Foto: Redes Sociais (Reprodução)
A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, nesta sexta-feira (17), marca o fim de uma das carreiras mais emblemáticas da história do esporte. Conhecido como “Mão Santa”, o ex-jogador sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba (SP), mas não resistiu. O corpo será cremado, e a despedida ocorrerá de forma reservada, restrita a familiares e amigos, conforme desejo da família.
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Em nota, os familiares destacaram a luta de mais de 15 anos contra um tumor cerebral e o legado construído dentro e fora das quadras. “Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações”, diz o comunicado.
Uma carreira que atravessou gerações
Nascido em Natal (RN), Oscar Schmidt construiu uma trajetória que passou por alguns dos principais clubes do Brasil e da Europa. No país, defendeu equipes como Palmeiras, Sírio, América, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo. No exterior, teve destaque especialmente na Itália, atuando por JuveCaserta e Pavia, além de passagem pelo Fórum Valladolid, na Espanha.
O reconhecimento pelo impacto dentro de quadra também se traduziu em homenagens raras: ao longo da carreira, teve quatro camisas aposentadas. São elas a 18 do Caserta (Itália), a 11 do Pavia (Itália), a 14 do Unidade Vizinhança (Brasília) e a 14 do Flamengo, símbolo máximo de sua identificação com o basquete brasileiro.
Mesmo sem atuar na NBA, foi reconhecido mundialmente e integrou o Hall da Fama da liga e também da Federação Internacional de Basquete (Fiba). Em duas oportunidades, recusou contratos na principal liga do mundo para seguir defendendo a seleção brasileira, decisão que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo de dedicação ao país.
O auge da carreira teve como um dos marcos a conquista do ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil venceu os Estados Unidos dentro de casa, em uma das maiores vitórias da história do basquete.

Números de uma lenda
Os números de Oscar ajudam a dimensionar o tamanho do legado deixado pelo “Mão Santa”:
- 49.737 pontos ao longo da carreira profissional, sendo por anos o maior pontuador da história do basquete
- 7.693 pontos pela seleção brasileira, recorde absoluto
- 1.093 pontos em Jogos Olímpicos, maior marca da história da competição
- Participação em cinco Olimpíadas consecutivas (1980, 1984, 1988, 1992 e 1996)
- Cestinha de três edições olímpicas (Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996)
- 55 pontos em uma única partida olímpica, recorde histórico
- 893 pontos em Campeonatos Mundiais
- 13.957 pontos no Campeonato Italiano, maior marca entre estrangeiros
- Média de 34,6 pontos por jogo na liga italiana ao longo de 11 temporadas
- 271 partidas consecutivas disputadas na Itália sem ausência
- 90 lances livres consecutivos convertidos em jogos profissionais
- Mais de 300 partidas pela seleção brasileira, com média superior a 23 pontos por jogo
Respeito mundial e legado
O reconhecimento internacional veio mesmo sem a experiência na NBA. Ídolos do basquete mundial, como Kobe Bryant, já manifestaram admiração pelo brasileiro, que também foi homenageado nos Estados Unidos e incluído no Hall da Fama em 2013.

Neste mês de abril, Oscar ainda havia sido incluído no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, em uma homenagem recente à sua trajetória.
Após encerrar a carreira, em 2003, seguiu ligado ao esporte e também ficou conhecido pelas palestras motivacionais, nas quais relembrava momentos marcantes, como a histórica vitória sobre os norte-americanos no Pan de 1987. Em entrevista ao ge, chegou a afirmar que assistia ao jogo com frequência e tratava o episódio como um dos pontos altos da carreira.
Luta contra a doença
Diagnosticado com câncer no cérebro em 2011, Oscar passou por cirurgias e tratamentos ao longo dos anos. Em diferentes momentos, demonstrou otimismo e chegou a afirmar publicamente que se considerava curado, mantendo o bom humor e o espírito resiliente que marcaram sua trajetória.
A morte encerra uma história construída com números impressionantes, decisões marcantes e reconhecimento global. Para além dos recordes, Oscar Schmidt deixa como legado a transformação do basquete brasileiro e a inspiração para gerações de atletas.