Foto: Reprodução
Tiago Ricardo Felber, 41 anos, réu confesso da morte do filho Théo, de 5 anos, será julgado na próxima quarta-feira (4), em São Gabriel.
A morte de Théo Ricardo Felber, de 5 anos, arremessado de uma ponte em São Gabriel em março de 2025, será levada ao Tribunal do Júri na próxima quarta-feira (4), a partir das 9h. O pai da criança, Tiago Ricardo Felber, 41, réu confesso, será julgado por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça contra a ex-companheira. O acusado permanece preso desde março de 2025.
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Conforme o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a sessão está prevista para ocorrer em um único dia, mas poderá se estender até a madrugada de quinta-feira (5). A acusação será conduzida pelas promotoras de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho, de São Gabriel, e Graziela Lorenzoni, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do MPRS.
Durante o julgamento, está prevista a participação de oito pessoas na fase de depoimentos e interrogatório: a mãe de Théo, Abigail Luisa Ferreira, 31 anos, na condição de vítima do crime de ameaça; duas testemunhas indicadas pelo Ministério Público; três pela assistência de acusação; uma pela defesa; e o próprio réu.
Os debates entre acusação e defesa devem durar aproximadamente cinco horas. A sessão contará com reforço de segurança da Polícia Judicial e da Brigada Militar.
Relembre o caso

Théo morava com a mãe em Nova Hartz, no Vale do Sinos, e estava em São Gabriel para passar o fim de semana com o pai, que fez aniversário na terça, 25 de março de 2025, dia em que arremessou de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, de uma altura de aproximadamente 15 metros.
Conforme a investigação da Polícia Civil, na noite anterior ao assassinato, Felber teria tentado matar o filho por esganadura, mas interrompeu a ação após a criança resistir. No dia seguinte, durante um passeio, teria aproveitado a confiança do menino para levá-lo até a ponte e arremessá-lo.
O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontou que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico provocado pela queda. Os exames também identificaram sinais de esganadura, relacionados à tentativa de homicídio ocorrida no dia anterior.
Após o crime, Felber se apresentou às autoridades e confessou ter matado o filho. Em depoimento à Polícia Civil, afirmou que agiu por vingança contra a ex-companheira, por não aceitar o fim do relacionamento. Conforme a investigação, ele pretendia causar sofrimento à mãe da criança.
O caso foi investigado pela Delegacia de Polícia de São Gabriel, sob responsabilidade do delegado Daniel Severo. Tiago está preso preventivamente desde 21 de abril de 2025, na Penitenciária Estadual Modulada de Uruguaiana.
Acusações e qualificadoras
O réu responde por tentativa de homicídio qualificado, referente aos acontecimentos de 24 de março de 2025, e homicídio qualificado consumado, ocorrido no dia seguinte. Ele também é acusado de ameaçar a ex-companheira.
Entre as qualificadoras admitidas para julgamento estão motivo torpe, traição, dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima, o fato de a criança ter menos de 14 anos e o crime ter sido cometido contra descendente. No homicídio consumado, também foram reconhecidas as qualificadoras de meio cruel e de ocultação de outro crime.
Caberá aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal do acusado e as circunstâncias dos crimes apresentadas pelo Ministério Público.
Mãe de Théo cobra justiça
Em março deste ano, quando a morte do menino completou um ano, Abigail Ferreira falou ao Diário sobre a perda do filho e a expectativa pelo julgamento.
– Essa dor não passa e sinceramente creio que nunca vai passar. Dói não ter minha parte mais bonita comigo. Eu vivi pra ser mãe do Théo, ele era meu mundo – relatou.
Na ocasião, ela também manifestou o desejo de que o responsável recebesse uma condenação.
– Eu quero que ele seja condenado com rigor por tudo que ele fez para o meu bebê. Só quero justiça, talvez assim eu consiga um pouco de paz – afirmou.
Repercussão e violência vicária
A morte de Théo teve repercussão nacional e esteve entre os casos que impulsionaram o debate sobre o vicaricídio, prática de violência em que filhos ou outras pessoas próximas são utilizados para atingir emocionalmente uma mulher. O debate resultou na criação de uma legislação específica sobre o crime, em 9 de abril de 2026.
Na investigação, a Polícia Civil apontou que o assassinato teve como objetivo atingir a mãe da criança, classificando a motivação como uma forma de violência indireta contra a mulher.