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Delegada faz alerta sobre golpes do cartão clonado em Santa Maria

Segundo Débora Dias, nos últimos 15 dias o número do crime envolvendo idosos tem aumentado na cidade

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Foto: Foto: Maurício Barbosa (Bei)

Foto: Maurício Barbosa (Bei)
Em uma das prisões de estelionatários, máquinas de cartão de crédito foram apreendidas pela polícia

O número de ocorrências de estelionatos envolvendo idosos tem aumentado em Santa Maria. Conforme a delegada Débora Dias, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (DPICOI), em média são recebidas 50 ocorrências deste tipo de crime por mês. Entretanto, nos últimos 15 dias, o estelionato envolvendo o golpe do cartão virtual é o que está tendo mais destaque entre as denúncias. 

Segundo a delegada, a prática do golpe mais conhecido era a de que, após uma ligação, de um suposto funcionário do banco, um motoboy ia até a casa da vítima buscar o cartão e a senha, que supostamente havia sido clonado. Porém, nas últimas duas semanas, a delegada explica que o golpe começou a ter mudanças. Agora, os criminosos têm aplicado o golpe do cartão digital do Banrisul. 

- Eu estou muito preocupada com o número excessivo de registros de ocorrências de estelionatos tendo como vítimas os idosos. Nós sabemos que não são apenas eles que são vítimas, mas o grande número de casos envolve pessoas de mais idade. Seja qual for o banco, nenhuma instituição pede que o cliente faça qualquer tipo de procedimento via telefone ou mensagem. Qualquer ligação deste tipo, é preciso ficar alerta e denunciar - conta a delegada. 

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COMO AGEM OS ESTELIONATÁRIOS
A vítima recebe a ligação de uma pessoa que se passa por um funcionário do Banrisul ou de outro banco. Após se identificar, o estelionatário passa o número de protocolo falso para a vítima e fala que uma compra grande foi feita no cartão de débito da pessoa em outra cidade. Com isso, o criminoso pede que a vítima vá até um caixa eletrônico e faça alguns procedimentos na conta, entre eles a alteração da senha do cartão digital, disponibilizado aos clientes pelo banco. Entretanto, para fazer esses procedimento a ligação não pode ser encerrada. Enquanto a vítima altera a senha, o estelionatário já criou um cartão digital em nome da vítima, o qual é usado por eles. 

INVESTIGAÇÃO
Desde o final do ano passado a DPICOI trabalha nas investigações para prender as quadrilhas de estelionatários, que em sua maioria são de outros estados. Em 9 de dezembro de 2020, 13 investigados de aplicar o golpe em Santa Maria e dois de participar do golpe em Pelotas foram presos em São Paulo, durante a Operação Alcateia. No primeiro dia da operação, a Polícia Civil fechou duas centrais telefônicas clandestinas que funcionavam na capital paulista e eram usadas para entrar em contato com as vítimas e aplicar o golpe. Ao todo, 18 policiais civis de Santa Maria participaram da ação. 

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Em 2020, de janeiro até dezembro, 67 vítimas do golpe do cartão clonado foram identificadas em Santa Maria. O prejuízo causado pela quadrilha é de cerca de R$ 550 mil. Os números dos primeiros cinco meses deste ano ainda não foram divulgados pela Polícia Civil. 

BANRISUL ALERTA CLIENTES
Uma aba disponibilizada no site do banco explica como os clientes podem se proteger. Além disso, a instituição explica que não faz contato com os clientes, como é falado na aplicação dos golpes. Veja abaixo o alerta que o banco faz em relação à comunicação com os clientes: 

- Nunca recolhe cartões de crédito ou débito no domicílio do cliente

- Nunca solicita senhas por telefone, e-mail, SMS, aplicativos de mensagens, redes sociais ou qualquer outro canal. Operações de cancelamento de cartão ou cancelamento de transações, não necessitam da digitação da senha

- Nunca envia links por SMS, e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens

- O cartão com chip Banrisul é extremamente seguro e não pode ser violado. A senha está gravada no chip inviolável do cartão, portanto a utilização da senha, escolhida pelo cliente e gravada somente no cartão, é de conhecimento e responsabilidade exclusiva do cliente

OUTROS GOLPES ENVOLVENDO CARTÕES

FALSO MOTOBOY
Ligam para o cliente dizendo ser do banco, informam que o cartão de crédito ou débito foi fraudado. Em geral, eles têm dados cadastrais verdadeiros para convencer que se trata de uma ligação verídica. Assim, afirmam que o cartão foi clonado ou que há compras suspeitas. Dizem que cancelarão o cartão, e que o cliente deverá confirmar alguns dados por telefone, dentre eles a senha. Após fornecer a senha, para concluir o cancelamento, o cliente deve cortar o cartão ao meio (na vertical, mantendo o chip intacto). Então, um falso motoboy, ou falso representante do banco, busca o cartão supostamente destruído na casa do cliente. Com a senha e o chip em mãos, os golpistas fazem diversas transações com o seu cartão. 

TROCA / FURTO DE CARTÃO
Ocorrem em terminais de autoatendimento ou maquininhas de cartão. O golpista aborda um cliente que acabou de realizar uma operação financeira e o convence de que a operação não foi finalizada, convidando a vítima a reinserir o cartão na máquina e digitar a senha. A vítima aceita a ajuda, entrega seu cartão e digita a senha na presença do golpista, que enxerga a senha. Enquanto distrai, o golpista troca o cartão original por outro, ficando com o original e entregando uma cópia não funcional para o cliente. Quando o cliente percebe a troca, muitas vezes já é tarde e o cartão já foi utilizado pelo golpista.

RETENÇÃO DE CARTÃO
Às vezes, golpistas aplicam uma substância adesiva no bocal utilizado para a inserção dos cartões. Como o cartão fica preso por causa do adesivo, o golpista aborda o cliente e oferece ajuda, fornecendo um telefone celular em contato direto com o banco. A vítima aceita ajuda, sem saber que está falando com um comparsa do golpista, e revela todos os seus dados bancários sigilosos e informações cadastrais para o estelionatário que atende a ligação. Quando o cliente vai embora sem o cartão, o golpista recolhe e utiliza o cartão de forma indevida.

DENÚNCIAS
A delegada Débora pede para que os casos de estelionato sejam denunciados da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) ou, se a vítima for idoso, fazer a denúncia diretamente na Delegacia do Idoso. O Banrisul também disponibiliza canais para que os clientes possam relatar o estelionato. Veja abaixo:

- Delegacia de Pronto-Atendimento - (55) 3222-2858 ou 3222-5803

- Delegacia do Idoso - (55) 3217-1440

- Banrisul - 0800 646 1515

Internet

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