Foto: Arquivo Pessoal
A Polícia Civil de Agudo investiga o desaparecimento de um cão comunitário que teria sido agredido e levado para o interior do município na noite de domingo (8). O animal foi flagrado por câmeras de monitoramento. As imagens, às quais o Diário teve acesso, mostram o cão sendo conduzido por um homem com uma corda. Buscas foram realizadas por moradores em áreas de mata nesta quarta-feira (11), mas nada foi encontrado.
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Imagens mostram ação

O Diário teve acesso a câmeras de segurança que mostram, por volta das 19h do último domingo (8), o cão atravessando uma avenida da cidade e se deslocando até o outro lado da via, onde fica uma sorveteria. Minutos depois, uma caminhonete estaciona do outro lado da rua. O cão sai da sorveteria e fica na calçada observando a rua. Logo depois, um homem vestindo roupas escuras sai de perto da caminhonete e se dirige até o cachorro. Ele atravessa a avenida portando uma corda grande nas mãos e se aproxima do cão em um ponto que não é possível ver nas imagens, na entrada de uma garagem aberta.
Pouco tempo depois, o cão sai deste ponto e segue um casal que passa em frente à garagem ao lado da sorveteria. O homem segue o cão e faz um gesto que parece ser um pedido para o casal segurar o animal. A câmera de segurança não mostra o que vem a seguir, mas cerca de um minuto depois capta o homem atravessando a avenida novamente em direção à caminhonete já com o cão atado à corda.
Ele e o motorista da caminhonete conversam. O motorista entra no veículo. O homem que estava com a corda sai de trás do carro e se desloca a pé. As últimas imagens mostram o homem atravessando novamente a avenida carregando o cão com uma corda até sair do campo de visão. Daquele ponto em diante, moradores afirmam que ele não foi mais visto.
Investigação e buscas
A delegada titular da Delegacia de Polícia de Agudo, Jaqueline Siqueira Pellegrini, confirmou que o registro de ocorrência por crueldade contra animais foi feito na tarde de terça-feira (10).
– Conforme o registro, um cãozinho comunitário teria sido agredido por um homem e depois teria sido abandonado no interior. Já foi instaurado o inquérito policial e estamos procurando imagens das câmeras do município para flagrar as agressões e verificar para onde ele foi levado, para que possamos fazer buscas mais certeiras – explica Jaqueline.
A ONG Aujude, que atua na proteção animal em Agudo, acompanha o caso. Nilza Vieira, integrante da ONG, relata que o desaparecimento causou estranheza imediata. A apuração indica que o animal teria sido deixado no Morro do Pite, uma região de difícil acesso.
– Não sabemos se ele está vivo ou morto, mas acreditamos que esteja vivo e, talvez, machucado. Ele era um cão que vivia dentro dos estabelecimentos comerciais e nunca houve relato de agressividade – reforça a protetora.
Relação com a comunidade
Lidiane Brito, moradora que servia de referência para o animal, mostra o lugar onde o "cão amigo" costumava dormir em dias específicos. Embora ele vivesse como um cão comunitário, Lidiane chegou a tentar a adoção formal, mas o animal não se adaptava ao pátio fechado. Respeitando a vontade do cão, ela o deixou viver na rua, mas mantinha o suporte de cuidados.
– Nós tentamos adotar, tanto que ele tem uma casa aqui. Ele não gostava muito de ficar preso, mas este era o lugar onde ele vinha e dormia quando chovia ou sentia frio. Às vezes, eu ficava admirada que ele chegava a passar um dia inteiro aqui. Quando estava descansado, ele chamava no portão, gritava para dizer que queria sair – conta Lidiane.
A rotina de cuidados era dividida com a vizinhança, mas tinha na casa de Lidiane o ponto principal. O animal, chamado carinhosamente de Manão por ela, recebia água gelada trocada várias vezes ao dia e alimentação garantida todas as noites.
– Ele dormiu aqui uns dois dias antes do que aconteceu. A ligação que eu tenho com ele é muito forte. Eu o chamava de Manão por causa dos outros cães pequenos do pátio, e ele adorava brincar com eles. Quando eu saía na rua e não o via, já sentia falta. Ele era uma criança em vida – relata a moradora emocionada.
O cão era conhecido também pela sua docilidade. Fernando da Silva, autônomo, 25 anos, descreve a ligação do animal com a sua filha de apenas oito meses.
– Aonde a gente ia, ele estava junto. Ele botava as patinhas em cima do carrinho dela pedindo carinho. Como uma pessoa que é pai e mãe deixaria uma nenê de oito meses botar a mão dentro da boca do cachorro se ele fosse agressivo? Ele não era, nem um pouco. Ontem, quando descobrimos o que aconteceu, acabou com a nossa noite – desabafa Fernando.
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