Foto: Vitória Parise (Diário)
O julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, mobiliza a manhã desta segunda-feira (29) no Foro da Comarca de São Gabriel. A sessão do Tribunal do Júri estava prevista para começar às 8h30min. Até as 10h30min, porém, jornalistas e demais pessoas credenciadas ainda aguardavam autorização para acessar o plenário onde ocorre o julgamento.
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A primeira etapa do Tribunal do Júri será a formação do Conselho de Sentença, composto por sete jurados que serão responsáveis por decidir o veredito. Na sequência, começam os depoimentos das testemunhas, os interrogatórios dos réus e, posteriormente, os debates entre acusação e defesa.
Ao todo, serão ouvidas 20 testemunhas: cinco arroladas pelo Ministério Público e outras cinco por cada um dos três réus – o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima.
O caso ganhou repercussão nacional após o desaparecimento de Gabriel, em agosto de 2022. O jovem foi visto pela última vez sendo colocado em uma viatura da Brigada Militar e teve o corpo encontrado uma semana depois, submerso em um açude na zona rural de São Gabriel.
Defesa sustenta inocência dos policiais
Antes do início da sessão, os advogados dos acusados reafirmaram a tese de que os três policiais são inocentes e disseram esperar que o Conselho de Sentença reconheça essa versão.
O advogado Maurício Adami Custódio, que atua na defesa do sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, afirmou que "São Gabriel certamente vai fazer justiça" e voltou a sustentar que os policiais estão presos preventivamente há quase quatro anos por um crime que, segundo ele, não cometeram.
O advogado Jean Severo, que atua na defesa dos soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima, afirmou que a estratégia da defesa será demonstrar aos jurados que as provas produzidas ao longo do processo apontam para outro autor do crime. Sem adiantar detalhes, ele disse que a tese será apresentada durante o julgamento.
Já a assistente de defesa Vânia Barreto disse que a expectativa é de absolvição por negativa de autoria. Segundo ela, a defesa entende que o inquérito foi conduzido de forma precipitada e que diversas provas precisaram ser produzidas durante a instrução processual.
– A prova é extensa, mas toda ela é favorável aos réus. É isso que vamos mostrar aos jurados – afirmou.
A reportagem do Diário acompanha o julgamento em São Gabriel e trará atualizações ao longo do dia.