Presidente Lula aprova lei de maior rigidez para crimes usados como forma de vingança contra mulheres

Presidente Lula aprova lei de maior rigidez para crimes usados como forma de vingança contra mulheres

Foto: Renan Mattos (Arquivo/ Diário)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quinta-feira (9), um pacote de leis voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Entre as medidas, está a criação do crime de vicaricídio, que ocorre quando filhos, parentes ou pessoas próximas são assassinados com o objetivo de atingir emocionalmente uma mulher.

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A nova legislação estabelece pena de 20 a 40 anos de reclusão, além de classificar o crime como hediondo. Com isso, condenados não poderão ser beneficiados com anistia, indulto ou fiança, e terão regras mais rígidas para progressão de regime.

O texto também prevê agravantes. A pena poderá ser aumentada em até metade se o crime for cometido na presença da mulher, contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência, ou ainda em caso de descumprimento de medida protetiva.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que as novas leis representam um avanço, mas destacou que ainda é necessário enfrentar as causas estruturais da violência.

A causa de muitas coisas hoje está muito facilitada pela comunicação sem controle nas plataformas digitais. O incentivo à violência e a sensação de impunidade acabam agravando esse cenário — declarou.

Monitoramento eletrônico de agressores

Outro ponto do pacote sancionado prevê o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para condenados por violência doméstica, em casos considerados de alto risco para a vítima. A medida autoriza o Judiciário a determinar o monitoramento como forma de prevenção.

A legislação também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e acompanhamento de mulheres em situação de violência, abrangendo casos de agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e descumprimento de medidas protetivas.

A primeira-dama Janja da Silva ressaltou que, embora importantes, as leis precisam ser acompanhadas de políticas públicas efetivas.

A tornozeleira e as medidas protetivas, sozinhas, não garantem a proteção. É preciso uma rede de apoio estruturada para evitar que essas mulheres sejam vítimas de feminicídio — afirmou.

Proteção a mulheres indígenas

O presidente também sancionou a lei que institui o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas, a ser celebrado em 5 de outubro.

A medida busca dar visibilidade a um cenário historicamente subnotificado. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2007 e 2017, foram registradas cerca de 8 mil notificações de violência contra mulheres indígenas no país.



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