"O cliente tem o hábito de olhar a última linha da conta": gerente da CPFL RGE aponta combinação de fatores para aumento das faturas

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Após clientes de Santa Maria e região relatarem que o valor da conta de energia elétrica chegou a dobrar no último mês, a CPFL RGE atribui o aumento a uma combinação de fatores, como o reajuste tarifário, a bandeira amarela, o período de faturamento, a menor geração de energia solar e o aumento do consumo durante o inverno.


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O assunto também aumentou a procura por atendimento. Em Santa Maria, o Procon registrou crescimento no número de consumidores que buscaram o órgão para esclarecer dúvidas ou reclamar dos valores cobrados. A concessionária foi notificada após o registro de longas filas na agência localizada na Avenida Nossa Senhora Medianeira.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93,5 FM), o gerente de Serviços Comerciais da CPFL RGE, Fábio Calvo, explicou os principais fatores que podem ter influenciado o aumento das faturas e afirmou que a empresa não identificou falhas no processo de leitura e faturamento.

O cliente tem o hábito de olhar a última linha da conta, o quanto ele vai efetivamente pagar. Mas essa variação está associada a uma série de fatores – explicou.

Reajuste e bandeira amarela

Um dos fatores é o reajuste tarifário aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em junho. A decisão estabeleceu aumento médio de 16,07% para a CPFL RGE, com vigência a partir de 19 de junho. Para os consumidores residenciais, segundo a concessionária, o impacto ficou em 14,9% ao mês. Além do reajuste, entrou em vigor a bandeira tarifária amarela, que representa um acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos.

Outro ponto que pode influenciar o valor final da fatura é o número de dias considerado entre uma leitura e outra. De acordo com a RGE, o período de faturamento pode variar de 27 a 33 dias, com média de aproximadamente 30 dias.

– Eventualmente, alguns clientes podem ser faturados com 32 ou 33 dias. Só essa diferença de dias implica em torno de 10% no consumo do cliente naquele período – explicou o gerente.

Inverno aumenta consumo

Além dos custos previstos na tarifa e das características do ciclo de faturamento, a concessionária relaciona parte do aumento à mudança no comportamento dos consumidores durante o inverno. Com as temperaturas mais baixas, equipamentos como chuveiros elétricos, aquecedores, secadoras de roupas e torneiras elétricas passam a ser utilizados com maior frequência ou por períodos mais longos.

– A mudança no hábito de consumo e o uso de equipamentos elétricos, como chuveiro, aquecedor, secadoras e torneiras elétricas, fazem com que o cliente perceba um consumo maior no período de dias mais frios – afirmou.

Durante a entrevista, Calvo também apresentou exemplos de como o uso de alguns equipamentos elétricos pode impactar a conta de energia durante o inverno. Segundo os cálculos apresentados pelo gerente, uma família de três pessoas, com cada integrante tomando um banho de 10 minutos por dia, pode ter um custo de aproximadamente R$ 130 a R$ 135 por mês somente com o chuveiro elétrico. O aquecedor elétrico também pode representar um impacto significativo. Um aparelho utilizado durante três horas por dia pode acrescentar cerca de R$ 215 à conta mensal, conforme a estimativa apresentada pela concessionária.

Além desses equipamentos, a RGE aponta o uso mais frequente de secadoras de roupas, principalmente pela dificuldade de secagem natural em dias úmidos, e de torneiras elétricas como fatores que também contribuem para o aumento do consumo de energia. A expectativa da RGE é que, com temperaturas mais amenas ao longo de agosto, o consumo volte gradualmente aos níveis habituais de parte dos consumidores.

Menor geração de energia solar

Os consumidores que possuem sistemas de geração de energia solar também podem ter percebido mudanças no valor das faturas. Segundo a RGE, aproximadamente 15% dos clientes utilizam algum tipo de geração de energia solar. Entre junho e julho deste ano, a concessionária registrou uma redução de 18% na quantidade de energia injetada na rede.

A empresa relaciona a queda à menor incidência de sol durante o inverno. Com uma produção menor pelas placas solares, o consumidor também acumula menos créditos para compensar o consumo.

– Em razão da menor incidência solar, o cliente tem menos crédito. Isso gera a percepção de um aumento na conta, quando, na verdade, ele está tendo uma capacidade menor de geração – explicou Calvo.

RGE descarta erro nas leituras

Diante do aumento das contas, consumidores também questionaram a possibilidade de erros na leitura dos medidores ou no faturamento. Segundo o gerente da RGE, a concessionária não identificou problemas nesse processo. Ele afirma que existem pelo menos sete pontos de checagem antes que a conta seja enviada ao consumidor.

– Nós temos um processo de faturamento muito robusto. Temos pelo menos sete pontos de checagem do faturamento, da leitura, dos insumos dos clientes até que a conta chegue efetivamente na mão dele. Nós não observamos nenhum problema nesse sentido – afirmou.

A orientação para quem tem dúvidas é conferir as informações disponíveis na própria fatura. O documento apresenta o histórico de consumo, o período considerado para o faturamento e, no caso de consumidores com geração solar, os créditos utilizados e os que permanecem disponíveis.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Caso as dúvidas continuem, a RGE orienta que o consumidor procure os canais de atendimento da concessionária, como as plataformas digitais, a central telefônica ou as agências físicas.

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