Há 10 dias sem energia, moradores de Lavras do Sul enfrentam perdas de alimentos e falta de água

Há 10 dias sem energia, moradores de Lavras do Sul enfrentam perdas de alimentos e falta de água

Foto: Prefeitura de Lavras (Divulgação)

Prefeito Renan Leal Delabary afirma que mais de seis localidades do interior ainda estão sem abastecimento e anuncia novas medidas judiciais contra a CEEE Equatorial

Dez dias após o temporal que atingiu Lavras do Sul, mais de seis localidades do interior do município ainda permanecem sem energia elétrica, segundo o prefeito Renan Leal Delabary. A interrupção compromete o abastecimento de água em propriedades rurais, provoca perdas de alimentos e aumenta os gastos de famílias que dependem de geradores. Em alguns pontos, conforme o prefeito, ainda não há previsão para o restabelecimento do serviço. 

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A situação foi relatada por Delabary durante entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, nesta quarta-feira (30). O prefeito reconheceu a intensidade do evento climático que provocou os danos na rede, mas criticou o tempo de resposta da concessionária e a falta de perspectiva para os moradores que seguem sem energia.

— Nós não podemos negar que houve uma ação climática de muito impacto, mas as pessoas esperam há, no mínimo, 10 dias por soluções. Hoje ainda temos mais de seis localidades aqui no município desabastecidas — afirmou. 

A prefeitura pretende buscar a Procuradoria-Geral do Estado e estuda novas medidas judiciais. Conforme Delabary, já existe uma ação civil pública relacionada à concessionária, que recebe novas informações da assessoria jurídica do município. Ele também pretende articular uma mobilização com prefeitos de outras cidades da Metade Sul atendidas pela empresa. 

Falta de energia também compromete abastecimento de água

No interior, propriedades que dependem de bombas elétricas ficaram sem condições de bombear água, inclusive para criação de animais e atividades da agricultura familiar. Para atender moradores sem outra alternativa, o município passou a transportar água potável em tanques e reboques hídricos.

— Tem gente que tem chiqueiro de porcos, tem gente que tem galinheiros, tem gente que tem horta. As pessoas têm os seus sistemas de produção, de pecuária familiar, de agricultura familiar, que precisam ser abastecidos e não têm como esperar — relatou Delabary. 

A situação é diferente em parte do segundo distrito, especialmente em Ibaré. Segundo o prefeito, o sistema de abastecimento de água da Corsan Aegea dispõe de gerador, o que evitou a interrupção desse serviço em parte das residências e na escola.

Além da falta de água, moradores tiveram perdas de carnes, leite e outros alimentos que precisavam permanecer congelados. Famílias que possuem geradores também acumulam gastos com gasolina ou diesel para manter os equipamentos em funcionamento.

Delabary citou ainda a preocupação com pessoas acamadas que precisam de cuidados especiais e de medicamentos que, em alguns casos, necessitam de refrigeração. O posto de saúde principal e a Fundação Médica Hospitalar Dr. Honorato Teixeira da Costa possuem geradores, mas essa estrutura não está disponível para a maior parte das residências. 

Município prepara novas medidas contra concessionária

Diante da demora no restabelecimento, Delabary afirmou que o município pretende ampliar a cobrança sobre a CEEE Equatorial. Além do contato com a Procuradoria-Geral do Estado, há putro processo em andamento:

— Seguimos cobrando. Nós temos alguns caminhos jurídicos que serão feitos nos próximos dias, como esse contato com a Procuradoria-Geral do Estado. Uma nova ação civil pública está sendo construída e estudada — afirmou. 

Apesar das críticas à concessionária, o prefeito fez uma distinção entre a empresa e os trabalhadores que atuam nos reparos. Também reconheceu que já houve melhorias estruturais na área urbana, com substituição de postes de concreto e intervenções em parte da rede principal. A cobrança, segundo ele, está concentrada na situação das comunidades que ainda aguardam o retorno da energia.

— Eu ressalto sempre o nosso máximo respeito aos colaboradores e funcionários da empresa, porque muitos deles passam dias e noites em cima de caminhões e postes, no sol e na chuva. São pais e mães de família que estão ali cumprindo suas obrigações. Agora, a instituição CEEE Equatorial é uma vergonha, é uma incompetência. Que Deus nos mostre um caminho para que tão logo consigamos trocar, porque essa empresa não dá mais. Ela não tem capacidade de atender aos compromissos que tem no Estado do Rio Grande do Sul — afirmou Delabary.

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