Foto: Rian Lacerda (Arquivo/Diário)
No feriado de Carnaval, duas cenas se repetem: viagens e consumo de bebida alcoólica durante a folia. Essa combinação, no entanto, pode ser perigosa se envolver a condução de veículos. O alerta é da coordenadora da Escola Pública de Trânsito de Santa Maria, vinculada à Secretaria de Segurança e Ordem Pública, Lucimar Garcia de Sá. Para ela, “o uso e o abuso de álcool” é um dos maiores riscos na rodovia.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Segundo Lucimar, em períodos de feriado prolongado, como o Carnaval, é comum o aumento no fluxo de veículos e, consequentemente, dos sinistros de trânsito. Por isso, o cuidado nunca é demais. O primeiro deles começa antes mesmo de sair de casa.
– Nós sempre chamamos a atenção para a questão da manutenção do veículo. É fundamental revisar o carro antes de pegar a estrada – orienta.
Além das condições mecânicas, entra na lista a prudência ao volante. A preocupação é reforçada, segundo Lucimar, diante de casos recentes na região. No fim de semana, duas pessoas morreram em um grave acidente na BR-392, em Santa Maria, após um carro colidir contra um caminhão. Em outro acidente, também na BR-392, seis pessoas ficaram feridas após colisão entre dois carros na tarde de domingo (15), na Ponte do Passo do Verde.
– Um dos fatores mais importantes na rodovia é a ultrapassagem proibida. A colisão frontal acontece muito em função de ultrapassagem indevida e velocidade acima do permitido – diz Lucimar.

Fique atento: álcool não tem prazo fixo para sair do organismo
Outro ponto que preocupa é a falsa sensação de segurança de quem bebe à noite e decide viajar na manhã seguinte. Isso porque, como ressalta Lucimar, não existe um tempo padrão para que o organismo esteja livre do álcool. Ou seja, a recomendação é não “emendar” o compromisso na folia com a direção.
– Muitas pessoas ainda têm essa ideia: "eu bebi ontem à noite, dormi um pouco e posso sair sem problema". O álcool não elimina do corpo de uma hora para outra, ele leva um tempo. Tudo depende da compleição física da pessoa, do peso, do hábito de beber, da alimentação e da ingestão de outros líquidos. Não existe uma regra para dizer que tantas horas depois ela já pode dirigir – diz.
A coordenadora da Escola de Trânsito cita, inclusive, o exemplo de um caso em que a pessoa bebeu ao meio-dia e, às 19h, ainda apresentava álcool no organismo no teste do bafômetro. Por isso, a recomendação é clara:
– Tomou, seja pouca ou muita bebida, não saia tão rápido para a estrada sem ter certeza de que aquele álcool já não está mais no organismo.
Descanso e hidratação também são essenciais
Além de evitar o álcool ao volante, a coordenadora destaca a importância do descanso – já que as festas de Carnaval geralmente exigem muita energia. Nesses casos, o cansaço pode comprometer a atenção na rodovia. Ela também recomenda a ingestão de água.
– Principalmente nessas festas, a ingestão de muita água contribui para o bem-estar físico da pessoa. Planejar o passeio inclui prever o descanso e a recuperação antes de viajar – orienta.
Principais causas de acidentes
De acordo com Lucimar, nas análises realizadas na região, os principais fatores associados a acidentes em rodovias são ultrapassagem proibida e excesso de velocidade. São casos em que motoristas optam pela pressa, “podam” os veículos à frente ou, ainda, não observam pontes e obstáculos na pista.
Ela ainda chama atenção para o uso do celular ao volante:
– Embora seja difícil comprovar em muitos casos, nós sabemos que o uso de celular é um fator determinante nas ocorrências de sinistros de trânsito.
Penalidades
O consumo de bebida alcoólica tem consequência para a segurança e também para o bolso dos condutores. Nos casos em que o teste do bafômetro apontar teor alcoólico até 0,33 miligramas por litro, trata-se de infração administrativa. A partir de 0,34 mg, configura-se crime de trânsito. Ou seja, a tolerância da legislação brasileira é zero para álcool ao volante.
– A partir de 0,34, o condutor já é detido. Vai depender da autoridade policial estipular fiança ou manter em detenção – explica Lucimar.

As penalidades incluem multa de R$ 2.974, suspensão ou cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e apto. A recusa em fazer o teste do bafômetro também gera as mesmas punições.
Para ela, no entanto, a principal preocupação deve ir além das multas:
– Dinheiro nenhum vai trazer vidas de volta. O impacto de um sinistro não está só no veículo ou na via. Ele é econômico, social, emocional e psicológico. São famílias destroçadas. Se beber, não dirija. Se for dirigir, não beba. Aproveitem o feriado, aproveitem o Carnaval, mas preservem a vida sempre.
Leia também: