investigação

Justiça nega prisão preventiva e mandados de busca e apreensão de suspeito do golpe do gado na região

Polícia Civil investiga desde 15 de junho as diversas denúncias de pecuaristas de pelo menos 10 municípios que teriam mais de R$ 30 milhões a receber

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Bei, BD, 18/06/2021)
Pecuaristas de pelo menos 10 municípios do centro do Estado teriam vendido animais para o atravessador, mas não receberam

Foto: Pedro Piegas (Bei, BD, 18/06/2021)
Pecuaristas de pelo menos 10 municípios do centro do Estado teriam vendido animais para o atravessador, mas não receberam

A Justiça de São Sepé negou o pedido de prisão preventiva do suspeito e mandados de busca e apreensão solicitados pela Polícia Civil (PC). Já, a quebra de sigilo bancário foi autorizada pelo judiciário. Ele também teve os bens e as contas bancárias sequestrados pela justiça. O negociador de gado que teria uma dívida de mais de R$ 30 milhões na compra de animais de produtores da região para pagamento a prazo.

Uma investigação teve início em 15 de junho na Delegacia de Polícia de Formigueiro. No dia seguinte, a Polícia Civil fez o pedido à Justiça. A solicitação foi negada nesta segunda-feira. A PC segue registrando ocorrências de produtores lesados em diversas cidades do Estado.

Segundo o delegado Antonio Firmino de Freitas Neto, titular da Delegacia de Formigueiro, o trabalho de investigação não para. Até agora, já foram registradas 14 ocorrências tendo o mesmo suspeito como autor.

- Um caso grave em que várias pessoas foram enganadas. Eu entendi que seria pelo menos em tese, estelionato com dolo pré-existente, ou seja, já pré-existia a vontade de enganar as pessoas. Ouvimos pessoas, juntamos provas e não podíamos falar muita coisa para não atrapalhar no trabalho da investigação - diz.

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Segundo Firmino, a velocidade do trabalho da Polícia Civil não é a mesma do Judiciário e do Ministério Público, o que às vezes prejudica a investigação.

- A gente corre bastante, entra com as nossas ações, nossos pedidos, e fica esperando, aguardando, e assim as provas vão se esvaindo. A gente tomou todas as providências, já com 14 ocorrências registradas e um prejuízo que passava de R$ 10 milhões, eu representei pela prisão preventiva do autor, a quebra do sigilo bancário, afastamento do sigilo bancário, sequestro de bens, de contas, enfim, várias medidas. Depois de muita demora, tivemos indeferidos os mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva - revela o delegado, que segue trabalhando para tentar salvar alguns dos bens das vítimas.

AMEAÇAS
Nesta segunda, a reportagem do Bei ligou para a empresa do pai do suspeito, em Caçapava do Sul, mas os funcionários afirmaram que o proprietário não se encontrava no local e que o último contato com o suspeito foi feito há mais de uma semana. Os funcionários confirmaram que a empresa e a casa dos pais do suspeito estão sob a guarda de seguranças, após a família ter sido ameaçada.

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Um advogado de Caçapava do Sul, que pediu para não ser identificado, disse ter sido procurado pelo suspeito para renegociar uma dívida de pouco mais de R$ 1 milhão com alguns produtores. Segundo o advogado, o negociador de gado teria solicitado um crédito em um banco, que não foi aprovado e, com isso, as dívidas não puderam ser renegociadas.

OS NEGÓCIOS
O negociador de gado, natural de Caçapava do Sul e morador de Formigueiro, comprava gado de produtores por preços acima do mercado, para pagamento a prazo, e revendia-os a menor preço em leilões com pagamento à vista. Com o passar do tempo, os prazos para pagamento do gado adquirido de pecuaristas de pelo menos 10 municípios do centro do Estado foram vencendo e deixaram de ser cumpridos pelo atravessador.

O suspeito de ser o responsável por aplicar um dos maiores golpes do agronegócio brasileiro está desaparecido há pelo menos duas semanas. A mulher do atravessador também não é encontrada pelas vítimas nem pela polícia. 

A reportagem segue tentando contato com a defesa do suspeito, mas não há informações de que ele tenha advogado contratado.

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