Foto: Vinicius Becker (Diário)
Operação Padrinho: 70 pessoas são presas em Santa Maria em ação contra grupo criminoso
Setenta pessoas foram presas em Santa Maria até o momento durante a Operação Padrinho, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (4). A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa investigada por envolvimento em homicídios no município. A operação mobiliza cerca de 350 policiais e segue em andamento, com possibilidade de novas prisões durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Iniciada às 6h, a operação conta com o apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Instituto-Geral de Perícias (IGP), além de suporte logístico da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao todo, estão sendo cumpridas mais de 230 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, sequestros de veículos e bloqueios de contas bancárias. As ações ocorrem em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além das casas prisionais PASC, PESM, PRSM, PEJULI e PESB.

– Essa é a maior operação que nós realizamos até hoje no interior do Estado contra homicídios. Um grande esforço investigativo e operacional contra o crime organizado que comete homicídios na cidade – afirmou o delegado Mario Francisco Pereira Vargas de Souza, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Investigação
A investigação começou em 13 de agosto de 2025, a partir da apuração de um homicídio qualificado no Bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. Na ocasião, a vítima foi atingida por 15 disparos de arma de fogo calibre 9 milímetros em frente à própria residência. A análise da rota de fuga dos atiradores levou os investigadores a identificar o envolvimento da organização criminosa no crime, que, segundo a Polícia Civil, teria sido uma retaliação determinada pela cúpula do grupo após um conflito entre criminosos.
De acordo com a policia, a organização tinha uma estrutura hierárquica, divisão de tarefas e ligação com uma macrofacção de alcance estadual. A apuração também identificou a atuação integrada entre integrantes que estavam nas ruas e pessoas recolhidas ao sistema prisional. Conforme a Polícia Civil, a cúpula do grupo exercia influência sobre duas galerias de unidades prisionais da região e utilizava esses espaços para coordenar atividades do tráfico de drogas e determinar execuções.
– A investigação começou no passado com esse homicídio. A partir do momento em que ocorreu o crime, verificamos que essa questão era a que mais estava matando em Santa Maria. Ampliamos a apuração para além daquele homicídio, com o objetivo de identificar o máximo de indivíduos dessa organização criminosa – explicou o delegado Adriano De Rossi, titular da Delegacia de Homicídios de Santa Maria.
Segundo De Rossi, a investigação levou um ano e três meses devido à complexidade da estrutura criminosa. Parte dos integrantes já estava presa, enquanto outros permaneciam em liberdade. A operação busca atingir também a estrutura financeira e logística do grupo.
– A gente visa não apenas retirar de circulação alguns indivíduos dessa organização que ainda estão na rua, mas também o estrangulamento financeiro dela – afirmou o delegado.
A Operação Padrinho recebeu esse nome em referência à forma como, segundo a Polícia Civil, o líder da organização era tratado pelos subordinados. A ofensiva busca responsabilizar os integrantes pelos homicídios investigados e atingir os recursos utilizados para manter as atividades criminosas.
A ação integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios do DHPP, voltado à repressão de crimes violentos e à responsabilização de integrantes de organizações criminosas. Os presos serão encaminhados ao sistema prisional.
Veja o vídeo
Confira atualizações: