Foto: Rian Lacerda (Diário)
Buracos que se multiplicam ao longo da estrada de terra e um esgoto a céu aberto que invade a pista são os desafios diários de quem precisa acessar a Estrada Municipal Pedro Fernandes da Silveira, no Bairro Camobi. A via é rota de ligação com os distritos de Pains e Arroio do Só, em Santa Maria, e fica localizada aos fundos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Base Aérea de Santa Maria (Basm).
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A reportagem esteve no local e contabilizou as péssimas condições de trafegabilidade. Em um curto trecho caminhando pelo meio da pista, foi possível registrar cerca de 40 buracos. A situação força os motoristas a desviarem constantemente e reduzirem a velocidade para menos de 10 km/h para evitar danos aos veículos. Além da falta de mobilidade, o cruzamento com a Rua Cinco de Março apresenta um transbordamento de esgoto, que escorre da valeta para a estrada, gerando mau cheiro e formando novas poças na pista.
"A gente vem pedir socorro"

O policial militar da reserva Almir de Ávila, 64 anos, é morador da região e utiliza a estrada com frequência. Em entrevista à Rádio CDN (93,5 FM), ele relatou a frustração da comunidade com a falta de manutenção do trecho e o impacto na qualidade de vida e no deslocamento diário. Segundo ele, o problema é histórico e as cobranças aos órgãos públicos não têm surtido efeito. A última obra na região foi realizada em dezembro do ano passado, de acordo com a prefeitura.
– A gente vem pedir socorro à imprensa porque, infelizmente, o Poder Público não toma providências. É uma estrada de acesso a Pains, a principal, por onde passa ônibus e pessoas caminhando. Esse local tem um esgoto a céu aberto que sai da comunidade no final da Rua Cinco de Março. A vegetação vem em direção à estrada, estreita a passagem de veículos, e em dias que não chove, o esgoto invade a estrada. O fedor é insuportável – descreve Ávila.

O morador detalha que a situação sanitária preocupa ainda mais devido à proximidade com o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).
– O que acho mais grave é que esse esgoto corre ao lado do Hospital Universitário. É um caso de saúde pública que não afeta apenas a nós que passamos pela via. Para desviar dos buracos, a gente vem contando os passos porque não dá para andar rápido. Tem gente desviando por outras estradas porque aqui está impossível. É uma vergonha. Meu sentimento é de abandono, de ser deixado de lado – desabafa o policial da reserva.
Apesar da revolta, o pedido da comunidade é por medidas básicas.
– Não é nenhum bicho de sete cabeças. É vir uma máquina passar aqui e emparelhar que já resolve o problema. A gente não está pedindo asfalto, só que a estrada seja mantida com o mínimo para podermos usar – conclui Almir.
Confira a entrevista ao vivo:
O que dizem os responsáveis

Procurada pelo Diário, a prefeitura de Santa Maria informou que o cronograma previa a manutenção do trecho, mas problemas atrasaram o serviço. A gestão municipal detalhou que a manutenção na estrada de acesso a Pains estava prevista para o mês de junho. No entanto, por questões técnicas e climáticas, houve atraso. A nova previsão é de que os trabalhos sejam realizados entre os meses de julho e agosto deste ano.
Em relação ao problema sanitário, a prefeitura afirmou que o "possível lançamento de esgoto cloacal junto à vala de drenagem de águas pluviais trata-se de um possível crime ambiental, uma vez que a região possui sistema de coleta". O Município informou que a denúncia será encaminhada ao setor de fiscalização para providências.
Como há registro de marcas da Corsan no local do vazamento, a reportagem solicitou um posicionamento da concessionária sobre o esgoto a céu aberto e aguarda retorno da empresa para esclarecimentos.
Nota na íntegra
A Prefeitura explica que a manutenção na estrada de acesso a Pains estava prevista para o mês de junho. Por questões técnicas e climáticas houve atraso na realização dos serviços.
A previsão é de que seja realizada a manutenção entre os meses de julho e agosto deste ano. A última manutenção na via foi em dezembro de 2025.
Quanto ao possível lançamento de esgoto cloacal junto a vala de drenagem de águas pluviais, trata-se de um possível crime ambiental, uma vez que a região possui sistema de coleta de esgoto cloacal. A denúncia será encaminhada ao setor de fiscalização da Prefeitura.