Foto: Vinicius Becker (Diário)
Quando viu o primo sendo puxado pela correnteza, Igor Cheron Lopes, 17 anos, não pensou duas vezes antes de tentar ajudar. Ele entrou no riacho, mas acabou escorregando e também foi arrastado pela água durante a chuva forte da madrugada desta segunda-feira (21), na Rua Adyles Monteiro de Almeida, no Bairro Pé de Plátano, em Santa Maria. Depois de conseguir chegar à margem e voltar para casa, Igor recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhado ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). O jovem está em observação, não corre risco de vida e deve receber alta nesta terça-feira (22).
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Preso entre os tubos

– Eu não pensei uma nem duas vezes e fui tentar ajudar ele. Aí, nisso, eu resvalei e caí. Fiquei me segurando nos tubos para não ser puxado para dentro – relata Igor.
Cristian conseguiu ficar com a mão de Igor e tentou tirar o primo dos tubos duas ou três vezes. Igor conta que percebeu que Cristian não conseguiria tirar ele dali. Foi então que soltou a mão do primo e deixou a correnteza levar seu corpo.
– No momento que eu vi que ele não ia conseguir, ele já estava quase caindo para dentro junto. Eu soltei a mão do meu primo. Eu tinha me entregado, para mim eu já estava morto – relata Igor.
Cerca de 200 metros depois dos tubos
Depois de sair da tubulação, Igor começou a procurar algo onde pudesse se segurar ao longo da correnteza. Cerca de 200 metros adiante, conseguiu ficar preso em um galho de uma árvore que havia caído no meio do riacho.
Ele permaneceu segurando o galho por cerca de 15 a 20 segundos, até conseguir entender onde estava e procurar um caminho para a margem.
– Aí eu olhei para o lado e vi mato. Eu me atirei e consegui me segurar num tronco de árvore que estava na beirada da água. Consegui chegar na terra – relata.

Depois de alcançar a margem, Igor encontrou Cristian, e os dois seguiram até a rua para procurar os demais moradores. Segundo o adolescente, as pessoas que estavam no local já acreditavam que os dois não haviam sobrevivido. Igor ficou com escoriações principalmente na barriga e no peito.
– Foi um sentimento de não acreditar, de não compreender como eu consegui sair. Na hora que eu soltei a mão do meu primo, eu desisti. Eu tinha me entregado, para mim eu já estava morto. Mas a história foi outra, graças a Deus – afirma.