"Ele decidiu matar o Théo"; Ministério Público sustenta que morte de menino foi premeditada e destaca tentativa de homicídio na noite anterior

Autor: Alexandre La Bella e Rian Lacerda

Foto: Rian Lacerda (Diário)

A promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo durante os debates do Caso Théo, nesta quarta-feira (4), no Fórum de São Gabriel. O Ministério Público sustentou que a morte do menino de 5 anos foi premeditada e destacou a tentativa de homicídio cometida pelo pai na noite anterior ao crime.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) sustentou que a morte de Théo Ricardo Felber, de 5 anos, foi premeditada pelo próprio pai, Thiago Ricardo Felber, 41, durante os debates do Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (4), no Fórum de São Gabriel. As promotoras Maria Fernanda Rabelo e Graziela Lorenzoni destacaram que o réu tentou matar a criança na noite de 24 de março de 2025, quando apertou seu pescoço até deixá-la desacordada. Na manhã seguinte, o homicídio foi consumado, quando o réu arremessou o filho de uma ponte.

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Durante a manifestação, a acusação contestou a explicação apresentada por Thiago em seu interrogatório, quando afirmou ter ouvido uma voz antes de jogar o filho da ponte. Para o MPRS, o réu tinha consciência de seus atos e capacidade de decidir como agir.

– Ele decidiu matar o Théo e fez tudo em duas oportunidades para matá-lo. E, na segunda, ele conseguiu. Implacável é a palavra que me vem à mente – afirmou a promotora Graziela durante os debates.


Acusação questiona relato sobre vozes

Durante o depoimento, Thiago Felber afirmou que uma voz teria surgido momentos antes de arremessar Théo da ponte. Ele também relatou que pensou em tirar a própria vida após o crime.

As promotora Maria Fernanda questionou essa versão e argumentou que o réu demonstrou capacidade de escolher quais ações realizar.

– As vozes mandaram ele se matar. Só que ele só obedeceu às vozes na hora de matar o filho. Na hora de se matar, ele ignorou as vozes. Olha como ele consegue ignorar as vozes. Ele consegue se autodeterminar – afirmou Maria Fernanda.

A acusação também criticou as referências religiosas feitas pelo réu durante o depoimento, quando ele mencionou ensinamentos da igreja sobre casamento e separação.

– Ficou aqui se escondendo atrás da Bíblia o tempo inteiro e esqueceu de um dos Dez Mandamentos, que é não matarás – declarou Maria Fernanda.


Ministério Público destaca agressão na noite anterior

Outro ponto central da manifestação foi a agressão sofrida por Théo na noite de 24 de março de 2025, um dia antes de ser arremessado da ponte.

Durante seu interrogatório, Thiago Felber admitiu ter apertado o pescoço do filho, que ficou desacordado. O réu relatou que, após a agressão, foi tomar banho e posteriormente percebeu que a criança estava viva.

Para o MPRS, o episódio constitui uma primeira tentativa de matar o menino, anterior ao homicídio consumado na manhã seguinte.

As promotoras também destacaram o comportamento de Felber após os dois episódios. Conforme a argumentação, baseada nos depoimentos do réu, apresentada aos jurados, ele teria ido tomar banho depois de deixar Théo desacordado e almoçado após arremessar a criança da ponte.

A acusação ainda contestou a imagem de bom pai apresentada durante o julgamento.

– Ele apenas iludia uma criança e controlava uma mãe. Mas acho que eu nem preciso dizer nada. Os fatos falam por si — afirmou Graziela Lorenzoni.

Em outro momento, a representante do Ministério Público ressaltou que Théo pediu socorro durante a queda, conforme o próprio relato apresentado pelo réu.

– O seu Thiago não teve misericórdia do Théo – completou Graziela.


Julgamento deve ter sentença ainda nesta quarta-feira

Após a exposição das promotoras Maria Fernanda Rabelo e Graziela Lorenzoni, o julgamento entrou em um intervalo de 15 minutos. Na retomada, está prevista a manifestação da defesa de Thiago Felber, representada pela defensora pública Tatiana Kosby Boeira.

A expectativa inicial era de que a sentença fosse anunciada durante a madrugada de quinta-feira (5). Entretanto, com o andamento dos trabalhos, a previsão passou a ser de divulgação do resultado ainda na noite desta quarta.


Relembre os principais momentos do julgamento


O julgamento pelo Tribunal do Júri começou por volta das 9h desta quarta-feira, no Fórum de São Gabriel, sob a presidência da juíza Liz Grachten.

​A primeira a prestar depoimento foi Abigail Ferreira, que relatou conflitos com o ex-companheiro.

– Nunca imaginei que ele iria usar meu filho como ferramenta para me atingir – declarou Abigail, que levou ao plenário um carrinho que pertencia à criança.

Também prestaram depoimento, pela acusação, Débora de Andrade Berny, policial civil, e Dilmar Bonilha da Silva, policial militar, que negou os questionamentos de que Thiago Felber teria sido agredido durante por policiais.

Pela assistência de acusação, foram ouvidos Daniel Severo, delegado de polícia de São Gabriel e responsável pela investigação; Robson Farinha Diverio, marido da irmã do réu; e Maria Julita Francisca, tia de Abigail.

Antes do depoimento do reú, a última testemunha foi Tielen Cristina Diverio, irmã de Thiago Felber e única pessoa ouvida pela defesa. Ela relatou dificuldades enfrentadas pela família durante a infância e falou sobre o comportamento do irmão.

–Eu não tenho mais paz na minha vida, eu choro todos os dias – afirmou Tielen.

Após os depoimentos das testemunhas, Thiago Felber foi depôs por cerca de uma hora, até as 16h15min. Durante a oitiva, admitiu ter apertado o pescoço do filho na noite anterior à morte e descreveu o momento em que o arremessou da ponte.

– Simplesmente, do nada, uma voz veio e eu joguei meu filho da ponte – declarou o réu.


O caso

Théo Ricardo Felber, de 5 anos, morreu em 25 de março de 2025, após ser arremessado de uma ponte pelo próprio pai, em São Gabriel.

Thiago Ricardo Felber, réu confesso, responde por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça contra a ex-companheira, no contexto de violência doméstica.

O julgamento ocorre mais de um ano e sete meses após a morte da criança. 


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