Foto: Polícia Civil (Divulgação)
O tio de uma menina de 4 anos, que morreu na madrugada de segunda-feira (17), foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (20), em Porto Alegre. O homem, de 22 anos, é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito da morte da criança, que chegou sem vida a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Zona Leste da Capital.
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De acordo com informações do Portal G1, o atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. Conforme a investigação, a menina morava com os tios havia pelo menos dois meses. Foram eles que levaram a criança até a UPA Bom Jesus no dia da morte. Quando a polícia chegou ao local, porém, o tio havia fugido.
A menina deu entrada na unidade de saúde já sem vida e apresentava manchas roxas pelo corpo. A polícia foi acionada imediatamente após os médicos identificarem sinais de violência.
Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, a tia contou que percebeu lesões no corpo da criança no dia da morte. Ela teria chegado em casa após o trabalho e discutido com o companheiro depois de questioná-lo sobre os ferimentos.
A tia já prestou depoimento aos investigadores. Conforme a delegada, ela colaborou com a apuração e, até o momento, é considerada testemunha.
Mãe foi ouvida pela polícia
A mãe da menina foi ouvida pela primeira vez pela polícia na manhã de quarta-feira (19). A mulher compareceu à delegacia acompanhada de uma advogada e prestou depoimento por cerca de uma hora.
Durante o interrogatório, os investigadores questionaram por que a criança não estava sob os cuidados da mãe, que possuía a guarda unilateral. A mulher afirmou que não via a filha havia pelo menos dois meses e que não mantinha contato com ela, nem mesmo por videochamada.
Segundo a delegada, a mãe relatou que havia se separado do companheiro e passado a morar na casa de uma amiga. Como não teria condições de levar as duas filhas consigo, a menina mais velha passou a morar com o pai, enquanto a mais nova ficou inicialmente sob os cuidados de uma amiga da família.
Pouco tempo depois, a tia levou a criança para morar com ela.
A Justiça autorizou a extração de dados de um celular apreendido na residência dos tios, onde a menina morava. O conteúdo do aparelho é considerado importante para que os investigadores possam compreender as circunstâncias que antecederam a morte.
Menina e irmã eram acompanhadas pelo Conselho Tutelar
A menina e a irmã, de 9 anos, passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar em abril de 2025, após denúncias de abuso sexual envolvendo o pai da criança e a meia-irmã.
Na época, as duas foram encaminhadas para a casa dos avós maternos. Em outubro de 2025, a guarda da menina de 4 anos voltou para a mãe.
Em julho deste ano, a tia comunicou ao Conselho Tutelar que a criança estaria sem os cuidados adequados por parte da mãe. Ela recebeu um termo de responsabilidade e buscava obter judicialmente a guarda definitiva da sobrinha.
Poucos dias antes da morte, a tia havia procurado a Defensoria Pública para tratar do pedido de guarda.
Avós relataram ferimentos
Os avós maternos da menina foram ouvidos pela polícia na segunda-feira (17). Segundo os depoimentos, a criança apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais.
Na ocasião, conforme os relatos, os familiares receberam a informação de que as lesões teriam sido provocadas por uma queda. Os depoimentos passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.
O que diz a defesa da mãe
Em nota assinada pela advogada Lesliey Gonsales Gressler, a família afirmou que a mãe compareceu à polícia para prestar esclarecimentos e permanece colaborando com a investigação.
A defesa também esclareceu que a mãe não foi presa, apesar de informações divulgadas anteriormente por alguns meios de comunicação.
Por causa do segredo de Justiça, a advogada afirmou que não poderia detalhar as circunstâncias relacionadas à guarda das crianças. Segundo a nota, porém, a mãe teve a guarda das filhas retirada em duas ocasiões: a primeira, há aproximadamente um ano, e a segunda, cerca de dois meses antes da morte da menina, quando a criança passou a morar com a tia.
Ainda conforme a defesa, a mãe afirma que vinha sendo impedida pelos tios de visitar a filha e de conversar com ela por telefone. As informações sobre a menina eram obtidas por meio da irmã mais velha, que eventualmente conseguia visitá-la. Nas duas semanas anteriores à morte, segundo a família, nem mesmo esse contato teria sido permitido.
A família afirmou estar consternada com a morte da criança e disse que pretende adotar as medidas necessárias para esclarecer os fatos e buscar a responsabilização dos envolvidos perante a Justiça.
A defesa também informou que, por respeito à criança e em razão do segredo de Justiça, não divulgará outras informações que possam expô-la ou prejudicar as investigações.