Foto: Vitória Sarturi (Diário)
Esposa de Odirlei, Larissa Dornelles, 38 anos
Em meio ao céu azul da manhã desta terça-feira (28) e a paisagem verde do Jardim Botânico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), familiares, amigos e colegas de trabalho de Odirlei Vianei Uavniczak se reuniram para uma homenagem que marcou um mês de sua partida. A frase “Amigo é coisa para se guardar”, da canção de Milton Nascimento, entoada pelos presentes, foi o fio condutor do encontro que transformou o luto em celebração às boas memórias.
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Odirlei, carinhosamente chamado de "Odi", tinha 39 anos e era servidor da Ouvidoria da UFSM. Ele faleceu em 28 de março, em Tramandaí, após resgatar o filho de 7 anos, que havia caído em um buraco no mar. Embora tenha conseguido salvar o menino, Odirlei não resistiu às lesões causadas pelo afogamento e faleceu no hospital.
Memória
A escolha do Jardim Botânico para a cerimônia não foi por acaso. Entre 2023 e 2024, Odirlei integrou um curso de mediação de conflitos junto à diretora do local, Simone Messina. O desejo do servidor era realizar a última aula da capacitação naquele espaço, o que não foi possível na época devido às fortes chuvas.
Ao saber da partida do amigo, Simone, junto com a ouvidora da UFSM Adriele Machado Rodrigues, decidiu realizar aquela "aula pendente" em formato de tributo. Para simbolizar essa presença, foi escolhido um ipê-amarelo – árvore que representa resiliência e renascimento.
– O amarelo intenso simboliza a luz e alegria, como alguém que marcou positivamente a vida de todos. É a memória viva de uma árvore que cresce e permanece por muitos anos, assim como as lembranças com o Odi.
"Era uma pessoa que nos gerava orgulho"
Durante a homenagem, o silêncio inicial da perda deu lugar a uma roda de violão. Ao som de canções como “Tempo, Tempo”, de Caetano Veloso, e “Tocando em Frente”, de Almir Sater, os presentes relembraram o "brilho no olhar" e o compromisso de Odirlei com a instituição. O assessor do gabinete do reitor e colega próximo, Paulo Ricardo de Jesus Costa Filho, recordou um café compartilhado poucos dias antes do acidente.

– O que me dá um pouco de conforto é ter dito pra ele o quanto eu o admirava, porque ele era uma pessoa que nos gerava orgulho – afirmou Costa Filho.
O plantio da muda foi o momento culminante da manhã. Enquanto familiares e colegas ajustavam a árvore à terra, a tarefa final de regar as raízes ficou com o filho, simbolizando a continuidade do cuidado e do amor.
"Alguém que deu a própria vida pelo filho"
Emocionada, a esposa de Odirlei, Larissa Dornelles, 38 anos, leu uma carta de agradecimento pelos nove anos de união e pelo orgulho do homem que ele foi: um incentivador de sonhos e um profissional responsável.
– Ele era alguém que fazia diferença por onde passava, mas, acima de tudo, um pai herói. Alguém que deu a própria vida pelo filho. Esse é um amor que jamais será esquecido – declarou.

A cerimônia foi encerrada com uma roda de oração e um ato simbólico: balões brancos foram soltos levando mensagens escritas à mão. Entre os papéis, um deles se desprendeu – uma pequena exceção que trazia o recado do sobrinho Samuel Campara dos Santos, 23 anos, resumindo o sentimento coletivo:
– Tio Odirlei, prometo proteger e zelar pela nossa família. Você faz muita falta aqui e eu te amo muito.
A homenagem contou também com a presença da reitora da UFSM, Martha Adaime, e do ex-reitor da instituição, Paulo Burmann.