Foto: Mateus Rossato (Diário)
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (4) no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (CIOSP), a Polícia Civil detalhou os resultados da Operação Padrinho, que resultou na prisão de 72 pessoas envolvidas com uma organização criminosa focada em homicídios e tráfico de drogas na região. Do total de alvos que estavam em liberdade, 35 foram capturados nas ruas ao longo da manhã, enquanto três equipes permanecem em diligências para localizar e prender os últimos três alvos remanescentes no município – podendo chegar a 75 presos.
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Durante a apresentação dos dados, o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mário Francisco Pereira Vargas de Souza, enfatizou que a grandiosidade da operação é uma resposta direta aos crimes letais cometidos pelo grupo na cidade, resgatando a aplicação do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios:

– Só estamos fazendo essa operação porque eles mataram em Santa Maria. Então essa é a regra: se cometer homicídio, vão receber toda a força do Estado e, como eu te disse, com um grande número de pessoas presas, as lideranças sendo responsabilizadas e a parte financeira sendo quebrada da facção, é um combate ao crime organizado bastante forte, difícil de reagirem.
Atuação integrada
A operação mobiliza cerca de 350 policiais e conta com a integração entre Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Penal, Instituto-Geral de Perícias (IGP) e o apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB). O capitão Patrini, representante do Segundo Batalhão de Choque da Brigada Militar, destacou a importância da união das forças para frear a violência na região:
– Acredito que essa grande redução dos nossos índices se dá muito também por essa integração, essa união das Forças de Segurança de Santa Maria e região. Essa operação, sem dúvidas, vai ter um impacto muito grande no momento agora e nos próximos meses, porque essas figuras presas hoje são figuras que têm uma influência bem significativa nessa facção, bastante conhecidas no meio policial também.
O diretor de Homicídios do Interior da Polícia Civil, delegado Thiago Carrijo, também reforçou o balanço positivo e a qualidade do trabalho desenvolvido pelas equipes locais.
– Santa Maria tem dez homicídios no ano, sendo que estão somente dois homicídios que envolvem o crime organizado. Os outros oito homicídios ocorridos na cidade dizem respeito a questões privadas – destacou Carrijo.
Origem da investigação e o nome da operação
O titular da Delegacia de Homicídios de Santa Maria, delegado Adriano De Rossi, explicou que a apuração levou um ano e três meses devido à complexidade da facção.O caso teve início em 13 de agosto de 2025, após a execução de um homem no Bairro Nova Santa Marta com 15 disparos de arma de fogo. A investigação revelou que o crime decorreu de um conflito entre galerias rivais em um estabelecimento prisional, iniciado após a interceptação e retenção de uma repetidora de sinal de internet (Wi-Fi) lançada por drone.

O nome "Operação Padrinho" surgiu porque, conforme constatado pelos investigadores, os subordinados se reportavam ao líder máximo da cúpula com essa denominação em sinal de reverência. A ofensiva busca não apenas retirar os criminosos de circulação – atingindo tanto alvos que estavam nas ruas quanto detentos em galerias prisionais –, mas também desestruturar as finanças da organização criminosa.
Veja o vídeo: