Mãe e irmão de cabeleireiro morto em abordagem da Brigada depõem em Santa Maria

Autor: Mateus Ferreira e Vitor Zuccolo

Mãe e irmão de cabeleireiro morto em abordagem da Brigada depõem em Santa Maria

Foto: Mateus Ferreira

Familiares estiveram acompanhados da advogada

Rosane Terezinha Rossatto, 66 anos, e Thomas Leonardo Chaves, 25, mãe e irmão do cabeleireiro Paulo José Chaves dos Santos, 35, morto na última terça-feira (13) após ser baleado durante uma ocorrência atendida pela Brigada Militar em Santa Maria, prestaram depoimento na manhã desta quinta-feira (15). Acompanhados pela advogada Camila Cassiano Dias, eles foram ouvidos no inquérito que investiga a morte após um chamado feito pela própria família.

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Conforme registro do fato, a Brigada Militar foi acionada para atender uma ocorrência de violência doméstica, na manhã de terça-feira. Ao chegar no endereço, em uma viatura, dois policiais encontraram Santos em surto. 

Imagem de câmera de segurança mostra PM na calçada com arma em punho apontando para Paulo José dos Santos (no círculo vermelho). A viatura está parado ao lado Foto: Reprodução

Um vídeo obtido pela reportagem do Bei mostra Santos caminhar e parar ao lado da viatura da Brigada, um automóvel Toyota Corolla. Ele parece falar com os policiais, que ficam dentro do veículo. Em determinado momento, o PM que estava no lado do carona abre a porta, aponta a arma e atira contra o cabeleireiro. A vítima ainda caminha em direção ao policial, que corre até a calçada e, pelo que as imagens revelam, atira novamente. Segundo a Polícia Civil, Santos teria sido atingido por três disparos, um dos quais no peito. Ele morreu no local. 

Após o fato, a Brigada Militar instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da ocorrência. A Polícia Civil também acompanha o caso. Os procedimentos buscam esclarecer a dinâmica do atendimento e a conduta adotada pelos policiais envolvidos.

Ao chegar para prestar depoimento, o irmão da vítima, Thomas Chaves, afirmou que presenciou a ação. Segundo ele, o disparo ocorreu diante da família. Thomas relatou que espera responsabilização pelo ocorrido e disse que o episódio agravou sua própria condição de saúde mental.

Thomaz comentou que atualmente está fazendo uso de medicamentosFoto: Mateus Ferreira


— Eu vi tudo, foi na minha frente. Eu vi o que o policial fez, eu vi o meu irmão caindo — afirmou.

 Ainda de acordo com Thomas, a família segue. Ele disse que faz uso de medicação psiquiátrica e que precisou ajustar a dosagem após o episódio.

Eu ainda estou incrédulo. Tenho problemas psiquiátricos e tomo medicação. Está sendo complicado. Não estou conseguindo dormir direito. A família, os amigos, todo mundo está abalado — relatou.

A mãe de Paulo José, Rosane Terezinha Rossatto Chaves, também prestou depoimento. Ao falar com exclusividade à reportagem, ela disse que busca esclarecimentos e responsabilização pelo ocorrido.

Rosane lamenta o ocrrido e pede por justiçaFoto: Mateus Ferreira

— Eu estou mal. Eu quero justiça. Não quero ver outras mães passando pelo que eu estou passando — afirmou.

 
Rosane disse que tem enfrentado dificuldades desde a morte do filho e relatou impacto direto na rotina.

 
— Muito mal. Não tenho dormido, estou à base de medicamentos. Eu não sei mais o que fazer sem o meu filho — disse.

 
Enquanto acompanhava os familiares, a advogada da família optou por não se manifestar.

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