmou.
Leite destaca reconstrução e defende modelo de concessão
O governador Eduardo Leite relacionou a entrega das pontes ao processo de reconstrução da infraestrutura atingida pelas enchentes de 2024. Além da queda da ponte sobre o Arroio Grande, o governador lembrou que as chuvas também destruíram a ponte sobre o Arroio Barriga entre Paraíso do Sul e Novo Cabrais e outros pontos da RSC-287.
– As chuvas intensas que nós tivemos levaram esta ponte, levaram a ponte do Arroio Barriga, romperam a estrada em diversos pontos na localidade de Mariante, de Candelária. E a recuperação desses trechos, não apenas para restaurar ou restabelecer o que tinha antes, mas dar melhores condições de resiliência para esses trechos, é feita pela concessionária – afirmou.
Leite também defendeu a participação da iniciativa privada nos investimentos rodoviários. Segundo o governador, o modelo de concessão permite ampliar a capacidade de execução das obras em um cenário de limitações orçamentárias do Estado. O governador também comparou o volume de intervenções com o histórico de investimentos realizados diretamente pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).
– Nós estamos atuando pelo Daer diretamente em vários pontos, mas atender a todas as demandas do Estado, em todos os trechos, com ampliação de capacidade sozinho, pelo Daer, seria certamente ainda mais desafiador. [..] Apenas nesses 42 quilômetros em obras de duplicação da RSC-287, nós estamos falando de duplicação de mais do que o Daer foi capaz de fazer ao longo das últimas décadas, sozinho – disse.
Na avaliação de Leite, a concessão também representa uma alternativa para viabilizar a reconstrução e a adaptação das rodovias às mudanças climáticas. O governador citou a importância da RSC-287 como corredor logístico de ligação entre diferentes regiões do Estado. O governador afirmou que o governo seguirá acompanhando a execução das intervenções e cobrando o cumprimento das obrigações previstas no contrato.
– A boa perspectiva que a gente tem pela frente, de termos efetivamente um corredor logístico importante do Estado, que é a 287, nesse eixo de deslocamento leste-oeste, é justamente apresentada por conta dessa concessão. [..] A gente vai seguir acompanhando e cumprindo o papel que o Estado tem que cumprir como poder concedente, no bom diálogo, mas também com as demandas, com as cobranças para que a gente possa entregar a infraestrutura que o nosso Estado merece – disse.
Reconstrução integra conjunto de obras na RSC-287
A entrega faz parte de um conjunto de intervenções executadas pela Rota de Santa Maria nos 204 quilômetros da RSC-287 administrados pela concessionária. Entre as intervenções mencionadas pelo diretor da Rota, Lendro Conterato, estão aproximadamente 30 quilômetros de obras de duplicação na região entre Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, além dos trabalhos de reconstrução, duplicação e adaptação da rodovia na localidade de Mariante. Segundo ele, a reconstrução envolve a atuação conjunta da concessionária, do governo estadual, da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) e das demais autoridades responsáveis pela fiscalização e execução das intervenções.

Com a inauguração desta terça-feira, as duas estruturas definitivas sobre o Arroio Grande estão concluídas. A liberação do trânsito na segunda ponte, prevista para quarta-feira (23), permitirá que o trânsito passe a utilizar as quatro pistas do trecho duplicado, o que encerra mais uma etapa da reconstrução da RSC-287 após as enchentes de 2024.
A entrega da segunda ponte sobre o Arroio Grande integrou a agenda do governador Eduardo Leite pela Região Central nesta terça-feira (22). Pela manhã, ele esteve em Tupanciretã, onde vistoriou a ligação regional da RSC-392, entre o município e Santa Tecla (dos 40km, já há asfalto em 27,5 km e pedras em toda a extensão), além de participar da entrega de moradias definitivas para pessoas com 60 anos ou mais em situação de vulnerabilidade social na cidade. Depois, seguiu para São Martinho da Serra, onde acompanhou as obras de pavimentação do acesso asfáltico a Santa Maria. Após a solenidade no Arroio Grande, a programação previa uma visita a Dilermando de Aguiar, para vistoriar as obras da Ponte 11, sobre o Rio Ibicuí-Mirim, na ERS-530. Na sequência, Leite deveria retornar a Santa Maria e embarcar para Uruguaiana, onde irá pernoitar. A passagem do governador pela região começou ainda na segunda-feira (21), quando esteve no Hospital Regional de Santa Maria e falou sobre a superlotação do Hospital Universitário, a capacidade de atendimento do Regional e os investimentos na rede de saúde.