VÍDEO: Delegado diz que pacientes estão interrompendo tratamento contra o câncer após Operação Placebo, em São Gabriel

VÍDEO: Delegado diz que pacientes estão interrompendo tratamento contra o câncer após Operação Placebo, em São Gabriel

Foto: Vitória Parise (Diário)

Centro Oncológico da Santa Casa de Caridade de São Gabriel atende pacientes da região.

A repercussão da Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil para investigar suspeitas de fraude no fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes com câncer, fez pacientes do Centro Oncológico da Santa Casa de Caridade de São Gabriel recusarem medicações e interromperem o tratamento. A informação foi divulgada pelo delegado Daniel Severo, titular da Delegacia de Polícia de São Gabriel e responsável pela investigação, a partir de um pronunciamento nesta terça-feira (30), para esclarecer o alcance das investigações e pedir que os tratamentos não sejam suspensos.

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Segundo o delegado, não há elementos que indiquem distribuição indiscriminada de medicamentos falsificados na oncologia. Por isso, ele reforçou que pacientes que recebem medicamentos pelos canais oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS) ou por ações judiciais patrocinadas pela Defensoria Públicanão têm motivo para desconfiar da medicação.

– Não há motivos que nos façam acreditar ou suspeitar que tenha havido ou que está acontecendo a distribuição indiscriminada de medicamentos falsificados na oncologia. O senhor ou a senhora que recebe a sua medicação pelos canais oficiais do Sistema Único de Saúde não há motivo nenhum para desconfiança – afirma Severo.

Foto: Polícia Civil (Divulgação)

Severo explica que a investigação está concentrada em 39 tratamentos realizados por meio de ações judiciais patrocinadas por advogados particulares. Conforme Severo, há convicção de que houve fraude nos processos utilizados para obtenção dos medicamentos e, até o momento, foi identificado um caso de entrega de medicamento adulterado.

Ainda de acordo com Severo, a primeira suspeita de adulteração foi identificada por uma profissional responsável pelo preparo das medicações no Centro de Oncologia. Ele afirmou que, caso a investigação identifique qualquer risco à saúde da população, a Polícia Civil divulgará imediatamente essas informações.

Ao final do pronunciamento, o delegado reforçou o pedido para que os pacientes mantenham o tratamento.

– A interrupção ou abandono do tratamento oncológico nesse momento trará resultados imprevisíveis e pode ser até irreversíveis. E esses são resultados que justamente a Operação Placebo pretende evitar – concluiu.


Confira a manifestação do delegado em vídeo:


Relembre o caso

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã de segunda-feira (29), a Operação Placebo para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar o fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes em tratamento contra o câncer na Fronteira Oeste.

Ao todo, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. Entre os alvos estão um empresário de São Gabriel, preso durante a operação, e um médico oncologista de Santa Maria, alvo de mandado de busca e apreensão.

A investigação aponta indícios de fraude em orçamentos apresentados à Justiça, entrega parcial de medicamentos, uso de empresas de fachada e fornecimento de remédios com suspeita de falsificação. Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 pacientes que teriam sido vítimas do esquema. Desses, sete morreram durante o tratamento oncológico.



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