Janeiro Branco: procura por atendimentos em saúde mental cresce no mundo; psiquiatra orienta como agir em crises

Janeiro Branco: procura por atendimentos em saúde mental cresce no mundo; psiquiatra orienta como agir em crises

Foto: Nathália Schneider (Arquivo Diário)

O médico ressaltou que identificar corretamente o tipo de ocorrência é um desafio para a população

Janeiro é o mês de conscientização sobre saúde mental e emocional. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, sendo a ansiedade e depressão os tipos de maior incidência. 

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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5), nesta sexta-feira (16), o psiquiatra Maurício Hoffmann falou sobre o tema, alertando para o aumento de atendimentos de emergência relacionados a crises emocionais e comportamentais no mundo. O debate ganhou força após a morte do cabeleireiro Paulo José Chaves dos Santos, 35 anos, durante uma abordagem da Brigada Militar em Santa Maria, na manhã de terça-feira (13). Ele estaria em estado de surto psicótico na ocasião. 

Cresce a procura por atendimentos

Sem comentar o caso específico ocorrido em Santa Maria, Hoffmann explicou que há indícios de crescimento no número de atendimentos relacionados à saúde mental, embora os dados nacionais ainda sejam limitados.

– Nós temos algumas informações, não muitas brasileiras, mais de fora do país, que mostram que realmente tem aumentado nos últimos anos, em todas as idades, a procura por atendimentos relacionados a problemas emocionais e comportamentais – afirmou.

Segundo o psiquiatra, também houve uma mudança na forma como esses episódios são interpretados pela sociedade:

– Talvez identificar como uma questão mental, identificar como um chamado surto, seja uma coisa mais recente. Antes, isso era encarado simplesmente como uma questão civil ou policial.


Como agir diante de uma crise

Hoffmann destacou que conflitos familiares e situações de discussão intensa podem, em determinados contextos, ser entendidos como emergências de saúde:

– Podemos pensar em algumas dessas situações como um caso de saúde. Uma briga familiar, uma discussão que fica mais acalorada, às vezes com uso de substância, pode ser uma situação para chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ou outra instância ligada à saúde.

Ou seja, em situações distintas daquelas que envolvem ameaça direta ao patrimônio ou à vida de outras pessoas – como em casos de assalto –, a ocorrência pode ser compreendida mais como uma questão de saúde do que policial.

O médico ressaltou ainda que identificar corretamente o tipo de ocorrência é um desafio para a população.

–É muito complicado identificar essas questões. Às vezes acabamos chamando alguém que não vai conseguir ajudar naquela situação – pontuou.


Técnicas para manejo sem uso de força

O psiquiatra explicou que equipes de saúde mental utilizam técnicas específicas para lidar com pessoas em crise, conhecidas como desescalonamento verbal e manejo comportamental.

– Existem técnicas não medicamentosas. São como vários ingredientes. Ficamos de frente para o sujeito, ele precisa ver as nossas mãos, ter mais gente da equipe por perto, perguntar o que está acontecendo e deixar a pessoa falar. Quanto mais ela fala, mais vai liberando a pressão – relatou.

Essas estratégias são utilizadas em situações reconhecidas como agitação psicomotora, caracterizadas por inquietação, fala excessiva e comportamento agressivo. 


Estigma e fatores sociais

Hoffmann também fez questão de falar da importância de afastar a associação automática entre transtorno mental e violência.

– A maioria dessas situações é de pessoas que não têm transtorno mental nenhum. As pessoas com transtorno mental geralmente sofrem violência. Elas não praticam violência – afirmou.

O psiquiatra apontou ainda fatores sociais como parte do contexto que contribui para o aumento de crises emocionais:

– Hoje, especialmente homens jovens estão mais propensos a esse tipo de situação por uma série de pressões: econômica, de trabalho, de falta de oportunidades. 


Veja onde buscar acolhimento

Santa Maria conta com uma rede de serviços públicos voltados ao atendimento em saúde mental, que oferecem acolhimento para diferentes situações, desde crises até acompanhamento contínuo. Confira onde buscar ajuda:


Santa Maria Acolhe – Equipe Ament Tipo III

Atende, por demanda espontânea, pessoas a partir de 12 anos que estejam vivenciando crise emocional aguda, relacionada a situações de trauma, luto, covid ou contexto suicida, que inclui ideação, tentativa ou pensamento.

  • Endereço: Rua Conrado Hoffman, 277
  • Telefone: (55) 3174-1582
  • Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h​


Policlínica de Saúde Mental

Oferece atendimento ambulatorial em saúde mental, com acompanhamento e encaminhamentos conforme cada caso.

  • Endereço: Rua dos Andradas, 1.397, Centro
  • Telefone: (55) 3174-1594
  • Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h
  • E-mail[email protected]


Ambulatório Transcender

Serviço de referência para a população LGBTTQI+, com acolhimento, acompanhamento e encaminhamentos no âmbito individual, familiar, social e comunitário.

  • Endereço: Rua dos Andradas, 1.397, Centro
  • Telefone: (55) 3174-1594
  • Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h
  • E-mail[email protected]


Policlínica José Erasmo Crosseti (Psicologia)

Atende demanda de atendimento psicológico mediante encaminhamento pelo Setor de Regulação da Saúde Municipal.

  • Endereço: Rua Floriano Peixoto, 1.752, Centro
  • Telefone: (55) 3174-1593
  • Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30


Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)

Os CAPS oferecem atendimento especializado conforme o perfil do usuário.


CAPS II Prado Veppo 

  • Atende pessoas com transtornos mentais graves e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
  • Endereço: Avenida Fernando Ferrari, 1.684


CAPS Ad II Caminhos do Sol 

  • Atende pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
  • Endereço: Rua Euclides da Cunha, 1.695


CAPS Ad II Cia do Recomeço 

  • Atende pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
  • Endereço: Rua General Neto, 579


CAPS Infantojuvenil – O Equilibrista 

  • Atende crianças e adolescentes com transtornos mentais e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
  • Endereço: Rua Conrado Hoffmann, 100


Confira a entrevista completa


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