Foto: Pedro Piegas (Diário/Arquivo)
Nídia Heringer afirmou que os afastamentos ocorreram em maio e que ambos já retomaram as atividades. Instituto investiga possíveis irregularidades desde fevereiro e ainda calcula eventual prejuízo aos cofres públicos.
Dois servidores do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) foram afastados cautelarmente durante a apuração de suspeitas de irregularidades em um contrato de manutenção predial da instituição. Os afastamentos ocorreram em maio deste ano, e ambos já retornaram às atividades. A informação foi confirmada pela reitora Nídia Heringer, em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, nesta quinta-feira (22).
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Segundo a reitora, um dos servidores não voltou a exercer as funções no setor em que trabalhava anteriormente. Ela não detalhou a identidade dos envolvidos, devido ao sigilo dos procedimentos administrativos.
Na quarta (21), a Polícia Federal deflagrou a Operação Alquimia, que investiga suspeitas de fraude na execução de um contrato entre o IFFar e uma empresa privada. Durante a ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Santa Maria. Ninguém foi preso.
A investigação policial apura possíveis cobranças por serviços não executados, registros repetidos em notas fiscais e acréscimos indevidos em valores relacionados ao contrato.
IFFar identificou indícios em fevereiro e servidores foram afastados em maio
Durante a entrevista, Nídia explicou que as suspeitas começaram a ser analisadas internamente em fevereiro de 2026. Conforme a reitora, sua primeira reunião para tratar do assunto ocorreu na primeira semana daquele mês.
Desde então, o instituto conduz duas apurações administrativas distintas. A primeira é o Processo de Apuração de Responsabilidade (PAR), que investiga possíveis irregularidades na execução do contrato com a empresa de manutenção predial. A análise é realizada por uma comissão específica e abrange documentos desde a licitação até as notas fiscais, os registros dos serviços executados e a identificação de eventual prejuízo financeiro. A empresa também tem direito de apresentar sua defesa.
A segunda apuração examina a conduta dos servidores envolvidos nas etapas administrativas do contrato, como solicitação, fiscalização, conferência e aprovação dos serviços. O procedimento inclui a análise de possíveis responsabilidades individuais e a coleta de depoimentos dos profissionais envolvidos.
— A instituição pública tem um conjunto de trâmites que envolvem a necessidade de segregação. Quem recebe não pode ser o mesmo que paga, então tem todo um processo interno — explicou Nídia.
Além disso, a reitora esclareceu que os afastamentos não foram determinados após a operação policial desta semana. As medidas foram adotadas em maio, de forma cautelar, durante a investigação administrativa conduzida pelo próprio instituto.
— Os servidores não estão mais afastados, já retornaram. Todos retomaram suas atividades, e um desses servidores não está mais atuando no espaço em que trabalhava quando iniciamos essa apuração — afirmou.
Em relação à empresa investigada, a reitora explicou que o contrato sob apuração era destinado à manutenção predial da reitoria do IFFar, e não abrangia todos os campi da instituição.
Ela também relatou que, após a identificação dos indícios, procurou o Ministério Público e a Polícia Federal para comunicar as apurações internas. Segundo ela, a partir desses encaminhamentos, os órgãos passaram a atuar de forma independente, enquanto o IFFar manteve seus próprios procedimentos administrativos.
A reitora disse ainda que a instituição não foi informada previamente sobre a operação realizada pela Polícia Federal na última quarta.

Possível prejuízo ainda está sendo calculado
Um dos pontos investigados é a suspeita de que a empresa tenha cobrado do IFFar por serviços de manutenção que não teriam sido realizados. Questionada sobre essa possibilidade, Nídia confirmou que a cobrança por serviços não executados é um dos elementos analisados. Ela ressaltou, porém, que ainda não é possível informar o valor de eventual prejuízo financeiro.
— Temos a apuração do prejuízo em andamento. Não consigo dizer exatamente os valores ainda — declarou.
Ao final da entrevista, Nídia reiterou que o instituto permanece à disposição dos órgãos responsáveis pela investigação.