Foto: Vinicius Becker
O caso do cabeleireiro Paulo José Chaves dos Santos, 35 anos, morto a tiros no começo da manhã de terça-feira (13) reacendeu o debate entorno das abordagens por parte da Brigada Militar. De acordo com informações, o homem teve uma desavença com familiares ao longo da noite anterior e da madrugada.
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A Brigada Militar foi acionada até o endereço e, ao chegar no local informado, Santos teria investido contra os policiais, que atiraram contra ele. Familiares relatam que a vítima sofria de esquizofrenia e estaria em surto no momento da abordagem.
Em 2025, um caso semelhante aconteceu em Porto Alegre. Herick Cristian da Silva Vargas, 29 anos, foi morto a tiros pela Brigada Militar após familiares terem acionado o policiamento para conter o homem, que passava por uma crise.
O debate sobre novos protocolos de atendimentos em casos de surto estão sendo estudados e devem entrar em vigor até o final de janeiro, informou, em entrevista nesta quarta-feira (14) à Rádio Gaúcha, o secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Mario Ikeda. Sobre o caso de Santa Maria, Ikeda comentou que as investigações estão sendo realizadas.
- As investigações estão sendo feitas, então precisamos de tempo para entender todas as providências que estão sendo tomadas - disse.
Durante a entrevista, a reportagem abordou o tema em que os familiares acionam as forças de segurança para que não aconteçam situações de morte, mas isso não tem acontecido, devido a abordagens mais truculentas. Para Ikeda, essas situações tem devem acontecer cada vez menos.
- Com certeza o policial, assim como a família, não deseja que situações como essas aconteçam. No ano passado, tivemos uma média de 12 atendimentos diários relacionados ao tema - comentou.
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Em 2024, a Brigada Militar realizou 2.764 atendimentos a pessoas em surto. em 2025, foram 4.207 ocorrências. Neste início de 2026, 249 atendimentos já foram realizados, uma média de 19 ocorrências por dia.
Sobre o caso de Paulo José dos Santos, o secretário Ikeda confirma a informação de que o chamado pela Brigada Militar foi para a realização de uma ocorrência de violência doméstica, o que teria levado os brigadianos a terem uma percepção diferente antes de chegar ao local.
- Eles têm toda uma análise da situação. O risco que estão correndo, a possível ameaça que está correndo, mas o desfecho que tivemos é uma defesa do policial para a situação naquele momento, pois ele não tem muito tempo nesse tipo de caso. As imagens são fortes, mas cada pessoa tem sua percepção sobre elas - explicou.
O secretário não detalhou se considera que a abordagem da última terça foi feita de maneira incorreta ou não, mas realizou um paralelo com o acontecimento de 2025, em Porto Alegre, onde o encarregado do inquérito e o Ministério Público entenderam que não houve crime, mas o Judiciário solicitou nova interpretação ao MP.
- Cada caso é um caso. No de Porto Alegre, foi entendido que houve legítima defesa. Embora a legislação seja objetiva, carece de uma interpretação, pois cada pessoa entende de forma diferente - comparou.

A criação de um protocolo está sendo estudada em conjunto com a Secretaria de Saúde do Estado, a Brigada Militar e oCorpo de Bombeiros. No regulamento, que está previsto para o final deste mês, a ideia é ter uma padronização no atendimento e abordagem a casos, onde o familiar realiza a ligação e passa por uma série de perguntas, o que facilitaria a compreensão da ocorrência.
- Com esses questionários, iria se compreender o risco do caso. Se for uma risco baixo, de não ter risco para as pessoas, por exemplo, poderia ser realizado somente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Mas são questões onde estamos buscando um consenso para, aí sim, buscar a divulgação do trabalho - disse.
Ainda sobre protocolos, Ikeda comentou sobre o uso de arma de fogo por parte da Brigada Militar em situações de risco. De acordo com o secretário, caso o policial se sinta ameaçado, pode atirar contra a pessoa.
- O protocolo permite que o policial atire contra a pessoa que oferece risco contra ele, e não há um local específico para se dar o primeiro disparo. Sempre que a vida do policial ou da pessoa que ele estiver protegendo estiver em risco, ele pode atirar. Acabando o risco, ele deve parar os disparos - finalizou.
A partir de fevereiro, o novo protocolo deve entrar em vigor por parte dos órgãos responsáveis.