Foto: Lucas Uebel (Grêmio/Divulgação)

O auxiliar técnico Alexandre Mendes, integrante da comissão técnica de Renato Portaluppi no Grêmio, foi preso no início da tarde desta quinta-feira (8), no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Segundo apuração de Zero Hora, Mendes foi detido ao chegar à Capital com a delegação do clube, após a viagem a Belém para enfrentar o Remo.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
A prisão teria ocorrido por descumprimento de medida protetiva relacionada a um processo de violência doméstica. A defesa do profissional confirmou a detenção e informou, em contato com Zero Hora, que irá se manifestar no momento oportuno. O Grêmio ainda não havia se manifestado sobre o caso até a publicação desta matéria.
Mendes tornou-se réu após uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em um caso de suposta violência psicológica contra uma mulher com quem manteve um relacionamento durante seis anos. O relacionamento teria começado durante a passagem anterior do profissional pelo Grêmio.
A denúncia foi recebida em 10 de julho de 2025 pelo 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar do Foro Central da Comarca de Porto Alegre. Conforme o documento, Mendes teria "constrangido, humilhado e manipulado" a mulher. A acusação foi aceita pela Justiça.
Entenda o caso
O processo teve início em agosto de 2024, quando a mulher procurou a Justiça e afirmou que não mantinha mais um relacionamento com Mendes havia cerca de 15 dias. Na época, ela também registrou um boletim de ocorrência relatando supostas agressões físicas e psicológicas.
A investigação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Porto Alegre. Em setembro de 2024, o inquérito foi concluído sem o indiciamento de Mendes.
Segundo a delegada Fernanda Campos Hablich, responsável pela investigação na época, não havia elementos suficientes para amparar o indiciamento. Após o relatório policial, as medidas protetivas que estavam em vigor em favor da mulher foram arquivadas.
O Ministério Público, porém, avaliou que havia elementos para apresentar uma denúncia por violência psicológica. A acusação posteriormente foi recebida pela Justiça, tornando Mendes réu.
Investigação em 2024
O caso ganhou repercussão em setembro de 2024, quando a suposta vítima publicou nas redes sociais fotos e áudios que, segundo ela, mostrariam agressões. As imagens exibiam marcas no seio esquerdo, na nádega esquerda e no braço direito, além de um vídeo de um papel sujo de sangue.
Também foi divulgado um áudio em que eram ouvidos gritos de "eu não aguento mais, socorro", de forma repetida. Na época, a Diretoria de Proteção à Mulher (Dipam), da Polícia Civil, confirmou a existência da investigação, iniciada a partir de um boletim de ocorrência registrado pela mulher.
Conforme o boletim ao qual Zero Hora teve acesso, a mulher relatou ter sofrido agressões físicas e psicológicas e afirmou que Mendes era seu companheiro. O documento registrava que ela não apresentava lesões visíveis no momento do atendimento, mas havia fornecido mídias à polícia.
Defesa
Ainda em setembro de 2024, a defesa de Alexandre Mendes negou as acusações. O advogado Sergio Queiroz disse que Mendes não teria cometido qualquer tipo de violência e estaria viajando na data em que a suposta vítima afirmou ter sido agredida. A defesa também alegou que a mulher seria reincidente em denúncias consideradas caluniosas com base na Lei Maria da Penha.
A defesa de Mendes confirmou a prisão ocorrida nesta quinta-feira (8), mas informou que se manifestará sobre a nova situação no momento oportuno.