Programa Jogo de Cintura debate pressão para romper relações abusivas e alerta para riscos da “síndrome da salvadora”

Autor: Autora: Maria Eduarda Silva

Programa Jogo de Cintura debate pressão para romper relações abusivas e alerta para riscos da “síndrome da salvadora”

Fotos: Captura de tela do programa no YouTube

A cada dez programas do Jogo de Cintura, um episódio é dedicado ao debate sobre o fim da violência contra a mulher. Os especiais estavam previstos para começar em março, mas foram antecipados devido ao aumento dos casos de feminicídio no Estado.

“Por que vítimas de violência doméstica sofrem ao se sentirem obrigadas a romper com os agressores?” Esse foi o tema do segundo episódio da segunda temporada do “Jogo de Cintura Especial Pelo Fim da Violência Doméstica”, que foi ao ar no dia 23 de fevereiro. Apresentado pela jornalista Fabiana Sparrenberger, o programa contou com a participação da advogada Deborá Evangelista, das psicólogas Michele Bomicielli, Graziela Miolo e da psicanalista Gisela Azevedo.

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A atração abordou como a insistência para que a mulher denuncie ou se separe do agressor pode ampliar sentimentos de culpa e fracasso. Segundo Deborá, o primeiro passo sempre será o acolhimento. – Precisamos receber, ouvir e compreender o que aquela mulher vem trazendo – afirmou. Ela destacou também que impor a denúncia pode transformar o apoio em julgamento. – Eu não posso chegar e dizer: “Isso é violência. Amanhã, você vai denunciar”. Eu cuido o máximo para que eu não seja mais uma pessoa a julgar aquela mulher – disse a advogada.

Violência como ciclo

Michele reforça que a violência doméstica é um ciclo que envolve fatores emocionais, culturais, sociais e até neuroquímicos. De acordo com a psicóloga, a permanência na relação abusiva nem sempre é uma escolha consciente. – Ela não está ali porque quer. Ela foi condicionada a permanecer naquele lugar – comenta. 

Ainda conforme Michele, a dependência emocional ativa áreas do cérebro semelhantes às da dependência química, o que dificulta o rompimento. Outro fator a ser considerado, segundo Graziela, é o medo, que faz parte da construção histórica da experiência feminina. – A narrativa do medo faz parte da nossa história. Isso influencia como a mulher percebe pontos como segurança e proteção – argumenta a psicóloga.


“Síndrome da salvadora”

Um dos pontos centrais do debate foi a chamada “síndrome da salvadora”, quando amigas ou familiares insistem para que a mulher saia da relação a qualquer custo

Fabiana reconheceu que já se identificou com essa postura: – Ficamos tentando trazer argumento daqui e dali, mas se a pessoa não está preparada, podemos acabar tornando a situação ainda pior – refletiu.

Michele reforçou que, mesmo com intenção de ajudar, a pressão pode reproduzir mecanismos de violência.

Quando uma pessoa está se afogando, você não vai lá ensinar a nadar. Vai tirá-la dali. Mas isso não significa decidir por ela. Ela tem o direito de escolher, e nós precisamos respeitar – afirmou Michele.

Graziela Miolo (esq. camiseta amarela), Gisela Azevedo (esq. camiseta branca), Fabiana Sparremberger (apresentadora do Jogo de Cintura, camiseta roxa), Michele Bomicieli (dir. camiseta nude), Deborá Evangelista (dir. vestido escuro).Foto: Maria Eduarda Silva

Amizade entre mulheres

O programa Jogo de Cintura também abordou o papel das redes de apoio e das amizades femininas no enfrentamento da violência doméstica. Graziela definiu a relação entre mulheres como ferramenta de transformação social: 

A relação de amizade entre mulheres é um ato político muito importante e revolucionário na nossa cultura.

Segundo ela, não se trata de política partidária, mas de posicionamento coletivo.

– É um ato político de atitude. Isso nos fortalece e movimenta a nossa história – disse.

Para as participantes, o acolhimento entre mulheres deve ser baseado na escuta, e não na imposição. – É perguntar: “O que tu quer fazer?” “Como eu posso te ajudar?”, e não “Você precisa fazer isso” – afirmou Graziela.

Durante o programa, foi lida mensagem da psicóloga Vera Heringer, do Centro de Referência à Mulher, que falou sobre os sentimentos de luto, culpa e fracasso, muitas vezes, transmitido por vítimas acolhidas pelo serviço em Santa Maria.

As debatedoras ressaltaram que o rompimento envolve um processo de luto pela relação idealizada e pela identidade construída ao longo do vínculo. Além disso, alertaram que a violência pode continuar mesmo após a separação, especialmente em disputas judiciais envolvendo guarda e pensão.

O processo judicial não é terapêutico. Ele é um ato violento também – disse Deborá.

Um maiorpreparo por parte dos profissionais que atuam com casos de violência doméstica também foi defendido pela advogada, que destacou a importância de desenvolver uma escuta qualificada.

Eu tenho que orientar de forma jurídica, mas eu tenho que acolher como ser humano – concluiu a participante.


Como pedir ajuda:

Delegacia Online

Centro de Referência da Mulher (CRM)

  • Onde: Rua Tuiuti, 1.835, Centro
  • Quando: Segunda a sexta, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h
  • Informação:Telefone (55) 3174-1519 / WhatsApp (55) 99139-4971
  • E-mail: [email protected]

Defensoria Pública de Santa Maria

  • Endereço: Alameda Montevideo, 308, Sala 101, Nossa Senhora das Dores
  • Quando: Segunda a sexta, meio-dia às 18h
  • Telefone: (55) 3218-1032 e 129
  • E-mail: [email protected]
  • Em casos de emergência, disque 180 ou acione a Brigada Militar pelo 190

Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA)

  • Onde: Avenida Nossa Senhora Medianeira, 91, Bairro Medianeira
  • Quando: 24 horas.
  • Telefone: (55) 3174-2225 ou 190

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam)

  • Onde: Rua Duque de Caxias, 1.159, Centro
  • Quando: Segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h
  • Telefone: (55) 3174-2252 ou (55) 98423-2339

Rede de apoio

  • Central de Atendimento à Mulher: 180
  • Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp): 153
  • Juizado da violência doméstica: (55) 99617-5702

Assista ao programa completo na íntegra

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