Dois homicídios em menos de seis horas não têm indícios de ligação com tráfico, afirma delegado

Dois homicídios em menos de seis horas não têm indícios de ligação com tráfico, afirma delegado

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A Polícia Civil investiga dois homicídios registrados em um intervalo de menos de seis horas em Santa Maria. Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN 93.5 FM, nesta sexta-feira (2), o delegado Adriano de Rossi, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apresentou novas informações sobre os casos e as linhas de investigação.

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Conforme o delegado, o crime ocorrido na região central teria começado com uma briga em frente a um bar, na Rua Duque de Caxias. Já no Bairro Km 3, a principal hipótese é de que o homem tenha sido surpreendido por um atirador enquanto retornava da casa de familiares.

Até o momento da entrevista, ninguém havia sido preso em nenhuma das duas ocorrências. A Polícia Civil também não trabalhava com a hipótese de ligação com o tráfico de drogas nos casos.


Briga generalizada antecedeu morte no Centro

O homicídio registrado por volta das 4h30min desta sexta-feira, na Rua Tuiuti, esquina com a Rua Duque de Caxias, teria sido precedido por uma briga generalizada em frente a um bar.

Segundo De Rossi, um jovem de 19 anos foi agredido por aproximadamente sete pessoas e encaminhado ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Ele foi ouvido pela Polícia Civil no hospital, está estável e não corre risco de morte.

A vítima fatal foi identificada como Leonardo Peres de Moraes, 26 anos, que apresentava duas marcas de disparos de arma de fogo nas costas.

Inicialmente, a presença de barras de aço próximas ao corpo levantou a possibilidade de que a morte tivesse sido provocada por agressões durante a briga. No entanto, conforme o delegado, os indícios apontam que os disparos foram a causa da morte.

– Até acreditávamos que pudesse ter sido um traumatismo craniano, mas tudo indica que foram os disparos que ocasionaram a morte da vítima – afirmou.

A dinâmica da ocorrência ainda não foi esclarecida. O adolescente sobrevivente não soube explicar o que teria provocado a confusão nem detalhar como os acontecimentos se desenrolaram.

A Polícia Civil está coletando imagens de câmeras de segurança e buscando testemunhas que possam ajudar a reconstruir os fatos e identificar os envolvidos.

O delegado também foi questionado sobre imagens obtidas pelo Diário que registram ao menos seis disparos. Segundo ele, uma testemunha que estava próxima do local onde o corpo foi encontrado relatou ter ouvido dois tiros, número compatível com as marcas identificadas na vítima fatal.

A investigação deverá esclarecer se houve outros disparos, quantas pessoas estavam armadas e se os tiros foram direcionados exclusivamente ao homem que morreu.

Sobre a motivação, De Rossi afirmou que, neste momento, a principal linha de investigação é a de uma briga cuja origem ainda precisa ser esclarecida.

– A princípio, foi uma briga. Alguma coisa ocasionou essa briga nesse local e precisamos saber o que foi – disse.

O delegado ressaltou que, até o momento, não há elementos que indiquem envolvimento com o tráfico de drogas ou organizações criminosas.


Homem morto no Km 3 teria sido surpreendido por atirador

No caso registrado na noite de quinta-feira (1º), no Caminho da Linha Férrea, no Bairro Km 3, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que Alcemar de Oliveira Domingos, 42 anos, tenha sido surpreendido pelo autor dos disparos enquanto retornava da casa de familiares.

Conforme De Rossi, a vítima teria ido ao local para buscar uma caixa de som e, durante o retorno pela linha férrea, foi atingida por pelo menos três tiros na cabeça.

O delegado acredita que o crime possa ter sido uma emboscada, já que o corpo foi encontrado em um trecho afastado da residência dos familiares, em uma área de mata que acompanha a linha férrea.

– Acreditamos que talvez o atirador estivesse ali esperando pela vítima para efetuar os disparos – explicou.

A investigação já identificou a existência de possíveis desavenças que Alcemar teria, mas a Polícia Civil ainda trabalha para identificar suspeitos.

Assim como no caso do Centro, De Rossi afirmou que, até o momento, não há indicativos de relação com o tráfico de drogas.


Vítima do Centro estava em saída temporária

Durante a entrevista, o delegado também informou que Leonardo Peres de Moraes, morto na região central, estava em saída temporária do sistema prisional desde quinta-feira (1º). Ele deveria retornar no dia 8 de outubro, próxima quinta-feira.

Segundo De Rossi, a vítima possuía antecedentes policiais, incluindo por roubo.

O delegado ressaltou, porém, que essa informação não determina a motivação do crime, que ainda será apurada.


Dois homicídios encerram sequência de 73 dias sem registros

Os dois casos interromperam uma sequência de 73 dias sem homicídios em Santa Maria. O município não registrava uma morte desse tipo desde 19 de julho.

Conforme o delegado, os dois novos crimes não alteram o cenário de redução das mortes violentas observado ao longo de 2026.

De Rossi afirmou que, historicamente, entre 70% e 80% dos homicídios investigados em Santa Maria tinham relação com o crime organizado. Neste ano, segundo ele, apenas um caso teria essa característica.

O delegado também mencionou que agosto e setembro transcorreram sem registros de homicídios, sequência que, conforme sua avaliação, não era observada havia pelo menos 15 anos.

– Sabíamos que em algum momento ia acontecer. Obviamente, não queremos que ocorra nenhuma morte. Agora, trabalhamos para identificar os responsáveis e realizar as prisões – afirmou.

A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias dos dois crimes.

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