“Prefeitura tenta transferir a responsabilidade“, diz representante de bares e distribuidoras sobre sossego público em Santa Maria

“Prefeitura tenta transferir a responsabilidade“, diz representante de bares e distribuidoras sobre sossego público em Santa Maria

Foto: Guilherme Brum/PMSM (Divulgação)

A atuação do poder público para conter a perturbação do sossego e episódios de violência em Santa Maria voltou ao centro do debate nesta terça-feira (21). Em meio à intensificação de operações de fiscalização promovidas pela prefeitura, representantes de bares e distribuidoras criticam as medidas em estudo, como a redução de horários e a aplicação de multas, e defendem maior diálogo na construção de soluções.

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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade! desta terça-feira (21), o representante do setor, Lucas Costa, afirmou que as ações adotadas até agora não têm gerado resultados efetivos na segurança.

O que parece hoje, para nós, é que a prefeitura está tentando transferir a responsabilidade da segurança pública para os estabelecimentos noturnos – afirmou.


Operações intensificadas

Nos últimos dias, a prefeitura ampliou as ações da Operação Sossego Público, que reúne Guarda Municipal, Brigada Militar e fiscalização. As equipes percorrem bairros para atender denúncias, coibir aglomerações e fiscalizar o cumprimento da Lei Complementar nº 159/2022.

Entre quinta-feira (16) e domingo (19), cerca de 40 estabelecimentos foram vistoriados, com abordagens, conferência de documentação e emissão de notificações.

Costa afirma que o setor também está preocupado com a violência, mas questiona a forma como o problema vem sendo enfrentado.

– Ao invés de enfrentar a raiz do problema, parece que a prefeitura tem optado por medidas mais superficiais – disse.

Ele também destacou que episódios de desordem ocorrem, em grande parte, fora dos estabelecimentos.

– Muitas vezes, o bar é responsabilizado por algo que acontece na rua, fora do seu controle – afirmou.


Propostas e criação de associação

Como alternativa, o setor defende uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada. Entre as propostas, Costa sugere coibir quem realmente perturba o sossego dos moradores próximos:

– Investir em câmeras que identifiquem carros e motos que fazem barulho na rua e reforçar o patrulhamento no Centro, não de forma intimidatória, mas com presença constante para coibir quem realmente causa o problema.

Diante do cenário, os empreendedores também articulam a criação de uma associação dos empreendedores noturnos de Santa Maria.

– A ideia é sair do individual e ir para o coletivo, porque sozinho ninguém está conseguindo ser ouvido. Queremos propor soluções, não só criticar – disse.

Entre as outras sugestões apresentadas pelos empresários, estão:

  • criação de uma zona organizada de vida noturna
  • definição de regras claras de funcionamento
  • realização de uma audiência pública sobre o tema


Impacto e posicionamento

O representante dos bares e distribuidoras também destacou os efeitos das restrições sobre a economia local.

– São centenas de empregos e renda circulando, e jovens que precisam de um espaço de lazer seguro – afirmou.

Ele defendeu que a vida noturna pode contribuir para a organização da cidade.

A vida noturna não é o problema. Ela pode ser parte da solução quando bem organizada – disse.

Costa criticou, ainda, a redução de horários e cobrou mais diálogo entre o setor e a prefeitura.

– Precisamos ser ouvidos. Parece que só um lado fala. Nunca fomos a favor da baderna e da violência – concluiu.


Sindicato defende equilíbrio

presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Santa Maria/RS (Sindhiturr), João Provensi, afirma que acompanha o debate e defendeu a necessidade de conciliar atividade econômica e respeito ao sossego público.

– Somos a favor dos empreendimentos que geram emprego, mas tem que ter um sistema em que não perturbe os outros. A minha diversão não pode perturbar os outros – diz.

Ele destaca que o tema passa por comportamento e fiscalização

– Acho que passa mais pela educação e pela fiscalização, para que as pessoas se comportem melhor – diz.


Confira a entrevista completa

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