Com 11 escolas estaduais em obras, rotina escolar em Santa Maria é marcada por adaptações e deslocamentos em 2026

Autor: Vitória Sarturi

Com 11 escolas estaduais em obras, rotina escolar em Santa Maria é marcada por adaptações e deslocamentos em 2026

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

O cotidiano de milhares de estudantes em Santa Maria tem sido marcado por uma rotina de adaptações. Um investimento de R$ 19,3 milhões do governo do Estado está transformando a estrutura de 11 escolas na cidade. A logística, que inclui desde o uso de espaços alugados até salas divididas, marca um período de transição em busca de prédios modernizados.

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As intervenções focam na recuperação estrutural e estética das instituições, conforme demandas individuais. O cronograma prevê sanar problemas de infiltração, além de reformas nas redes elétricas e hidráulicas. O projeto também contempla a acessibilidade das edificações e a pintura geral, tanto interna quanto externa, renovando ambientes que há anos aguardavam por melhorias. 

A situação é monitorada pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Segundo o coordenador José Luis Viera Eggres, o planejamento foi feito para minimizar os transtornos, mas a convivência com as reformas é inevitável. 

– É um desafio manter as atividades escolares ao mesmo tempo em que se faz uma reforma. Em alguns momentos o impacto é maior, noutros menor, mas tudo foi ajustado com os diretores para que as obras aconteçam com o menor impacto possível – explica Eggres.


Mudanças na tradição do Olavo Bilac

No Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac, a rotina foi alterada logo na entrada. Onde aproximadamente 1.120 alunos passavam todos os dias, a imponente fachada histórica agora está escondida por tapumes e redes de proteção. Uma placa avisa: “entrada permitida apenas para pessoas autorizadas”. Desde 2025, o acesso principal está bloqueado, obrigando estudantes e professores a utilizarem uma entrada secundária. 

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Com um investimento de R$ 6,7 milhões para restauro, a escola precisou alugar salas no prédio da Faculdade Integrada de Santa Maria (Fisma). Desde agosto de 2025, o novo endereço – situado a cerca de 2 km da sede do Bilac – faz parte da rotina de 151 alunos, de oito turmas, do oitavo e nono anos, que se deslocam diariamente para as aulas no prédio complementar. 

Alguns jovens, inclusive, optaram por deixar a escola por conta do gasto financeiro ocasionado pelo deslocamento e devem retornar apenas ao final das obras. Segundo a direção, eles gostariam de ter transporte, mas essa possibilidade é inviável. 

Para quem ficou na sede, a realidade é de "aperto". A diretora Carla Teixeira relata que espaços pedagógicos tradicionais estão temporariamente suspensos. 

Carla Teixeira, diretora do Instituto Estadual Olavo BilacFoto: Vitória Sarturi (Diário)

– Ficamos sem biblioteca, laboratório de ciências e de informática. Como o espaço reduziu e segmentos diferentes estão juntos no mesmo pátio, o barulho de um grupo acaba atrapalhando o outro. Ainda estamos nos adaptando – relata.

Embora a previsão inicial do governo estadual apontasse para a conclusão das obras em julho deste ano, a entrega foi adiada. Após a assinatura de um termo aditivo, o novo cronograma agora prevê a finalização das intervenções para o segundo semestre de 2026 ou início do ano letivo de 2027 – conforme a direção. 


Perspectiva dos estudantes: barulho e distância

Para os alunos do Instituto Olavo Bilac, a reforma é uma promessa de futuro, mas um obstáculo no presente. Deslocamentos constantes de salas de aula e a perda de referências, como a biblioteca, são as queixas mais comuns nos corredores.

Nicolas Cortes Carvalho, 17 anos, estuda há dez anos na escola e ressalta a falta de espaço nas salas atuais: 

Nicoles Cortes Carvalho, 17 anos, estudante do Instituto Olavo BilacFoto: Vitória Sarturi (Diário)

– A logística ficou complicada. As salas são muito pequenas e, se todos os que estão na chamada viessem, ficaria superlotada. 

Já Gabriela Martins Francischetto, 16 anos, sente falta dos recursos pedagógicos e aguarda com otimismo o fim das obras: 

Gabriela Martins Francischetto, 16 anos, estudante do Instituto Estadual Olavo BilacFoto: Vitória Sarturi (Diário)

– Sinto muita falta da biblioteca. Mesmo que não usássemos o tempo todo, sabíamos que tinha um lugar para pesquisar e ler. Espero que quando concluírem essa reforma tudo seja diferente e que as coisas venham para melhorar.


O cenário no Colégio Tancredo Neves

A gestão de espaço também foi um dilema no Colégio Estadual Tancredo Neves, que conta com investimento de R$1,3 milhão para obras de restauro. No segundo semestre de 2025, a escola chegou a utilizar cortinas e armários para dividir salas de aula, onde duas turmas diferentes compartilhavam o mesmo espaço e quadro para não interromper as aulas.

Escola Estadual Tancredo NevesFoto: Rian Lacerda (Diário)

Com o início do ano letivo de 2026, a situação foi normalizada. Atualmente, a reforma concentra-se na parte administrativa e na sala de educação especial, que foram realocadas para que cada turma voltasse a ter sua própria sala.

Segundo a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), a obra enfrentou atrasos pela dificuldade da empresa em contratar trabalhadores, mas uma força-tarefa priorizou os serviços essenciais para garantir o retorno dos alunos.

Apesar das mudanças, a expectativa da direção é positiva. 

Anderson Hartmann, diretor da Escola Estadual Tancredo NevesFoto: Rian Lacerda (Diário)

– A obra era uma solicitação antiga da comunidade e extremamente necessária, com a conclusão teremos espaços mais adequados e com qualidade – afirmou o diretor, Anderson Hartmann. 


Cronograma e frentes de trabalho

Enquanto as escolas gerenciam o dia a dia pedagógico, a Secretaria de Obras Públicas (SOP) fiscaliza as intervenções. Além das 11 frentes em Santa Maria, a 8ª Coordenadoria Regional coordena obras em Faxinal do Soturno e São Francisco de Assis.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

A previsão é que a maioria das reformas, como as das escolas Princesa Isabel, Érico Veríssimo e Coronel Pilar, seja entregue ainda no primeiro semestre de 2026. Já as intervenções mais complexas, como o restauro do Olavo Bilac e a reforma da Escola Cícero Barreto, devem seguir até o final do ano ou início de 2027.


Obras em Santa Maria

  • Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac: Conservação, restauro e revitalização de salas de aula, museu e área administrativa. Manutenção do bloco que abrigará nova cozinha e refeitório.
    • Investimento: R$ 6,4 milhões | Prazo: 2º semestre de 2026
  • Escola Estadual Básica Érico Veríssimo: Substituição de divisórias, portas, esquadrias e cobertura. Manutenção elétrica, hidrossanitária, troca de forros e pintura.
    • Investimento: R$ 2,7 milhões | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Escola Básica Estadual Cícero Barreto: Substituição da cobertura, recuperação de rebocos, troca de esquadrias, novas luminárias e reparos hidrossanitários.
    • Investimento: R$ 1,6 milhão | Prazo: 2º semestre de 2026
  • Escola Estadual de Ensino Médio Naura Teixeira Pinheiro: Reforma de laboratórios, manutenção da cobertura, elétrica e pintura do piso da quadra e fachadas.
    • Investimento: R$ 1,4 milhão | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Colégio Estadual Tancredo Neves: Troca de calhas, cobertura e forros. Manutenção das instalações elétricas e hidrossanitárias e pintura geral.
    • Investimento: R$ 1,4 milhão | Prazo: 2º semestre de 2026
  • Colégio Estadual Coronel Pilar: Reforma da cobertura e das instalações elétricas, incluindo a subestação de energia.
    • Investimento: R$ 1,1 milhão | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Escola Estadual Professora Celina de Moraes: Manutenção da cobertura, calhas, elétrica e substituição de forros.
    • Investimento: R$ 583 mil | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Colégio Estadual Professora Edna May Cardoso: Manutenção da cobertura, impermeabilização de lajes, novas bancadas de granito e recuperação do muro.
    • Investimento: R$ 441,9 mil | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Escola Estadual de Ensino Médio Princesa Isabel: Instalação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas (para-raios) e nova entrada de energia.
    • Investimento: R$ 246 mil | Prazo: 1º semestre de 2026
  • Escola Estadual de Ensino Fundamental Marieta Dambrosio: Impermeabilização de paredes, nova entrada de energia elétrica e substituição de pisos e assoalhos.
    • Investimento: R$ 190,8 mil | Prazo: 1º semestre de 2026


Obras na Região (8ª Crop)

  • Instituto Estadual de Educação Salgado Filho (São Francisco de Assis): Reconstrução de arquibancada da quadra, troca de cobertura, manutenção elétrica e hidrossanitária.
    • Investimento: R$ 2,4 milhões | Prazo: 2º semestre de 2026
  • Escola Estadual de Ensino Fundamental Laerte Jobim (São Francisco de Assis): Adequação de banheiros, reforma da cobertura, pintura interna e externa e muro de contenção.
    • Investimento: R$ 820 mil | Prazo: 2º semestre de 2026
  • Escola Estadual São Domingos Savio (Faxinal do Soturno): Recuperação total do telhado e substituição do forro.
    • Investimento: R$ 194 mil | Prazo: 2º semestre de 2026


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