Foto: Arquivo Pessoal
Os três denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, serão julgados pelo Tribunal do Júri a partir da próxima segunda-feira (29), em São Gabriel. A sessão tem previsão de duração entre três e quatro dias.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Os réus respondem por homicídio qualificado, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça Maria Fernanda Rabelo, Karine Teixeira e Eugênio Paes Amorim.
Conforme a denúncia do MPRS, Gabriel foi abordado pelos acusados, que na época eram policiais militares em serviço, no dia 12 de agosto de 2022, após um chamado para atender uma ocorrência de perturbação em via pública. Segundo a investigação, o jovem sofreu agressões físicas, incluindo golpes na região cervical, foi colocado em uma viatura e, depois disso, não foi mais visto com vida.
O corpo de Gabriel foi localizado em 19 de agosto de 2022, em um açude na localidade de Lava Pé, em São Gabriel. Em outubro de 2025, o comando-geral da Brigada Militar reconheceu os denunciados incapazes de permanecer na corporação e encaminhou a decisão ao governador do Estado.
Julgamento
Durante o júri, serão ouvidas cinco testemunhas de acusação e cinco testemunhas de cada um dos três réus, totalizando 20 depoimentos. Na sequência, os denunciados serão interrogados.
O Ministério Público sustenta que as provas reunidas ao longo da investigação comprovam a materialidade e a autoria do homicídio e afirma que buscará a condenação dos acusados.
– O julgamento deste caso transcende os interesses das partes envolvidas e possui profundo significado para toda a sociedade. O MPRS levará ao Tribunal do Júri uma acusação firme, construída sobre as provas produzidas ao longo do processo, em busca da responsabilização dos autores e de uma resposta compatível com a gravidade dos fatos – afirmou a promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo.
A promotora Karine Teixeira destacou a expectativa pelo julgamento.
– Após anos de investigação e instrução processual, o homicídio de Gabriel finalmente chega a julgamento, aguardado pela família e pela sociedade gaúcha. Trata-se de um crime que choca pela violência e pela interrupção de uma vida jovem, e o MPRS seguirá firme, com zelo e comprometimento, na defesa da vida e na busca por justiça – disse.
O promotor Eugênio Paes Amorim também se manifestou sobre o início do julgamento.
– A missão é uma e os valores são vários. Vamos a São Gabriel na defesa da vida e de outros valores muito caros à sociedade gaúcha. Combateremos o bom combate! – afirmou.