Justiça encerra processo por prescrição contra acusado de golpe milionário em São Francisco de Assis

Justiça encerra processo por prescrição contra acusado de golpe milionário em São Francisco de Assis

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Na época do caso, mais de 400 pessoas teriam investido dinheiro em uma suposta financeira, atraídas pela promessa de rendimentos mensais de cerca de 2,5%, percentual acima do praticado no mercado.

A Justiça declarou extinta a punibilidade de um ex-bancário acusado de aplicar um golpe financeiro em São Francisco de Assis. A decisão, da 1ª Vara Judicial do município, reconheceu a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva do Estado no caso, que envolvia um falso consórcio que teria causado prejuízo de R$ 1,8 milhão a centenas de moradores do município.

Conforme a sentença, a denúncia foi recebida em 17 de janeiro de 2018. No entanto, ao analisar o andamento do processo, o magistrado constatou que o prazo prescricional de seis anos para julgar o caso, previsto no Código Penal para o caso, encerrou-se em 17 de janeiro de 2024. Sendo assim, o processo foi extinto. 

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De acordo com a decisão, entre o recebimento da denúncia e a análise atual do processo transcorreram mais de seis anos sem a ocorrência de causas legais capazes de suspender ou interromper a contagem do prazo prescricional. Diante disso, o juiz reconheceu a perda do direito do Estado de aplicar eventual punição e declarou extinta a punibilidade do réu em relação a todos os fatos imputados na denúncia. Com a decisão, também foi determinado o cancelamento de uma audiência de instrução e julgamento, que estava marcada para o dia 4 de março deste ano.

O despacho ainda determinou a comunicação da decisão ao juiz responsável por um processo de insolvência civil do ex-bancário, que tramita na 3ª Vara Cível da Comarca de Santa Maria. A insolvência significa que a
pessoa é incapaz de pagar suas dívidas.

A decisão judicial reacendeu a lembrança do caso que marcou a comunidade de São Francisco de Assis, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes de acordo com o último Censo, e deixou centenas de moradores com prejuízos financeiros. Entre as vítimas do golpe financeiro, está o radialista Carlos Nei Corrêa Bisso, 73 anos, que é parente do ex-bancário. Ele relata que investiu recursos próprios e também valores de um precatório recebido pela esposa, professora aposentada do Estado.

- Na época perdi R$ 150 mil, mas ele também pegou o precatório da minha esposa. Como ele era parente, a gente confiava. Ele levou o dinheiro dizendo que iria buscar a promissória, mas nunca mais vi um centavo - relata.

Segundo Bisso, no início os pagamentos de juros eram feitos regularmente, o que aumentou a confiança de investidores.

- Teve uma época que ele pagava certinho, um por cento ou um e meio por cento. Eu tirei dinheiro da poupança na ilusão de ganhar juros um pouco maiores. Mas depois disso, nunca mais vi esse dinheiro - desabafa.

O radialista afirma que a imagem construída ao longo dos anos ajudou a conquistar a confiança de moradores da cidade.

- Aqui ele era respeitável, cordial com todo mundo. Frequentava a igreja, era uma pessoa muito querida na cidade e conquistou a confiança do povo - diz.

Mesmo após os prejuízos, Bisso buscou seguir em frente.

- Hoje sigo trabalhando no rádio e tocando a vida. Não tenho rancor, porque ficar com raiva só prejudica a gente. Mas muita gente aqui perdeu dinheiro e se sente lesada - conclui.


Relembre o caso

O caso ganhou grande repercussão na época após moradores de São Francisco de Assis relatarem prejuízos provocados por um suposto esquema financeiro que teria afetado a economia do município. Segundo estimativas divulgadas na época, mais de 400 pessoas teriam investido dinheiro em uma suposta empresa financeira, atraídas pela promessa de rendimentos mensais de cerca de 2,5%, percentual acima do praticado no mercado.

Entre os investidores, estavam comerciantes, aposentados, trabalhadores e profissionais liberais. Muitos afirmaram ter aplicado economias de anos, valores de indenizações trabalhistas ou recursos provenientes da venda de propriedades. 

O montante movimentado pelo esquema foi estimado entre R$ 15 milhões e R$ 25 milhões. Em alguns casos, as perdas individuais foram elevadas. Conforme relatos de vítimas, houve pessoas que perderam R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 50 mil e mais de R$ 100 mil. Uma única família teria registrado prejuízo próximo de R$ 900 mil.

De acordo com os relatos, no início os investidores recebiam os juros prometidos regularmente. Com o passar do tempo, os pagamentos teriam sido interrompidos e o responsável pela empresa deixou a cidade.

Na época, a Polícia Civil abriu investigações e chegou a solicitar bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário do suspeito e de familiares. Parte das vítimas também se organizou em uma associação para tentar recuperar os valores investidos.


O que diz a defesa

Na época do fato, a defesa do acusado, representada pelo advogado Daniel Tonetto, sustentou que não houve golpe, afirmando que a empresa enfrentou dificuldades financeiras e acabou quebrando. Segundo o advogado, o cliente teria intenção de buscar formas de ressarcir as pessoas que alegam ter sido prejudicadas.

A defesa foi procurada para se manifestar sobre a decisão da Justiça sobre o caso, mas informou que não irá se manifestar.

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