Foto: Polícia Civil (Divulgação)
Operação contra guerra de facções na Quarta Colônia mobiliza 126 policiais e cumpre 28 mandados de busca.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (9), a Operação Rescaldo, contra a atuação de uma facção criminosa envolvida na disputa pelo tráfico de drogas em Agudo e na região da Quarta Colônia. A ofensiva resultou no cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão temporária e duas medidas de internação de adolescentes. As investigações estão relacionadas ao homicídio qualificado de um adolescente de 17 anos e incêndios criminosos registrados em julho e agosto deste ano, no Bairro Caiçara, em Agudo.
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Conforme a Polícia Civil, as investigações identificaram o envolvimento de integrantes de uma facção criminosa originária do Vale dos Sinos, com núcleos de liderança em Salto do Jacuí. O município concentrou a maior parte das ações policiais desta sexta-feira e foi o local de uma das prisões.
Entre os três presos, estão um jovem, de 23 anos, e dois homens, 29 e 43 anos. Dois deles já estavam recolhidos ao sistema penitenciário, em Cruz Alta e Charqueadas. O terceiro foi encaminhado ao Presídio de Sobradinho. As medidas de internação foram cumpridas contra dois adolescentes, de 14 e 17 anos, que já estavam na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), em Porto Alegre.

Durante as buscas, os policiais apreenderam telefones celulares, peças de vestuário e um veículo vinculado à investigação do homicídio. Também foram localizadas munições de fuzil em Santa Maria, além de drogas, celulares e dinheiro nos estabelecimentos prisionais de Carazinho e Santa Maria. Os materiais serão analisados para auxiliar na continuidade das investigações.
Ao todo, forma cumpridos mandados em: Salto do Jacuí, Santa Maria, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Restinga Sêca, Santo Ângelo e São Leopoldo. A operação também teve ações no Presídio Estadual de Cruz Alta, na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, no Presídio Regional de Santa Maria e no Presídio Estadual de Carazinho.
Conforme a Polícia Civil, a escolha do nome da operação, "rescaldo", está relacionada aos ataques investigados no Bairro Caiçara, onde casas de moradores foram incendiadas e veículos teriam sido queimados para eliminar provas. O termo também faz alusão ao objetivo da operação de desarticular os núcleos criminosos que permanecem ativos na disputa por pontos de tráfico de drogas em Agudo.

A ação foi coordenada pela delegada Jaqueline S. Pellegrini, titular da Delegacia de Polícia de Agudo, e mobilizou 126 policiais civis. Participaram equipes dos setores de investigação e apoio das delegacias regionais de Santa Maria e Cruz Alta, além de policiais de Ijuí, Santo Ângelo, São Leopoldo, Carazinho e do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). A Polícia Penal prestou apoio no cumprimento dos mandados nos estabelecimentos prisionais.
Violência na Quarta Colônia após anulação de operação
A Operação Rescaldo ocorre em meio ao aumento da violência registrado na Quarta Colônia após a anulação das provas da Operação Quarta Colônia Livre, deflagrada em agosto de 2025 para combater o tráfico de drogas e a atuação de facções criminosas na região.
Em 30 de julho deste ano, a Justiça determinou o trancamento da ação penal contra 62 réus e a soltura da maioria dos investigados. A decisão foi tomada pelo juiz André de Oliveira Pires, da 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro do Rio Grande do Sul. Conforme o entendimento do magistrado, as medidas da investigação haviam sido autorizadas pela Justiça de Faxinal do Soturno, quando deveriam ter sido analisadas por uma vara especializada em crimes de organização criminosa, em Porto Alegre, conforme as regras de competência estabelecidas pelo Tribunal de Justiça do Estado.
Após a decisão, municípios como Agudo, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, Nova Palma e Restinga Sêca registraram uma sequência de episódios de violência, incluindo homicídios, tentativas de assassinato, ameaças e incêndios criminosos. Entre os casos estão um duplo homicídio em Dona Francisca, o assassinato de um homem em Agudo que havia sido solto após a decisão judicial e ataques incendiários a residências no Bairro Caiçara.
Em entrevista anterior ao Diário, o delegado regional de Santa Maria, Sandro Meinerz, afirmou que a soltura dos investigados intensificou a disputa entre duas facções pelo controle dos pontos de venda de drogas na região. Conforme o delegado, um dos grupos havia sido enfraquecido pela Operação Quarta Colônia Livre, o que abriu espaço para o avanço de uma facção rival.
A Polícia Civil e a Brigada Militar intensificaram as ações de investigação e policiamento na região diante do aumento dos registros de violência.