Foto: Polícia Civil (Divulgação)
Duas mulheres foram presas preventivamente e uma adolescente foi apreendida, na manhã desta terça-feira (7), durante a Operação Partenope, deflagrada pela Polícia Civil para cumprir mandados judiciais em Santa Maria, Capão da Canoa e Xangri-Lá,no Litoral do Norte. Outros dois investigados na operação já se encontram em casas prisionais do município. A ação é resultado da investigação do homicídio de um jovem, de 18 anos, morto a tiros na Praça do Mallet, em Santa Maria, em outubro de 2025.
Coordenada pelo delegado Adriano De Rossi, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Santa Maria, a operação mobilizou agentes da 3ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (3ª DPRI) e da 23ª DPRI, de Capão da Canoa, totalizando cerca de 40 policiais civis.
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Ao todo, foram cumpridas 13 ordens judiciais: oito mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e um mandado de internação de uma adolescente. Em Santa Maria, as buscas ocorreram nos bairros Itararé, Centro, Diácono João Luiz Pozzobon e Presidente João Goulart. Já no Litoral Norte, as ações foram realizadas em Capão da Canoa e Xangri-Lá.
Conforme a investigação, o homicídio ocorreu na noite de 16 de outubro de 2025, quando Ramon Pierry dos Santos Ambrózio, 18 anos, foi atraído até a Praça do Mallet e executado a tiros por dois jovens, de 18 e 20 anos, que foram presos em flagrante por policiais do 2º Batalhão de Polícia de Choque (2º BPChq) logo após o crime.
Segundo a Polícia Civil, o assassinato foi motivado pela disputa entre facções criminosas e teria sido uma retaliação a um ataque anterior contra integrantes do grupo investigado. Ambrósio estaria envolvido na guerra do tráfico na Vila Maringá.
A investigação da Polícia Civil apontou uma organização estruturada, com divisão de funções entre os envolvidos.
De acordo com a polícia, o plano criminoso era comandado por um detento de 28 anos, que, mesmo recolhido na Penitenciária Estadual de Santa Maria (Pesm), coordenava as ações do grupo. A companheira dele, de 29 anos, seria responsável por liderar a organização fora do presídio, gerenciar a logística do armamento e autorizar a execução do homicídio.
Ainda conforme a investigação, uma mulher de 60 anos prestava apoio logístico e financeiro, custeando despesas e ocultando o veículo utilizado no crime. Outro investigado, de 19 anos, já recolhido no Presídio Regional, teria convencido a própria prima, uma adolescente de 18 anos, a marcar um falso encontro com a vítima e informar sua localização aos executores. A estratégia atraiu Ramon Ambrózio até a Praça do Mallet, onde ele foi surpreendido e morto sem possibilidade de defesa.
A operação recebeu o nome de Partenope em referência à personagem da mitologia grega conhecida por atrair marinheiros para a morte com seu canto, em alusão ao papel desempenhado pela adolescente na emboscada, conforme a investigação.
O detento, de 28 anos, já recolhido na Pesm, possui antecedentes policiais por tráfico de drogas (quatro vezes), associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, homicídio qualificado (duas vezes), entre outros. A companheira dele, de 29 anos, possui antecedentes policiais por tráfico de drogas (duas vezes) e associação para o tráfico, entre outros. A mulher, de 60 anos, possui por furto qualificado, estelionato (duas vezes), extorsão, entre outros. Já o jovem de 19 anos, também recolhido ao Presídio Regional, e agora transferido para a Pesm, possui por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte de arma de fogo.
Os presos responderão pelos crimes investigados e, após os procedimentos realizados na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), as mulheres serão encaminhadas ao Presídio Regional de Santa Maria. A adolescente será conduzida ao Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino (Casef), em Porto Alegre, onde permanecerá à disposição da Justiça.