“Tudo que está bom pode ser melhorado”, diz general que assumirá Secretaria de Segurança Pública do governo Zucco

“Tudo que está bom pode ser melhorado”, diz general que assumirá Secretaria de Segurança Pública do governo Zucco

Foto: Renan Mattos (Diário/Arquivo)

Sinott é um dos cinco secretários anunciados por Zucco na terça-feira

O general da reserva Mauro Sinott Lopes, 66 anos, escolhido pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), para comandar a Secretaria da Segurança Pública a partir de janeiro de 2027, afirma que pretende dar continuidade às ações que já estão em andamento e aperfeiçoar as estratégias de combate à criminalidade. Entre as prioridades, cita o combate ao avanço das facções criminosas pelo interior do Estado e a diminuição dos índices de feminicídio.

– Como tudo que está bom pode ser melhorado, esse é um caminho que a gente vai tratar, melhorando vários aspectos que são importantes na segurança pública — afirmou o futuro secretário em entrevista ao programa F5, da Rádio CDN 93.5 FM.

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Anunciado na terça-feira (27) entre os primeiros cinco nomes confirmados para o governo de Zucco, Sinott tem experiência em comando militar, planejamento estratégico e operações de segurança. Natural de Pelotas, ele já comandou a 3ª Divisão do Exército (3ª DE) e a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, ambas sediadas em Santa Maria. Também foi secretário-executivo da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, em 2018, e participou de operações em comunidades cariocas.

Na entrevista, o general destacou a importância de integrar as forças de segurança, qualificar o trabalho de inteligência e investigação e manter a capacidade operacional dos órgãos, mesmo diante das restrições orçamentárias do Estado. Ele afirmou, porém, que ainda está iniciando o processo de transição e que precisa receber mais informações para detalhar as medidas que pretende adotar.


Facções criminosas e feminicídios entre as prioridades

Questionado sobre o avanço das facções criminosas no interior gaúcho e o número de feminicídios registrados no Estado, Sinott confirmou que os dois problemas estarão entre as prioridades da secretaria.

No caso da violência contra as mulheres, ele defendeu que a atuação da segurança pública vá além do atendimento às ocorrências e da repressão aos crimes. Para o general, é necessário combinar a resposta policial com ações preventivas e políticas sociais, incluindo a participação do sistema de ensino.

– O feminicídio é um indicador que se mantém elevado. Sem dúvida, passará a ser uma prioridade. Para além das respostas que a própria segurança pública pode dar, em termos de pronto atendimento e atenção pontual para cada caso que aconteça, é preciso ter uma visão mais alargada disso — declarou.

O futuro secretário mencionou o programa RS Seguro, iniciativa estadual que reúne ações de prevenção e combate à criminalidade e que, segundo ele, já contempla a articulação com outras áreas do poder público.

Sobre as facções, Sinott relacionou a disputa territorial pelo tráfico de drogas a outros crimes, como roubos, assaltos e homicídios decorrentes de conflitos entre grupos criminosos. Ele afirmou que o enfrentamento a essas organizações continuará sendo uma das prioridades da pasta.

A preocupação com a interiorização da criminalidade também foi abordada durante a entrevista, especialmente em relação à Quarta Colônia, na Região Central. Sinott disse que o programa RS Seguro trabalha com foco territorial, direcionando esforços para áreas com indicadores mais preocupantes de criminalidade e vulnerabilidade socioeconômica.

O general, contudo, ponderou que ainda não pode detalhar quais informações sobre a região já chegaram à secretaria.

– Nós estamos iniciando o processo de transição, em que vou receber uma série de informações que não posso precisar agora. Mas, certamente, em curto prazo, quero estar com isso tudo na cabeça para a gente poder iniciar um trabalho e agregar aquilo que já acontece — afirmou.


Integração e restrições financeiras

Integração entre forças de segurança é citado por Sinott como um dos pontos centrais do futuro trabalhoFoto: Renan Mattos (Diário/Arquivo)

A experiência em operações militares e no trabalho conjunto com forças policiais foi apontada por Sinott como uma das bases para a atuação à frente da secretaria. Durante a carreira, ele participou de atividades de segurança no Rio de Janeiro e trabalhou na preparação de tropas enviadas ao Haiti. Também chefiou o serviço de segurança da Embaixada do Brasil na Colômbia.

Ao falar sobre as operações no Rio, o general destacou a atuação coordenada entre diferentes instituições, com compartilhamento de informações e capacidades operacionais.

– Trabalhar conjuntamente é um aspecto importantíssimo. Quando você compõe um comando conjunto, em que o esforço coletivo se aplica em determinado ponto, nós temos um somatório de esforços. Juntos somos melhores, somos mais fortes — disse.

Na avaliação dele, a integração entre os órgãos pode aumentar a efetividade das ações e reduzir custos. Para a próxima gestão, Sinott citou a necessidade de qualificar a inteligência, as investigações e a perícia, além de melhorar o policiamento ostensivo.

O futuro secretário também ressaltou a importância de manter a capacidade operacional das instituições. Isso inclui recompor efetivos, modernizar os serviços de perícia e repor equipamentos desgastados pelo uso.

Ele reconheceu, porém, que a situação financeira do Estado deve impor limitações às decisões da secretaria.

– Isso tem custo, sem dúvida, e vai ser trabalhado em função das disponibilidades. O Estado tem suas dificuldades econômicas. Eu não posso precisar qual é o espaço que tenho, mas espero um ambiente de restrição orçamentária. Dentro do possível, vamos priorizar essa manutenção da capacidade operacional, que é a nossa presença nas ruas — afirmou.

Questionado sobre reajustes para os profissionais da segurança, novos concursos e mudanças na legislação, Sinott não apresentou medidas específicas. Disse que precisa aprofundar o conhecimento sobre esses temas antes de se posicionar.


Convite de Zucco e passagem por Santa Maria

O convite para assumir a Secretaria da Segurança Pública, segundo Sinott, foi inesperado. Após ir para a reserva, ele passou a morar em um sítio em Pelotas e se afastou da rotina administrativa e política. O contato com Zucco ocorreu por telefone, no último fim de semana, seguido de uma reunião em Porto Alegre na segunda-feira à tarde. Na terça, Sinott foi anunciado pelo governador eleito.

– Fiquei muito honrado com o convite. Aceitei de pronto. Fiquei muito satisfeito, feliz com a confiança depositada, e vamos à luta — relatou.

O general disse conhecer Zucco desde o período em que o governador eleito era cadete na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Ao recordar o contato, descreveu-o como uma pessoa humilde, dedicada e com capacidade de agregar.

Sinott também tem uma trajetória ligada a Santa Maria. Comandou o Centro de Instrução de Blindados entre 2006 e 2009, esteve rapidamente à frente da 6ª Brigada de Infantaria Blindada em 2014 e comandou a 3ª Divisão do Exército entre 2018 e 2020. Ele destacou o vínculo com o município, onde também nasceu uma de suas netas.


Confira a entrevista completa

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