Foto: Frame Câmera de segurança Juiz Fora (Divulgação)
Prefeitura do município mineiro decreta estado de calamidade pública
As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde a tarde de segunda-feira (23) já provocaram ao menos 25 mortes e deixaram dezenas de desaparecidos em dois municípios da região. Em Juiz de Fora, são 18 mortos e 41 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros. Já em Ubá, foram confirmadas 7 mortes e quatro pessoas seguem desaparecidas. Diante da gravidade da situação, as duas cidades decretaram medidas emergenciais, e o governo estadual anunciou luto oficial de três dias.
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Em Juiz de Fora, a prefeitura decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24). As aulas da rede municipal foram suspensas, e cerca de 440 pessoas estão desabrigadas. A estimativa é de que aproximadamente 600 famílias precisem deixar suas casas. Entre as vítimas estão estudantes e uma professora.
O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira e, conforme a prefeitura, este já é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês. A cidade, marcada por relevo acidentado, com morros e encostas, registrou ao menos 20 ocorrências de soterramento, segundo a prefeita Margarida Salomão.
Buscas por desaparecidos e bairros devastados
Um dos pontos mais atingidos em Juiz de Fora é o Bairro Parque Burnier, onde 20 pessoas estão desaparecidas, entre elas mais de cinco crianças. Nove moradores foram resgatados com vida e quatro morreram no local. Ao todo, 12 casas desabaram na região.
No Bairro Cerâmica, duas residências desabaram e cinco pessoas da mesma família permanecem soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam nas buscas. O Rio Paraibuna e córregos da cidade transbordaram, pontes e o mergulhão que ligam bairros ao Centro foram interditados, e há registro de árvores caídas e vias bloqueadas.
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, foram mais de 40 chamadas emergenciais durante a madrugada, envolvendo moradores ilhados, deslizamentos e casas atingidas. Mais de 20 militares e cães de busca foram mobilizados para reforçar as operações.
Mortes e inundação em Ubá
Em Ubá, o Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira, alagando a Avenida Beira Rio e áreas centrais da cidade. Conforme a prefeitura, choveu 124 milímetros em apenas seis horas. O Corpo de Bombeiros confirmou sete mortes e quatro desaparecidos no município.
A enxurrada também arrastou caixões de uma funerária localizada no Centro, em imagens que circularam nas redes sociais. A administração municipal classificou o episódio como a maior inundação dos últimos anos e informou que equipes seguem mobilizadas para contabilizar os danos e prestar assistência às famílias atingidas.
Em Matias Barbosa, o prefeito também decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu diversas regiões da cidade. A medida busca viabilizar o acesso a recursos do governo federal e agilizar ações emergenciais.
Repercussão nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas pelas redes sociais, lamentando as mortes e os prejuízos causados pelo temporal. O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais.
O Ministério da Defesa informou que foi acionado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para apoiar as ações de resposta em Juiz de Fora. O pedido inclui envio de viaturas, emprego de tropas para limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros, apoio logístico, organização de abrigos temporários e utilização de helicóptero em ações humanitárias.
As autoridades alertam para a previsão de mais chuva na região e orientam que moradores de áreas de risco deixem suas casas e acionem os canais oficiais em caso de emergência.