Foto: Reprodução
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vai disponibilizar à Polícia Federal (PF) imagens de aproximadamente 500 câmeras de segurança espalhadas pelo campus para auxiliar na investigação das pichações com símbolos associados ao nazismo encontradas em banheiros do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) e do Centro de Tecnologia (CT). O caso foi divulgado, na terça-feira (6), após imagens de uma das inscrições circularem nas redes sociais. Nesta quarta-feira (7), a UFSM confirmou que outros dois pontos com os mesmos símbolos foram identificados no Centro de Tecnologia (CT), elevando para seis o número de locais com registros desse tipo. Não há informação sobre quando as inscrições foram feitas.
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A informação foi dada pelo vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, em entrevista à Rádio CDN (93.5 FM) nesta quarta. Apesar do monitoramento, não há câmeras instaladas dentro dos banheiros onde as inscrições foram feitas, o que pode dificultar a identificação dos responsáveis. Segundo Marchesan, a universidade pretende fornecer à PF as imagens das entradas dos prédios para auxiliar na identificação de quem acessou os locais. A investigação também busca esclarecer se as inscrições foram feitas por uma única pessoa ou se estão relacionadas à atuação de um grupo.
– Em pleno século que nós vivemos temos ainda que falar de política de segregação. Deveríamos estar com uma sociedade mais evoluída, que respeite as pessoas, a diversidade e a inclusão. É isso que nós estamos pautado, cada vez, mais no âmbito da Universidade Federal de Santa Maria – afirmou Marchesan.
Inicialmente, imagens que circularam nas redes sociais mostravam uma runa Odal acompanhada da frase “Você não está só” na porta de uma cabine de banheiro do prédio 13 do CCNE. O símbolo, de origem germânica, foi apropriado pelo nazismo e, posteriormente, passou a ser utilizado também por grupos neonazistas e supremacistas brancos.
Investigação
Além da investigação conduzida pela Polícia Federal, a universidade instaurou um processo administrativo interno para apurar o caso e buscar identificar eventuais autores. A Assessoria de Promoção da Igualdade Racial, ligada ao Gabinete da Reitoria, também acompanha a situação.
Segundo Marchesan, a Instituição já registrou outros casos de inscrições com conteúdo racista e de preconceito em banheiros universitários. Em algumas situações, conforme o vice-reitor, foi possível identificar os responsáveis. Em outros casos, porém, não foi possível chegar à autoria.
"A saída de tudo isso é através do ensino"
Além das medidas relacionadas à investigação, Marchesan afirmou que a universidade pretende reforçar ações voltadas à educação e ao respeito à diversidade. Para ele, o enfrentamento ao preconceito também passa pelo papel da instituição como espaço de ensino:
– Estamos trabalhando, cada vez mais, no ponto do respeito e da educação. Somos uma universidade e, para nós, a saída de tudo isso é através do ensino e de saber que vivemos em uma sociedade que não admite mais isso.
Protesto
O episódio também motivou uma manifestação organizada por estudantes, coletivos, diretórios, centros acadêmicos e atléticas. O ato está previsto para esta quarta-feira (7), às 11h30min, em frente ao prédio 13 do CCNE.
Na convocação, os organizadores afirmam que pretendem protestar contra manifestações neonazistas e o que classificam como tentativa de normalização do fascismo dentro da universidade. O texto cita a runa Odal encontrada em uma das portas e a frase “Você não está só”, deixada junto ao símbolo.
Relembre
A runa Odal tem origem em antigos alfabetos germânicos, mas foi apropriada pelo nazismo e utilizada por divisões militares da Alemanha nazista. Posteriormente, o símbolo também passou a ser adotado por grupos de extrema-direita, neonazistas e supremacistas brancos.
As pichações foram encontradas em portas e paredes de banheiros de dois prédios do CCNE. O caso foi comunicado à direção do centro, que isolou os locais. A UFSM registrou boletim de ocorrência e denúncia pela plataforma Fala.BR, enquanto a apuração criminal é conduzida pela Polícia Federal.
DCE se manifesta sobre o caso
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM se manifestou nas redes sociais após a divulgação das imagens. O grupo afirmou que recebeu a denúncia e acionou a Reitoria e a direção do CCNE, e pediu que a Polícia Federal fosse acionada para investigar o caso.
Confira a manifestação na íntegra:
A UFSM É TERRITÓRIO ANTIFASCISTA
Hoje, recebemos a denúncia de uma pichação em uma das portas do banheiro do prédio 13, do Centro de Ciências Naturais e Exatas. Na porta, foi desenhada a runa Odal, símbolo apropriado pelo nazismo e utilizado por grupos neonazistas e supremacistas brancos, acompanhada da frase “você não está só”.
Acionamos a Reitoria e a Direção do CCNE, a área já foi isolada e junto cobramos que a PF seja acionada para investigação.
Isso não é uma brincadeira e não pode ser tratado como algo normal. Símbolos nazistas e mensagens de intimidação não têm lugar dentro da nossa universidade. É importante lembrar: a apologia ao nazismo é crime no Brasil, enquadrada na Lei nº 7.716/1989.
A UFSM é uma universidade pública, construída pela diversidade de estudantes e pela luta de quem acredita em uma sociedade democrática. É justamente por isso que precisamos enfrentar o fascismo onde quer que ele apareça.
Nós temos ódio do nazismo. Temos repulsa ao racismo, à supremacia branca e a toda forma de fascismo. E não vamos aceitar que essas ideias encontrem espaço na UFSM.
Não vamos nos intimidar.
A UFSM é território antifascista. E aqui, o fascismo vai encontrar resistência.
Confira a entrevista completa:
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