Foto: Vinicius Becker (Diário)
Uma menina ficou ferida em uma ocorrência envolvendo risco de choque elétrico durante o temporal que atinge Santa Maria desde o último domingo (27). O caso foi mencionado pelo secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, Edson Roberto das Neves Júnior, em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN 93.5 FM, na manhã desta terça-feira (29). O município avalia decretar situação de emergência diante dos danos provocados pela chuva, que já ultrapassou 230 milímetros em alguns pontos da cidade.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Segundo o secretário, o caso da menina está entre as ocorrências que demonstram o agravamento da situação no município. Santa Maria registra alagamentos, destelhamentos, deslizamentos de terra, comunidades isoladas e pessoas desalojadas e desabrigadas.
Conforme o boletim divulgado pela prefeitura às 9h30min desta terça, 26 residências foram atingidas por alagamentos e outras 28 tiveram destelhamentos. Também há registro de 16 pessoas ilhadas em localidades do interior, além de moradores que precisaram deixar suas casas.
O secretário, que também é coordenador da Defesa Civil municipal, afirmou que as equipes municipais seguem mobilizadas para atender as ocorrências e chegar às comunidades que permanecem isoladas.
– Nós temos deslizamentos, nós temos destelhamento, temos alagamentos, temos inundações, comunidades isoladas, temos pessoas desalojadas, temos pessoas desabrigadas. Lamentavelmente, vimos uma menina que se feriu ontem com o risco de choque elétrico. Então, assim, é uma situação que se agrava – afirmou.
A ESF Victor Hoffmann, na Vila Rossi, no Bairro Pinheiro Machado, e a ESF Arroio do Só permanecem sem atendimento. Na UBS Walter Aita, no Bairro Camobi, e na ESF Itararé, as salas de vacina estão fechadas.
Além das seis já noticiadas, outras duas escolas suspenderam as aulas: EMEF Lourenço Dalla Corte, no Bairro Km 3, e EMEF Profª Erlinda Minóggio Vinadé, no Bairro São João. EMEF Hylda Vasconcellos tinha as aulas suspensas inicialmente apenas no turno da manhã, mas após avaliação, também suspendeu as atividades da tarde.
Município avalia decretar situação de emergência
A prefeitura iniciou nesta terça-feira uma avaliação dos danos e prejuízos provocados pelo temporal. De acordo com Neves Júnior, todas as secretarias e coordenações municipais estão levantando informações sobre os impactos nas estruturas públicas e privadas, além dos danos humanos e ambientais.
O trabalho é necessário para embasar uma eventual publicação de decreto de situação de emergência. Embora o secretário considere que a dimensão dos estragos indica a possibilidade de adoção da medida, a decisão ainda depende da conclusão dos levantamentos e da documentação dos prejuízos.
– Num olhar de experiência, indica que hoje nós evoluiremos para um decreto de situação de emergência. Agora, isto precisa ser materializado por documentos que tragam esses danos e estes prejuízos – explicou.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, o prazo legal para reunir as informações e elaborar a documentação é de 10 dias. Após a avaliação, será produzido um parecer para subsidiar a decisão do prefeito.
O secretário também destacou que a situação atual apresenta características diferentes de outros eventos climáticos registrados neste ano. Santa Maria já passou por três episódios de grande impacto em 2026, que somaram mais de 400 casas destelhadas. Na ocasião, o município conseguiu prestar assistência com as estruturas e os estoques estratégicos disponíveis, sem decretar situação de emergência.
Agora, além dos danos em residências, há registros de comprometimento de estradas, bueiros e pontes.
– A magnitude deste evento traz um cenário diferente, que pode ensejar um decreto de situação de emergência, a princípio, de nível dois – afirmou.
Chuva ultrapassa 230 milímetros em Santa Maria
Conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Santa Maria acumulou mais de 230 milímetros de chuva desde a madrugada de domingo (27) até as 8h30min desta terça-feira (29).
O retorno da chuva no início da manhã desta terça-feira provocou novas ocorrências, conforme o secretário.
Até o momento, são 26 residências atingidas por alagamentos nos bairros Tancredo Neves, Renascença, Noal, Divina Providência, Nossa Senhora de Lourdes, Menino Jesus, Passo D’Areia, Juscelino Kubitschek, Pinheiro Machado, Itararé, Perpétuo Socorro, Centro, Nova Santa Marta, Lorenzi e no Distrito de São Valentim.
Outras 28 residências tiveram destelhamentosregistrados nos bairros Pinheiro Machado, Tancredo Neves, Nova Santa Marta, Passo D’Areia, Juscelino Kubitschek, Camobi, Diácono João Luiz Pozzobon, Itararé, Chácara das Flores, Salgado Filho, Divina Providência, Boi Morto, Rosário, Presidente João Goulart, Lorenzi e no Distrito de Boca do Monte.
Também foram registradas situações de desalojamento em diferentes regiões da cidade. No Bairro Tancredo Neves, uma idosa foi para a casa de familiares. No Itararé, três pessoas estão na casa de um familiar, enquanto outras três solicitaram retirada de uma residência no Pinheiro Machado, mas decidiram permanecer no local.
No Bairro Juscelino Kubitschek, cinco pessoas estão na casa de familiares. Na Nossa Senhora da Providência, duas pessoas também solicitaram retirada, mas permaneceram na residência após a chegada da equipe da Defesa Civil.
Já no Noal, três pessoas foram retiradas do local. A equipe da Defesa Civil e da Secretaria de Desenvolvimento Social as encaminhou para uma nova casa.
Comunidades isoladas e abrigo em Arroio do Só
No interior, 16 pessoas estavam ilhadas nas localidades de Três Barras, Fontaine, Fernandes, Arroio Lobato e dos Bona, no Distrito de Arroio Grande. A informação considera a situação até as 7h40min desta terça-feira.
Em Arroio do Só, moradores desalojados em razão da elevação do nível do rio e de destelhamentos foram acolhidos no salão comunitário da localidade.
Nove pessoas estavam anteriormente abrigadas no espaço. Em entrevista, o secretário explicou que parte dos moradores já havia se deslocado para casas de familiares e que três permaneceriam no abrigo.
Uma equipe da assistência social, acompanhada por profissionais da saúde, estava a caminho para prestar atendimento e acolhimento.
Defesa Civil monitora rios e áreas de risco
A Defesa Civil mantém o monitoramento da elevação do Rio Vacacaí, no Passo do Verde, e do deslizamento de terra no Morro do Cechella. Três residências seguem isoladas devido à água e à lama que descem do morro. As famílias estão em casas de parentes.
O secretário informou que uma nova avaliação seria realizada na área para verificar se houve agravamento da situação.
Edson também alertou que o risco de deslizamentos pode permanecer mesmo após o fim da chuva, devido à umidade acumulada no solo e nas rochas.
– O risco de deslizamento permanece ainda por mais um tempo, mesmo que a chuva pare. O solo e as rochas continuam úmidos, e isso traz um risco ainda de deslizamento de terras – explicou.
Além do Morro do Cechella, as encostas do Morro Santa Tereza e os pontos de alagamento recorrentes associados aos rios Vacacaí e Cadena estão entre as áreas de atenção da prefeitura.
Aulas canceladas e unidades de saúde sem atendimento
Em razão dos impactos da chuva, oito instituições municipais estão com as aulas canceladas nesta terça-feira:
- EMEF José Paim, no Distrito de São Valentim
- EMEF Major Tancredo Penna de Moraes, no Distrito de Palma
- EMEF Irineo Antolini, no Distrito de Passo do Verde
- EMEF Santa Flora, no Distrito de Santa Flora
- EMEI Montanha Russa, no Bairro Itararé
- EMEF Hylda Vasconcellos, no Bairro Campestre do Menino Deus
- EMEF Lourenço Dalla Corte, no Bairro Km 3
- EMEF Profª Erlinda Minóggio Vinadé, no Bairro São João
O boletim também informa que a ESF Victor Hoffmann, na Vila Rossi, no Bairro Pinheiro Machado, e a ESF Arroio do Só estão sem atendimento.
Na UBS Walter Aita, no Bairro Camobi, e na ESF Itararé, as salas de vacina estão fechadas.
A prefeitura deve divulgar novas atualizações ao longo do dia.
Confira a entrevista completa