2025 registra queda de 45% no número de homicídios em comparação com 2024

Autor: Mateus Ferreira e Vitor Zuccolo

2025 registra queda de 45% no número de homicídios em comparação com 2024

Foto: Vinicius Machado (Arquivo Diário)

Ações conjunta entre Brigada Militar e Polícia Civil foi um dos motivos para a diminuição de casos em Santa Maria

Santa Maria registrou, em 2025, uma redução significativa no número de homicídios. Ao longo do ano, foram contabilizados 36 casos, o que representa uma queda de 45,45% em comparação com 2024, quando ocorreram 66 homicídios. O índice também é inferior ao registrado em 2023, ano que fechou com 55 mortes violentas.

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A variação dos dados evidencia uma tendência de queda após um período de alta. Entre 2023 e 2024, houve aumento de 16,36% nos homicídios, passando de 55 para 66 casos. Já em 2025, o número recuou para 36 ocorrências, consolidando a maior redução da série recente e o menor total desde a criação da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), em 2016.

Apesar da redução anual, o início de 2025 foi marcado por violência. O primeiro dia do ano teve dois homicídios registrados em menos de uma hora. Um dos casos ocorreu no bairro Passo das Tropas, onde Fábio Ferreira Rodrigues foi encontrado morto com um disparo no peito, ao lado de uma distribuidora de bebidas. Com ele, a Brigada Militar localizou porções de cocaína e dinheiro. Quase simultaneamente, outro homem, identificado como Paulo Roberto Gomes dos Santos, foi executado com ao menos 11 disparos nos bairros Juscelino Kubitschek, na região oeste. Também foram encontradas drogas com a vítima.

Já em 2026, até o momento, foi registrado um homicídio. O crime ocorreu na madrugada de domingo, dia 4 de janeiro, e vitimou Leonardo Detetive de Assis Taborda, de 30 anos, morto com um disparo no rosto.

Os responsáveis pelas forças de segurança atribuem à redução dos homicídios em 2025, principalmente, à atuação integrada entre Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, além do uso de inteligência policial, operações contínuas e da retirada de lideranças criminosas da cidade.

O comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), tenente-coronel Marcus Giovani Mello da Silva, afirmou que os resultados são consequência da integração entre os órgãos e do uso sistemático da análise criminal.

- Nos últimos anos, tivemos uma conjugação de esforços considerável. Hoje, as ações são baseadas em análise criminal a partir de dados de inteligência, o que facilita o planejamento e a execução das operações - explicou.

Tenente-coronel Marcus Giovani atribui os números a base de dados avançada das equipesFoto: Rafael Menezes (Arquivo Diário)

Segundo o comandante, o aumento dos homicídios em 2024 levou à reavaliação das estratégias.

- A partir da análise dos dados, conseguimos identificar os locais mais vulneráveis, o perfil das vítimas e dos autores e direcionar os recursos de forma mais racional - disse. O comandante destacou que as regiões norte e oeste receberam atenção especial, por apresentarem maior vulnerabilidade social e histórico de conflitos.


Mello também ressaltou o uso da tecnologia pelas forças de segurança o que auxilia na diminuição dos números criminais.

- Utilizamos o monitoramento por câmeras por meio do CISP, integrando essas informações com o trabalho da Polícia Civil e da Polícia Penal, o que permitiu um emprego policial mais pontual - afirmou.

De acordo com o comandante, cerca de 70% das vítimas de homicídio tinham envolvimento com o tráfico de drogas e aproximadamente 90% possuíam antecedentes policiais, dados que auxiliaram no direcionamento das ações preventivas e repressivas.

O delegado regional de Polícia, Sandro Meinerz, destacou que a redução dos homicídios é resultado de um trabalho contínuo de investigação e repressão ao crime organizado.

- Depois de anos com indicadores elevados, conseguimos fechar o ano com uma redução de aproximadamente 45% em comparação com o ano anterior - afirmou.

Segundo Meinerz, o enfraquecimento das organizações criminosas foi decisivo com a realização de operações e a transferência de lideres de facções para outros presídios do estado, mantendo eles longe da região central.

- Esse indicador é fruto do trabalho da Polícia Civil, especialmente da Delegacia de Homicídios, mas também das delegacias que atuam no combate ao tráfico de drogas, que é uma das principais fontes de financiamento dos grupos criminosos - explicou. Ele destacou ainda que, em 2024, houve 100% de elucidação dos homicídios e que, em 2025, a taxa ficou em torno de 95%.

Delegado regional Sandro Meinerz destacou a redução em 45% nos casosFoto: Mateus Ferreira

O delegado também apontou como fator determinante a retirada de lideranças criminosas da cidade.

- Em janeiro, essas lideranças foram transferidas para outras casas prisionais do Estado, o que interrompeu canais de comunicação e reduziu a capacidade de articulação dos grupos - disse. Esses presos foram incluídos no programa estadual de dissuasão focada, que estabelece ações diretas do Estado para conter a continuidade da violência.

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O delegado titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Santa Maria, Adriano de Rossi, apresentou dados sobre a atuação da unidade.

- A Delegacia de Homicídios investigou 33 homicídios. Desses, 32 foram elucidados e 31 já tiveram encaminhamento ao Poder Judiciário - afirmou.

A equipe do Diário mapeou os dados relacionados aos homicídios na cidade, a visualização abaixo mostra os informações de acordo com os meses, bairros, sexo e idade das vitimas.

Meses

Todos os meses de 2025 registraram casos de homicídios. A primeira madrugada do ano acabou sendo um dos fatores para que o mês de janeiro fosse o com o maior número de casos (7), seguido de fevereiro e março (5 cada). Abril, setembro e dezembro foram os meses com o menor índice nos registros (1 cada). Confira abaixo 

Bairros

Entre os bairros, o que teve maior número de homicídios registrados foi o da Nova Santa Marta (8), seguido do Passo D’Areia (7), Juscelino Kubitschek e Salgado Filho (3 em cada). Ainda no mapeamento, é possível notar a presença de outros 10 bairros. Apenas dois casos foram registrados e não houve a identificação da localidade do fato. 

A Zona Oeste teve um alto número de casos (21) relacionados às outras seis zonas que aparecem nos registros: sul (4), norte (4), centro oeste (2), leste, centro, noroeste (1 cada). os não detalhados aparecem novamente (2).


Sexo

A maior parte das ocorrências estão vinculadas a homens (33) enquanto as mulheres aparecem poucas vezes (3), sendo uma investigada como feminicídio.

Idade

Ainda na apuração, a idade das vítimas também foi filtrada a partir de cinco faixas etárias. A com maior número de casos foi de vítimas entre 31-40 anos (12), seguido de 11-20 anos (8). Abaixo, a descrição dos 36 casos registrados em 2025. 

Como foi

Outro número que aponta uma larga distância para os outros é de como foi realizado o homicídio: A utilização de arma de fogo aparece na maioria dos casos (30), seguido do uso de faca (2), outros (2) e em outras circunstâncias (2) não foram detalhadas as situações sobre o caso.

De Rossi reforçou que a integração institucional foi essencial para que os índices de homicídios tivessem uma queda expressiva em Santa Maria.

- Há um trabalho conjunto entre Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Penal, com apoio do Instituto-Geral de Perícias, além da atuação do Ministério Público e do Judiciário - explicou. O delegado também destacou que, em fevereiro, lideranças responsáveis por diversos homicídios foram transferidas para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, o que teve impacto direto nos índices.

De Rossi ressalta que o trabalho investigativo atua de forma preventiva. O titular da delegacia de homicídios explica que, ao identificar autores, mandantes e executores, a polícia consegue retirá-los de circulação, o que reduz a possibilidade de novos crimes. 

Delegado Adriano De Rossi destacou que dos 33 casos investigados, 32 foram elucidadosFoto: Mateus Ferreira

Um exemplo é uma ação que ocorreu em setembro de 2025 quando duas lideranças de uma facção criminosa foram presas após serem vinculadas a um crime ocorrido em agosto, fato que, segundo ele, contribuiu para a redução dos homicídios.

Por fim, De Rossi destacou o caráter histórico dos números.

- Desde a criação da Delegacia de Homicídios, em 2016, o ano de 2025 foi o que registrou o menor número de homicídios com 33 casos, que são de nossa competência. Tivemos também dois latrocínios e um feminicídio que soma os 36 casos - concluiu.

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