“Todo mundo se preocupava que ele podia cair”, diz testemunha sobre queda de menino do quarto andar de prédio em Santa Maria

“Todo mundo se preocupava que ele podia cair”, diz testemunha sobre queda de menino do quarto andar de prédio em Santa Maria

Foto: Vitória Sarturi

Toldo onde a criança caiu e teve o impacto amortecido antes de atingir o solo

A queda de um menino de 10 anos do quarto andar de um prédio no Bairro Nossa Senhora das Dores, na tarde de quarta-feira (21), já era alvo de alertas por parte de moradores e comerciantes do entorno. A criança, que estaria brincando no terraço acompanhada do irmão, de 14 anos, caiu sobre o toldo de um prédio vizinho – estrutura que rasgou com o impacto e amorteceu a queda antes dele atingir o solo.


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Na manhã desta quinta-feira (22), a reportagem do Diário esteve no local. Entre o edifício onde a família residia e o prédio ao lado, a estrutura do toldo rasgado evidencia a trajetória do impacto. Segundo relatos de testemunhas, a presença frequente da criança na área superior do edifício já chamava a atenção da vizinhança há algum tempo. Embora não haja confirmação oficial sobre a distância exata, estima-se que a queda tenha ocorrido de uma altura de aproximadamente 10 metros.

– Os vizinhos todos comentavam que já tinham alertado ela sobre o perigo de ele brincar ali em volta, que ele poderia vir a cair ou acontecer um acidente. Realmente, foi o que aconteceu. Todo mundo se preocupava que ele podia cair lá de cima – relata uma testemunha que preferiu não se identificar. 


“Tentamos prestar socorro, só que a mãe não queria que prestasse”

Após ouvirem o estrondo provocado pela queda no toldo, trabalhadores de estabelecimentos próximos foram ao local para verificar o ocorrido e tentar prestar os primeiros socorros. 

Em entrevista ao Diário, a testemunha afirmou ter visto a criança no chão logo após o impacto. Nas palavras da entrevistada, o menino estava com “o nariz sangrando e a perna balançando”. Já a mãe estava “pálida e numa tremedeira”. Conforme o relato, comerciantes e pedestres orientaram a mãe a não tocar no menino até a chegada do socorro especializado. No entanto, ela pegou a criança no colo e desceu as escadas, demonstrando resistência à presença das equipes de emergência e das forças de segurança. 

– Quando eu comecei a ligar pro Samu, a mãe desceu do outro apartamento e disse que não era pra chamar o Samu nem a polícia, porque ela ia prestar o socorro pra criança. O meu colega ficou esperando pra ver se ela ia realmente chamar o Samu. Como ela não chamou, ele chamou. Tentamos prestar socorro, só que a mãe não queria que prestasse – acrescenta a testemunha.

Com a chegada do Samu, a Brigada Militar precisou ser acionada para garantir o ingresso das equipes de resgate e viabilizar o atendimento médico.


Transferência hospitalar e situação da família

O menino recebeu o atendimento inicial e foi encaminhado ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). No entanto, conforme confirmado pela titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a delegada Luísa Souza, a criança foi transferida para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, devido à indisponibilidade de atendimento neurológico em Santa Maria na noite de quarta. O quadro de saúde do menino é considerado estável, e ele está acompanhado pelo pai e por irmãos maiores de idade. O adolescente que estava com a vítima no momento da queda não se feriu. 

Na área interna do edifício nesta quinta, havia sinais de arrombamento na porta do apartamento que seria ocupado pela família. A porta estava trancada, e era possível ouvir apenas latidos de um cachorro no interior do imóvel. Uma moradora que se mudou recentemente para o local relatou que percebia a movimentação frequente da criança correndo pelos corredores do prédio, mas ressaltou que nunca esteve no terraço e por isso não sabe como é a estrutura – espaço ao qual a equipe do Diário também não teve acesso.


Prisão por tráfico de drogas e investigações

Cinco porções de maconha, cinco comprimidos de MDMA, uma balança de precisão e três celulares foram apreendidos pela Brigada Militar durante o atendimento à ocorrência envolvendo a queda de um menino de 10 anos, em Santa MariaFoto: Brigada Militar (Divulgação)

Enquanto o Samu prestava socorro na área externa, os policiais militares precisaram arrombar a porta do apartamento para averiguar o local e dar suporte à ocorrência. No interior do imóvel, as guarnições localizaram porções de entorpecentes, uma balança de precisão e aparelhos celulares.

​A mãe do menino, de 41 anos, e o companheiro dela, de 28, foram presos em flagrante por suspeita de tráfico de drogas.​

O caso terá desdobramentos em duas frentes de investigação na Polícia Civil: a DPCA instaurará inquérito policial para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades relativas à queda da criança, enquanto a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) conduzirá as apurações relacionadas ao crime de tráfico de drogas.

POR

Vitória Sarturi

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