Foto: Divulgação / Polícia Federal
A servidora do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de irregularidades em um contrato foi afastada cautelarmente por 120 dias e exonerada do cargo de Direção de Orçamento, Administração e Finanças. No entanto, a mulher retomou as atividades no campus de origem, em São Vicente do Sul, enquanto o inquérito não é concluído.
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As informações foram repassadas pela assessoria de comunicação do IFFar após a deflagração da Operação Alquimia, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude em um contrato de manutenção predial da instituição. Na quarta-feira (21), foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Santa Maria.
Conforme a assessoria, o contrato com a empresa investigada foi rescindido unilateralmente pelo instituto. Uma nova licitação já foi realizada, e as obras estão em andamento.
O que é investigado
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a empresa, com possível participação da servidora, cobrava por serviços que não haviam sido executados e utilizava recursos do contrato para custear bens, serviços e projetos que não faziam parte do objeto contratado.
A investigação aponta que medições e notas fiscais apresentavam serviços diferentes daqueles efetivamente realizados. Itens não previstos na tabela contratual teriam sido registrados como se correspondessem a serviços contratados, com acréscimo de 35% sobre os valores orçados, sem a prestação dos serviços correspondentes. Também há indícios de repetição de itens em diferentes notas fiscais.

De acordo com a PF, a servidora era responsável por solicitar os serviços, orientar a forma de faturamento e atestar a execução. Já o administrador de fato da empresa conduzia as negociações e a emissão das notas fiscais.
As possíveis irregularidades foram identificadas pelo próprio IFFar no início de 2026. A instituição suspendeu os pagamentos à empresa, instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta funcional da servidora e um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) para analisar a execução dos contratos. O instituto também comunicou os fatos à Polícia Federal e informou que colaborou com as investigações.
O prejuízo aos cofres públicos ainda está sendo calculado. Os investigados poderão responder pelo crime de fraude em contrato, e a investigação busca esclarecer as circunstâncias das irregularidades e dimensionar os valores envolvidos.
O que diz o IFFar
Em nota, o Instituto Federal Farroupilha (IFFar) se manifestou sobre o caso. Confira a íntegra do posicionamento:
"O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFar) vem a público prestar esclarecimentos à comunidade acadêmica e à sociedade sobre os desdobramentos de investigação conduzida pela Polícia Federal que envolve a instituição.
A investigação trata da execução de contratos de empresa que presta serviços para o IFFar e com possível envolvimento de uma servidora. As possíveis irregularidades foram identificadas no início do ano corrente, a partir dos mecanismos internos de acompanhamento, controle e fiscalização do próprio IFFar. Diante dos indícios constatados, a instituição adotou imediatamente as providências administrativas e legais cabíveis, o que incluiu a suspensão cautelar do uso de serviços dos contratos com a empresa envolvida e, posteriormente, a execução das rescisões contratuais.
Além das medidas adotadas no âmbito dos contratos, foram instaurados Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta funcional, com medida cautelar de afastamento da servidora das atividades que desempenhava, bem como Processo Administrativo de Responsabilização (PAR), para análise da execução dos contratos.
Desde o início das apurações, o IFFar tem atuado em total cooperação com os órgãos de controle e com a Polícia Federal, fornecendo todas as informações e documentos solicitados em atenção ao completo esclarecimento dos fatos.
Por fim, o IFFar reafirma seu compromisso intransigente com a probidade administrativa, a transparência e a ética no serviço público, destacando que todos os procedimentos continuam tramitando com o rigor exigido pela lei, com a devida observância ao direito à ampla defesa e ao contraditório."