Foto: Marcello Casal Jr (Agência Brasil/Arquivo)
A Justiça Federal em São Paulo decretou, na tarde desta quinta-feira (23), a prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, no âmbito da Operação Narcofluxo, da Polícia Federal (PF). A decisão ocorre horas após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos investigados, ao considerar irregular o prazo da prisão temporária inicialmente determinado.
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Os três haviam sido presos no último dia 15, suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a investigação, teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas e uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior. Com o avanço das apurações e análise de provas, a PF solicitou a conversão das prisões em preventivas, pedido que foi aceito pela Justiça.
Entenda a mudança na decisão
Mais cedo, o ministro Messod Azulay Neto havia concedido habeas corpus ao entender que a prisão temporária por 30 dias era ilegal, já que a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado.
A decisão do STJ levou à revogação das prisões temporárias. No entanto, a nova determinação da Justiça Federal restabelece a custódia dos investigados sob outro fundamento jurídico. Diferentemente da temporária, que tem prazo definido e é usada no início das investigações, a prisão preventiva não tem duração fixa e pode ser decretada quando há risco à ordem pública, possibilidade de fuga ou de interferência no andamento do processo.
Segundo a PF, a medida é necessária diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos. A corporação também apontou risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
Operação Narcofluxo
A Operação Narcofluxo é um desdobramento da Narcobet e investiga uma estrutura complexa de lavagem de dinheiro. Conforme a Polícia Federal, o grupo teria criado um mecanismo financeiro para dar aparência legal a valores obtidos por meio de diferentes crimes.
Entre as estratégias apontadas estão a movimentação de grandes quantias em espécie, uso de criptoativos e a atuação de pessoas com grande visibilidade para promover plataformas ilegais, ampliando o alcance das operações sem levantar suspeitas.
Prisões
Com a decisão desta quinta, 36 investigados tiveram as prisões temporárias convertidas em preventivas e outros três passaram a cumprir prisão domiciliar. Entre os principais nomes estão Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, apontado como líder do esquema, e Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei e indicado como operador de mídia do grupo.
A investigação segue em andamento.