Foto: Vinicius Becker (Diário)
A Polícia Civil segue investigando o incêndio criminoso e os disparos de arma de fogo contra o espaço de festas pertencente ao vereador Tony Oliveira, ocorrido na noite de 26 de novembro de 2025, em Santa Maria. Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5), a delegada da 2ª Delegacia de Polícia, Alessandra Padula, afirmou que a Operação Fire, deflagrada na quarta-feira (4), permitiu esclarecer grande parte do caso, apontando a disputa comercial como principal motivação do ataque.
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A ação policial cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento no crime, que aconteceu por volta das 21h15min, às margens da VRS-516, na localidade de Santo Antão. Segundo a delegada, as investigações começaram ainda no dia do incêndio e avançaram após a ocorrência de um segundo ataque, com características semelhantes, registrado em dezembro, em outro estabelecimento da região.
Investigação conjunta e prisões
De acordo com Alessandra Padula, o trabalho investigativo foi conduzido de forma integrada entre a 2ª e a 3ª Delegacias de Polícia de Santa Maria, em razão da semelhança entre os crimes.
– Desde o dia do fato, os agentes da vinham trabalhando de forma incessante. Posteriormente, no mês de dezembro, tivemos um outro incêndio em um estabelecimento próximo, nos mesmos moldes, o que chamou bastante atenção e levou a uma atuação conjunta das delegacias – explicou.
A operação resultou no cumprimento de duas prisões preventivas e na prisão em flagrante de um casal durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Conforme a delegada, o homem preso em flagrante é apontado como um dos responsáveis por planejar e organizar o ataque.
– Esse homem seria um dos responsáveis por arquitetar toda a ação, participando da logística, providenciando a arma, o combustível e o veículo utilizados na ação – afirmou.
Padula ainda disse que além do casal, mais duas prisões preventivas foram realizadas na quarta(4), e está sendo apurada a participação de outras duas pessoas.
Motivação ligada à disputa comercial
A delegada destacou que, apesar de especulações iniciais, a investigação aponta que o crime não teve motivação passional.
– Ao que tudo indica, a motivação é mais ligada à parte financeira, e não a uma suposta traição – disse Padula.
Segundo ela, o homem preso é proprietário de outro salão de festas, localizado nas proximidades do espaço que foi atacado, o que reforça a linha de investigação de concorrência entre estabelecimentos.
– Seria uma questão de concorrência. Ele teria tentado intimidar o vereador Tony, proprietário da casa de festas, por desavenças comerciais – acrescentou.
A participação da mulher presa em flagrante ainda será apurada com mais detalhes.
– Precisamos apurar melhor a participação dela. Ela foi presa porque estava na residência no momento da busca, quando duas armas foram apreendidas – explicou a delegada.
Vídeo foi localizado em celular apreendido
A delegada Alessandra Padula também comentou sobre o vídeo que registra a ação criminosa, que ganhou repercussão após a divulgação pela Polícia Civil. Segundo ela, o material foi localizado durante a análise de um dos celulares apreendidos na operação.
– Foram apreendidos alguns celulares, alguns já passaram por análise e outros ainda estão pendentes. Esse vídeo foi encontrado em um dos aparelhos apreendidos – afirmou.
A delegada ressaltou que, após ser compartilhado, esse tipo de material acaba circulando rapidamente.
Crimes investigados e dificuldades na apuração
Conforme a Polícia Civil, os envolvidos podem responder, em um primeiro momento, pelos crimes de incêndio criminoso, disparo de arma de fogo, posse ilegal de arma e associação criminosa.
O homem apontado como responsável pela logística do ataque permaneceu em silêncio durante o interrogatório e negou participação nos fatos.
A delegada ressaltou que a investigação foi complexa, especialmente pelas características do local onde ocorreu o crime.
– É um lugar com pouca câmera e sem testemunhas. Foi uma investigação difícil, que demandou outros tipos de diligências – relatou.
Ainda assim, a polícia conseguiu identificar os autores imediatos do incêndio e os responsáveis por organizar a ação.
– Conseguimos chegar tanto em quem foi lá e ateou fogo no local quanto nas pessoas envolvidas na logística e na orquestração do crime – disse.
Prazo para conclusão do inquérito
Segundo Alessandra Padula, a Polícia Civil ainda tem diligências pendentes e trabalha para individualizar a participação de cada envolvido. O inquérito deve ser concluído em até 10 dias e encaminhado ao Poder Judiciário.
– Temos esse prazo para esclarecer pontos pendentes, individualizar condutas e concluir o inquérito – afirmou.
Além do casal e dos presos preventivamente, outras pessoas já tiveram participação identificada e podem ser responsabilizadas conforme o avanço das investigações.
Confira a entrevista completa