Fotos: Rian Lacerda (Diário) e Redes Sociais (Reprodução)
A expectativa por justiça marca a chegada dos familiares de Théo Ricardo Felber, de 5 anos, ao Fórum de São Gabriel na manhã desta quarta-feira (4). Morto pelo próprio pai em 25 de março de 2025, o menino é lembrado pelos parentes que acompanham o julgamento de Thiago Ricardo Felber, acusado de arremessá-lo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí. Na entrada do Fórum, uma frase escrita pela mãe de Théo, Abigail Luisa Ferreira, estampava a camisa branca usada pelo tio da criança, Ismael Ferreira, de 35 anos: “Teu coração chora a sua ausência, mas a minha voz clama por justiça”.
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Ao Diário, Ismael afirmou que a família espera que o Tribunal do Júri reconheça a responsabilidade do réu pelo crime. Para ele, a sessão representa um momento aguardado pelos parentes, que convivem com a ausência do menino desde a morte, há mais de um ano e sete meses. O tio também destacou a preocupação com a irmã, que, segundo ele, tenta se manter forte diante da situação, mas ainda sente os efeitos da perda.
– Esse momento significa justiça. Significa que esperamos que a justiça seja feita, realmente seja feita. Sabemos que a minha irmã, por mais que ela tente ser forte nesse um ano, ela está sentindo e que é um baque para toda a família – afirmou.
Embora não tivesse convivência diária com o sobrinho, Ismael contou que mantinha contato com Théo por meio de fotografias, vídeos e chamadas de WhatsApp. Como o menino morava em São Gabriel, os encontros presenciais com os familiares eram menos frequentes. Quando se reuniam, porém, a criança passava pela casa dos parentes, onde brincava com os filhos de Ismael.
O tio também relatou que a família foi informada sobre o ocorrido por meio de uma mensagem enviada pelo próprio acusado a uma tia de Théo. Ela foi uma das primeiras pessoas a saber da morte do menino e também acompanha o julgamento nesta quarta-feira.
Família cobra aplicação da lei contra a violência vicária
A morte de Théo também teve repercussão nas discussões sobre a violência vicária, caracterizada pela prática de violência contra filhos ou outras pessoas próximas com o objetivo de atingir a mãe. O caso integrou o debate público que impulsionou a discussão de medidas específicas de enfrentamento a esse tipo de violência.

Questionado sobre o crime ter "contribuído" para dar visibilidade ao tema e às discussões legislativas, Ismael afirmou que espera que as medidas de proteção não fiquem restritas ao papel.
– O meu sentimento é que, como eu mencionei, não espero que seja somente mais um palanque político. Que essa lei que foi criada, por mais triste que seja, não esperamos que seja somente mais uma lei, mais uma PEC estabelecida. Queremos que ela realmente seja cumprida. Não pode ser só uma coisa escrita para estar ali no papel. A gente espera que tudo que está ali seja realmente cumprido – declarou.
Como será o julgamento

O julgamento pelo Tribunal do Júri teve início por volta das 9h desta quarta-feira no Fórum de São Gabriel. Estão previstos os depoimentos da mãe do menino, Abigail Luisa Ferreira, de policiais militares que atenderam a ocorrência, do delegado responsável pela investigação e de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. A sessão contará ainda com o interrogatório do réu.
Thiago Ricardo Felber responde por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio e ameaça contra a ex-companheira, no contexto de violência doméstica.