Foto: Rian Lacerda (Diário)
Pelo menos seis motociclistas caíram na Avenida Hélvio Basso, logo após a rotatória da Uglione, na manhã desta segunda-feira (15). Os acidentes ocorreram em um intervalo de cerca de uma hora e teriam sido provocados pelo acúmulo de material de uma obra em andamento, que, devido à umidade, formou uma camada escorregadia sobre a pista. Durante a manhã, ao menos cinco órgãos atuaram ou foram mobilizados para atender a ocorrência, entre eles, duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além do Corpo de Bombeiros, Departamento Municipal de Trânsito, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
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Obras no fim de semana justificam material na via

A presença dos resíduos na pista tem origem nas intervenções feitas no dia anterior. No domingo (14), o Dnit realizou um bloqueio parcial de tráfego, das 7h30min às 18h, na rótula do viaduto da Uglione, ponto de interseção entre as BR-158, BR-392 e BR-287. A operação, que desviou o trânsito temporariamente para a Rua Duque de Caxias, visava adequar a rotatória ao novo traçado viário da Travessia Urbana.
De acordo com um engenheiro ouvido pela reportagem, o resíduo deixado no asfalto após esses trabalhos é a Brita Graduada Simples (BGS), uma mistura de pedras britadas, areia e pó de pedra.
O motociclista Leonardo dos Santos, 26 anos, estava a caminho do trabalho como promotor de vendas e conduzia o veículo sozinho quando sofreu a queda. Apesar do susto e de ter tido o casaco e a calça rasgados, ele não se feriu com gravidade e planeja registrar um boletim para buscar ressarcimento.

– Eu vim bem devagarinho, mas, mesmo assim, acabei deslizando ali e fui para o chão. Só rasguei calça, casaco, mas de resto, tudo certo. Agora, tem que aguardar para ver se vão abrir alguma ocorrência para a gente colocar alguma coisa para ver se o Dnit dá uma indenização – relatou Leonardo.
Durante a cobertura no local, a reportagem flagrou outra queda em vídeo. O motorista de aplicativo Onézio Mendes da Silva transportava um passageiro e, ao fazer o retorno, derrapou na pista. O condutor machucou a perna, e o carona, com dores pelo corpo, precisou ser imobilizado em uma prancha e levado para atendimento.
– Tentei segurar, vinha com um passageiro, sou trabalhador de aplicativo. Fazendo o retorno ali, a moto escorregou. Deixaram o resto de obra aqui na faixa. Sou o quinto a cair. Não teve o que fazer, foi instantâneo – detalhou Onézio.
Bloqueio foi a solução

Apesar do número de quedas testemunhadas presencialmente, o Samu confirmou o acionamento oficial para duas ocorrências distintas no trecho, ambas envolvendo condutores sem passageiros e sem ferimentos graves. O primeiro chamado foi às 7h26min, para um homem de 47 anos, levado à Casa de Saúde. O segundo ocorreu às 7h55min, para um jovem de 20 anos, encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), este último era o passageiro de Onézio.
Para evitar novos acidentes, o Departamento de trânsito bloqueou a pista da direita, onde a brita estava concentrada, e desviou o fluxo de veículos para a faixa da esquerda, o que gerou lentidão no acesso à avenida. O Corpo de Bombeiros foi acionado para lavar a rodovia e eliminar o risco de derrapagens, no entanto, orientou que a medida poderia provocar mais acidentes. Com isso, restou o apenas o bloqueio da pista da direita.

A PRF atendeu a ocorrência e acionou o Dnit, responsável pelas obras executadas pela empresa Continental. Até o início da tarde, o departamento federal não havia retornado aos pedidos de posicionamento solicitados pelo Diário.