Foto: Rian Lacerda (Diário)
O Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) enfrenta em torno de 200% de ocupação no Pronto-Socorro e 98% de ocupação hospitalar total. Os números foram informados pelo superintendente do hospital, Humberto Palma, em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade! da Rádio CDN 93.5 FM nesta sexta-feira (4). Segundo ele, a superlotação é uma situação crônica da região central do Estado e está relacionada, entre outros fatores, ao aumento da demanda e às dificuldades na organização da rede de urgência e emergência.
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– É uma situação crônica da região central do Estado. O Hospital Universitário apenas reflete a situação da rede de urgência e emergência, já que ele é o ponto final de prestação de serviço a essa rede – afirmou Palma.
A declaração ocorre um dia após a reitora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Martha Adaime, falar sobre a superlotação do Husm no programa Bom Dia, Cidade!. Na quinta-feira (3), ela afirmou que a situação exige uma atuação conjunta na gestão da saúde de média e alta complexidade e defendeu uma análise da rede como um todo.
De acordo com Palma, a lotação do hospital afeta tanto os pacientes quanto os trabalhadores.
– Essa sobrecarga hospitalar cria dificuldades para os pacientes nas suas acomodações, na sua internação, no seu período de internação no nosso hospital, como também para os funcionários – afirmou.
Segundo o superintendente, a superlotação pode provocar atrasos nos atendimentos e na solução dos problemas dos pacientes, além de aumentar os riscos assistenciais.
– A superlotação hospitalar, além de atraso nos atendimentos, nas soluções dos problemas dos pacientes, também traz risco assistencial, diminui a qualidade do ensino e aumenta o risco dos funcionários do ponto de vista físico e emocional – disse.
Demanda espontânea aumentou 67%
Um dos fatores apontados pelo superintendente para explicar a pressão sobre o Husm é o crescimento da procura direta pelo hospital.
Segundo Palma, em abril de 2025 o Husm recebe cerca de 840 pacientes por mês como demanda espontânea. Atualmente, esse número está em torno de 1,4 mil pacientes mensais.
Isso representa um aumento de aproximadamente 67% na demanda espontânea em pouco mais de um ano.
– Esses pacientes não encontram outros pontos de atendimento e recorrem ao Hospital Universitário – explicou.
O superintendente citou ainda outros fatores, como a ausência de uma atenção primária considerada adequada, além da desestruturação e desorganização da rede de urgência e emergência da região central do Estado.
Além disso, o Husm recebe pacientes transferidos de outros hospitais, inclusive em situações nas quais não é a referência definitiva para determinado atendimento. Nesses casos, o hospital realiza a estabilização e aguarda a transferência para a unidade de referência.
Palma citou a neurocirurgia como exemplo.
– Nós recebemos aqui pacientes para os quais nós não somos referência para atendimento definitivo. Temos que estabilizar e encaminhar para a referência. Contudo, a gente demora na saída desse paciente para o outro hospital – afirmou.
Segundo ele, a permanência desses pacientes acaba ocupando espaço e contribuindo para o acúmulo dentro do hospital.
Impacto também chega aos trabalhadores
A superlotação também tem reflexos sobre os profissionais do HUSM. Palma afirmou que a equipe é motivada, mas reconheceu que os trabalhadores estão sobrecarregados.
Nos últimos anos, segundo ele, o hospital contratou cerca de 1.250 funcionários por meio de concursos, em diferentes áreas.
– Os nossos funcionários são muito motivados para trabalhar. Eles gostam de trabalhar no Hospital Universitário e gostam de suas atividades. Nós sabemos que eles estão sobrecarregados – afirmou.
Para tentar reduzir a pressão, o hospital mantém iniciativas voltadas à reorganização dos fluxos internos. Entre elas estão o Lean nas Emergências (projeto do Ministério da Saúde), a farmácia satélite e o programa de aceleração da alta segura do paciente.
Palma também informou que, na próxima semana, uma profissional de Brasília deverá visitar o Husm para reavaliar a estrutura e os processos internos do Pronto-Socorro.
– Isso é muito importante para nós, esse olhar externo – destacou.
O superintendente também citou reformas localizadas nos ambientes de trabalho como parte das medidas para melhorar as condições dos profissionais.
Hospital comunica órgãos de controle
De acordo com Palma, o Husm comunica regularmente a situação de superlotação aos órgãos de controle. Entre os destinatários estão a Secretaria Estadual da Saúde, os conselhos de medicina e a 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS).
Segundo ele, os comunicados podem ocorrer mensalmente, semanalmente ou até diariamente, dependendo da situação.
O hospital também tenta, sempre que possível, entrar em contato com a regulação para viabilizar a transferência de pacientes para outras instituições e reduzir a pressão sobre o HUSM.
– Nós tentamos fazer essa transferência para diminuir esta pressão assistencial que existe aqui dentro – explicou.
O hospital também conta com programas do governo federal voltados à melhoria dos fluxos de atendimento. Palma citou, além do Lean nas Emergências, iniciativas relacionadas ao Centro Obstétrico.
Superintendente pede uso racional do hospital
Diante do cenário de superlotação, Palma também fez um apelo à população para que procure o Husm principalmente quando houver necessidade de atendimento de maior complexidade.
A orientação é que, quando possível, os pacientes procurem inicialmente unidades básicas de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou Prontos Atendimentos (PAs).
– Havendo possibilidade, procure a unidade básica de saúde, procure uma UPA, procure um PA. Veja na sua cidade de origem se há realmente necessidade neste momento de procurar o Hospital Universitário – orientou.
Segundo ele, o objetivo não é deixar de atender quem procura o hospital, mas garantir que a estrutura disponível seja utilizada de maneira adequada.
– O Hospital Universitário precisa ser utilizado com racionalidade, com muito cuidado, para que a gente não dificulte o tratamento daqueles que realmente precisam de um hospital desse porte para realizar o cuidado de sua saúde – afirmou.
Apesar das dificuldades, Palma garantiu que o Husm continuará atendendo a população.
– O Hospital Universitário sempre vai atendê-los, com maior ou com menor dificuldade, mas vai sempre atender com carinho, com humanização, com o máximo de atenção, técnica, tecnologia que está à disposição. O Hospital Universitário é da região. Ele trabalha pela vida e trabalha pelo Sistema Único de Saúde – concluiu.