Foto: Vinicius Becker (DIário)
Em entrevista à Rádio CDN, ex-vereadora de Santa Maria afirmou que resultado não foi uma surpresa absoluta, criticou decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin e defendeu análise sobre a prorrogação da votação.

A ex-vereadora de Santa Maria e integrante do PL Roberta Leitão criticou a condução do segundo turno das eleições presidenciais e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25). Em entrevista à Rádio CDN, já depois da divulgação do resultado, ela afirmou que a derrota do candidato de seu partido não foi uma surpresa absoluta, mas questionou as circunstâncias da votação e defendeu uma análise sobre a prorrogação do horário eleitoral.
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— Eu não te digo que foi uma surpresa absoluta, porque a gente vem acompanhando a política há muito tempo, né? É óbvio que a gente tinha uma expectativa de vitória pelo trabalho que foi feito — afirmou.
Na avaliação da ex-vereadora, a campanha foi marcada pelo que classificou como uso da máquina pública, disseminação de notícias falsas e promessas eleitorais feitas pelo governo federal. Ela citou medidas relacionadas ao Microempreendedor Individual (MEI) e ao Bolsa Família como exemplos de ações que, segundo sua interpretação, teriam sido concentradas no período eleitoral.
As afirmações representam a avaliação política de Roberta e não comprovam, por si só, irregularidades na campanha.
Críticas à prorrogação da votação
Um dos principais pontos da entrevista foi a decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do STF, de ampliar o horário de votação no segundo turno. Roberta criticou a medida, que, segundo ela, teria sido tomada depois das 17h e provocado dificuldades na organização do processo eleitoral. A ex-vereadora também questionou a competência do Supremo para decidir sobre a questão, argumentando que a condução das eleições cabe à Justiça Eleitoral.
Durante a entrevista, o jornalista Denis Oliv lembrou que tanto o PT quanto o PL haviam apresentado pedidos relacionados à ampliação do horário de votação. Roberta, porém, argumentou que as solicitações tinham abrangências diferentes.
Segundo ela, o pedido do PL teria sido direcionado a municípios específicos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, em razão de dificuldades de acesso aos locais de votação. Já a solicitação do PT teria sido encaminhada ao STF e envolveria um número maior de estados.
Na avaliação da ex-vereadora, a decisão atribuída a Zanin teria ultrapassado o alcance do pedido apresentado pelo PT. Ela classificou a situação como um problema institucional e afirmou que a medida teria provocado insegurança entre eleitores e servidores da Justiça Eleitoral.
Roberta defende análise sobre o resultado
Questionada sobre a vantagem de aproximadamente 4 milhões de votos de Lula, Roberta afirmou que não estava contestando diretamente os números apresentados na apuração.
— Não é uma questão de crença, Deni. Eu não estou questionando números. Eu acabei de te dizer todos os fatores que eu considero que levaram a isso, né? — respondeu.
Apesar disso, ela defendeu que fosse realizada uma análise para verificar os efeitos da ampliação do horário de votação.
— Agora, se existiu, se foi nessas duas horas a mais, se não foi, bom, isso é preciso que se faça aí toda uma análise, uma auditoria para ver o que que realmente aconteceu no Brasil — declarou.
A entrevistada não apresentou dados que demonstrassem alteração no resultado eleitoral em razão da prorrogação. Suas críticas foram direcionadas principalmente ao procedimento adotado e à atuação das instituições.
Ao ser questionada se o PL ou Flávio Bolsonaro pretendiam contestar formalmente o resultado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Roberta afirmou que ainda não havia recebido informações sobre uma eventual medida.
— Essa informação a gente ainda não tem para passar, e eu não vou ser leviana de arriscar alguma coisa — disse.
Reação dos apoiadores e confiança nas instituições
Roberta também foi questionada sobre a reação dos apoiadores de Flávio Bolsonaro após a derrota. Segundo ela, o sentimento predominante entre as pessoas com quem teve contato era de insatisfação e descrença nas instituições brasileiras.
— A sensação é de muita injustiça. A sensação é de descrença nas instituições, é de descrença no que aconteceu — afirmou.
A ex-vereadora relatou que esteve na Justiça Eleitoral de Santa Maria e conversou com servidores que, segundo ela, também estariam incomodados com a situação. Essa percepção foi apresentada como relato pessoal da entrevistada.
Questionada sobre a possibilidade de manifestações de apoiadores de Flávio Bolsonaro, Roberta evitou fazer previsões.
— Eu não vou falar pelos outros, isso seria uma leviandade da minha parte, um pré-julgamento — respondeu.
Ela acrescentou que considera o episódio um problema institucional, e não apenas uma divergência entre eleitores de direita e de esquerda.
Expectativa sobre a atuação do Congresso
Na parte final da entrevista, Roberta comentou a composição do Congresso Nacional e a possibilidade de parlamentares de direita ampliarem a fiscalização sobre o Supremo Tribunal Federal.
A ex-vereadora afirmou acreditar que deputados e senadores alinhados à direita poderão atuar em pautas relacionadas à Corte, incluindo eventuais pedidos de impeachment de ministros e a análise de futuras indicações ao STF.
— Eu acredito que sim, que deputados e senadores da direita vão fazer esse enfrentamento, que vão pautar impeachment de ministro do Supremo, aquilo que for necessário fazer, que vão barrar nomes que devem ser barrados nas próximas indicações — declarou.
Roberta também demonstrou preocupação com o equilíbrio entre os Poderes e afirmou esperar que o Congresso exerça suas atribuições institucionais durante o próximo mandato presidencial.
A entrevista ocorreu após a confirmação da reeleição de Lula para um quarto mandato como presidente da República. Apesar da derrota nacional de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL foi o mais votado em Santa Maria no segundo turno, com 81.900 votos (51,66%), contra 76.629 votos (48,34%) do petista.
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