Formigueiro

VÍDEO: moradores têm diferentes versões sobre o suposto golpe do gado na região

Suspeito de estar devendo mais de R$ 30 milhões a pecuaristas pode ter planejado esquema, caído em golpe ou feito maus negócios de compra e venda

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Foto: Fotos: Pedro Piegas (Bei, Diário)
Suspeito havia construído uma mangueira para o confinamento do gado, e fazia reforma no local

Fotos: Pedro Piegas (Bei, Diário)
Suspeito havia construído uma mangueira para o confinamento do gado, e fazia reforma no local

Pelas ruas de Formigueiro, o assunto que domina as rodas de conversa é o possível golpe que teria lesado produtores rurais de várias cidades do Estado em mais de R$ 30 milhões. O tema ganhou impulso com a divulgação, com exclusividade, pelo site Bei, na quinta-feira. 

A reportagem esteve no município na sexta-feira, para saber como a população está convivendo com a repercussão do possível golpe. A cada esquina, duas, três ou quatro pessoas se reúnem para tentar entender o que realmente aconteceu e como o prejuízo foi chegar a esse valor milionário. Há diferentes versões, entre ele ter planejado um esquema fraudulento, também ter caído em um golpe ou se fez maus negócios.

O suspeito de ser o responsável por aplicar um dos maiores golpes do agronegócio brasileiro, comprando animais e não pagando, está desaparecido há pelo menos duas semanas. A mulher do atravessador também não é encontrada pelas vítimas nem pela polícia.

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O negociador de gado, natural de Caçapava do Sul e morador de Formigueiro, agia comprando gado de produtores por preços acima do mercado, para pagamento a prazo, e revendia-os a menor preço em leilões com pagamento à vista. Com o passar do tempo, os prazos para pagamento do gado adquirido de pecuaristas de pelo menos 10 municípios do centro do Estado foram vencendo e deixaram de ser cumpridos pelo atravessador. 

Muitos moradores preferem agir com cautela, acreditando que o suspeito não teria planejado um golpe. 

- Planejar, ele não planejou. Eu conheço o guri. Quando ele começou, marcou oito terneiros, e fui eu que assei a carne. Eu era vizinho dele. O cara que planeja um golpe desses jamais vai investir o que ele investiu em cerca, galpão para boi, cocho - conta um morador de Formigueiro.

Para ele, o suspeito se deu mal nos negócios, e não descarta até a participação de mais pessoas no esquema: 

- O cara que planeja isso, não mobília uma casa como mobiliou ali. O negócio foi se tornando uma bola de neve e impagável.

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A casa a que o morador se refere é uma residência de alto padrão, que teria sido vendida por mais de R$ 1 milhão ao comprador de gado, que tem na faixa de 30 anos de idade. O imóvel, que fica na Rua Sete de Setembro, a mesma onde fica a Delegacia de Polícia, teria sido negociada há pouco mais de dois meses. Na tarde de sexta, a reportagem esteve no imóvel à procura do atravessador, mas não havia ninguém. O antigo dono da residência informa que a venda do imóvel já foi desfeita. 

Uma hipótese levantada é que o suspeito também tenho sido vítima de um golpe, aplicado por compradores de gado de outro Estado, e não recebeu pelo gado. 

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PRODUTOR TEVE SORTE EM NÃO FECHAR NEGÓCIO
Um agropecuarista de 52 anos procurou o negociador para vender cerca de 80 cabeças de gado pela credibilidade que ele tinha na região. 

- Eu tinha umas pastagens para arrendar e um gado para negociar com ele. Fui na casa, dele, falei com ele e ele ficou de me ligar e não ligou. É triste para nossa cidade porque tem bastante produtores lesados. Era um ponto positivo até então e da noite para o dia virou um fato negativo, para o pessoal que depende do agronegócio. A gente imaginava negociar de 80, ou até mais, dependendo do negócio que fosse feito. Dessa eu me escapei - conta. 

"DEVAGARINHO, VOU COMEÇAR DE NOVO", DIZ VÍTIMA
O produtor rural que acredita perder mais de R$ 4 milhões neste domingo, quando vence o prazo dado ao negociador para o pagamento de 542 cabeças de gado estava bastante desanimado na quinta-feira. Mas na manhã de sexta-feira, em entrevista exclusiva a nossa reportagem, ele ainda bastante emocionado ao contar a sua história de trabalho, disse que com o apoio da família e de amigos, vai trabalhar ainda mais para recuperar o prejuízo.

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- A minha vida na pecuária começou quando eu tinha 13 anos, mais ou menos. Ganhei dois bois do meu pai, que me incentivou muito. O pai nos fez trabalhar e saber de onde vem as coisas e, graças a Deus, a gente foi adquirindo. Muita gente boa caiu no golpe. Gente que, infelizmente, não tem condições de recomeçar. Eu tenho uma caminhonete nova e um reboque. Vou vender os dois e, devagarinho, vou começar de novo - relata.

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Familiares, amigos e até desconhecidos têm ligado dando força para ele continuar trabalhando, seguir em frente e não desanimar. O Veterinário Roger Batista da Rosa, 39 anos, conhece a vítima há mais ou menos dois anos devido ao ramo de trabalho. Eles acabaram virando amigos e admiradores do trabalho um do outro. Rosa se ofereceu para trabalhar de graça para o amigo se ele precisar. Ele destaca a dedicação e qualidade do gado criado pela vítima:

- Eu me coloco no lugar dele e me solidarizo com ele. Poderia ser comigo. Moro a 150 quilômetros de Formigueiro, e se ele me ligar, paro tudo e vou lá ajudar. É uma pessoa boa e trabalhadora.



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